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<p>Os <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/tabaco/cigarro-eletronico" target="_blank" rel="noopener">cigarros eletrônicos</a> estão assumindo novas formas e se tornando cada vez mais difíceis de identificar. Disfarçados em acessórios, moletons e dispositivos tecnológicos, eles ampliam a exposição de adolescentes à nicotina e preocupam especialistas em saúde.</p>
<p>Além disso, os chamados <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://drauziovarella.uol.com.br/drogas-licitas-e-ilicitas/saches-de-nicotina-o-que-sao-e-quais-riscos-representam-para-a-saude/" target="_blank" rel="noopener">sachês de nicotina</a> também avançam no mercado ilegal e reforçam o alerta para uma nova geração de produtos que atraem principalmente o público jovem. O tema ganha ainda mais relevância às vésperas do <strong><a rel="nofollow" target="_blank" href="https://bvsms.saude.gov.br/comprometa-se-a-parar-de-fumar-hoje-31-5-dia-mundial-sem-tabaco/" target="_blank" rel="noopener">Dia Mundial Sem Tabaco</a>, celebrado em 31 de maio.</strong></p>
<p>Segundo a Fundação do Câncer, a sofisticação desses dispositivos representa um desafio crescente para as políticas de controle do tabagismo, especialmente porque os produtos são desenvolvidos para se integrar à rotina dos usuários de forma discreta.</p>
<h4><strong>Dispositivos camuflados desafiam pais e educadores</strong></h4>
<p>Entre os exemplos mais preocupantes estão os chamados vaporizer hoodies, moletons com vaporizadores incorporados ao tecido. Nesses modelos, o bocal fica escondido na ponta do cordão do capuz, permitindo a inalação de nicotina sem chamar atenção e dificultando a identificação por pais e professores.</p>
<p>Segundo <strong>Luiz Augusto Maltoni</strong>, cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer, essa estratégia representa um retrocesso nas ações de controle do tabagismo.<br />“<strong>Esses dispositivos camuflados comprometem décadas de avanços nas políticas de controle do tabaco. Quando se estimula que jovens fumem sem serem percebidos, abrem-se as portas para o vício precoce</strong>.”</p>
<p>Além da camuflagem física, os novos produtos incorporam recursos tecnológicos que aumentam o engajamento dos usuários.</p>
<figure id="attachment_10471" aria-describedby="caption-attachment-10471" style="width: 374px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-10471" class="wp-caption-text">Imagem: Magnific</figcaption></figure>
<h4><strong>Dependência química encontra a dependência digital</strong></h4>
<p>Os dispositivos mais recentes contam com jogos, música, telas sensíveis ao toque, troca de mensagens e até mecanismos semelhantes aos chamados “<strong>bichinhos virtuais</strong>“. Dessa forma, o consumo da nicotina passa a ser estimulado por meio da interação constante.</p>
<p>Para Maltoni, o fenômeno vai além do tabagismo tradicional e passa a envolver elementos típicos do ambiente digital.</p>
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<p>“<strong>O que estamos vendo é a fusão entre dependência química e dependência digital. O vape deixa de ser apenas um dispositivo e passa a funcionar como um acessório interativo, integrado à rotina</strong>”, explica Maltoni.</p>
</blockquote>
<p>A preocupação também aparece nos números. De acordo com a <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/46172-consumo-de-cigarro-eletronico-cresce-entre-estudantes-de-13-a-17-anos" target="_blank" rel="noopener">Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar</a> (PeNSE) 2024, a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.</p>
<p>O avanço dos cigarros eletrônicos entre adolescentes reforça uma preocupação que já mobiliza especialistas e autoridades de saúde em todo o país. Em entrevista à Agência Brasil, o diretor-geral do <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.gov.br/inca/pt-br" target="_blank" rel="noopener">Instituto Nacional de Câncer (INCA)</a>, Roberto Gil, alertou que o Brasil vive atualmente um cenário que vai além do combate ao tabagismo tradicional.</p>
<p>Segundo ele, a disputa agora é contra toda a indústria da nicotina, que utiliza novos formatos e estratégias para alcançar principalmente adolescentes e jovens.</p>
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<h4>“<strong>Me impressiona a desinformação que a gente ainda tem, porque um produto que mata um em cada dois usuários, isso não é um produto que podia existir</strong>“, declarou.</h4>
</blockquote>
<p>Para Milena Maciel de Carvalho, consultora na área de tabagismo da Fundação do Câncer, os riscos associados aos cigarros eletrônicos vão além da dependência da nicotina. Segundo a especialista, o uso desses dispositivos durante a adolescência pode comprometer o desenvolvimento cerebral, afetando funções relacionadas à atenção, aprendizagem, humor e controle dos impulsos. Além disso, os jovens ficam mais vulneráveis ao vício ao longo da vida.</p>
<p>Milena também alerta que os cigarros eletrônicos expõem os usuários a substâncias tóxicas, como partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados, que podem provocar danos à saúde respiratória e cardiovascular.</p>
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<p>“<strong>A exposição à nicotina na adolescência pode afetar o desenvolvimento do cérebro, especialmente áreas relacionadas à atenção, aprendizagem, humor e controle de impulsos, além de aumentar a vulnerabilidade à dependência de nicotina ao longo da vida</strong>.”</p>
</blockquote>
<h4><strong>Mercado ilegal segue em expansão no Brasil</strong></h4>
<p>Embora a comercialização de cigarros eletrônicos seja proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, a oferta desses produtos continua crescendo por meio das redes sociais, sites e comércio informal.</p>
<p>Dados da Receita Federal mostram a dimensão do problema. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram apreendidas 238.801 unidades de cigarros eletrônicos no país. O número equivale a cerca de quatro mil dispositivos por dia.</p>
<p>Maltoni avalia que o crescimento desses produtos representa um risco para os avanços conquistados pelo Brasil no combate ao tabagismo.</p>
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<p>“<strong>Depois de décadas de queda consistente no número de fumantes no Brasil, o que estamos vendo agora é um risco real de retrocesso, agora embalado em tecnologia e integrado ao cotidiano dos jovens. Esses dispositivos criam uma nova porta de entrada para o consumo de nicotina e reconfiguram o comportamento, especialmente entre adolescentes</strong>“, defende.</p>
</blockquote>
<h4><strong>Sachês de nicotina também preocupam especialistas</strong></h4>
<p>Outra tendência que vem chamando atenção dos profissionais de saúde são os sachês de nicotina. Pequenos e discretos, eles são posicionados entre a gengiva e o lábio e dispensam fumaça ou combustão.</p>
<p>Apesar de não terem comercialização autorizada pela Anvisa, esses produtos continuam sendo vendidos livremente pela internet no Brasil.</p>
<figure id="attachment_10473" aria-describedby="caption-attachment-10473" style="width: 347px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-10473" class="wp-caption-text">Imagem: Andrii Atanov/Getty Images</figcaption></figure>
<p><strong>Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS</strong>), as vendas globais de sachês de nicotina ultrapassaram 23 bilhões de unidades em 2024. Além disso, o crescimento foi superior a 50% em relação ao ano anterior. Já em 2025, o mercado movimentou quase US$ 7 bilhões.</p>
<p>A cirurgiã-dentista Suyana Carneiro, da Hapvida, alerta que a ausência de fumaça contribui para uma falsa sensação de segurança.</p>
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<p>“<strong>Mesmo sem combustão, os sachês de nicotina não são inofensivos para a saúde bucal. Eles liberam nicotina e outras substâncias químicas diretamente sobre a mucosa oral, podendo causar irritação local crônica, alterações celulares e desequilíbrio da microbiota oral</strong>“, explica.</p>
</blockquote>
<p>Entre os principais problemas associados ao uso estão recessão gengival, ulcerações, inflamações persistentes e lesões na mucosa oral. Além disso, especialistas alertam para as altas concentrações de nicotina presentes nesses produtos.</p>
<p>“<strong>A nicotina é um potente vasoconstrictor. Ela reduz o fluxo sanguíneo gengival, prejudica a oxigenação dos tecidos e dificulta a cicatrização. Além disso, pode mascarar sinais inflamatórios, criando uma falsa impressão de saúde enquanto a doença periodontal evolui silenciosamente”</strong>, alerta Suyana.</p>
<p>Segundo a dentista, os danos podem se tornar permanentes.</p>
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<p>“<strong>O uso crônico pode levar à progressão da doença periodontal, perda de inserção gengival, reabsorção óssea localizada, mobilidade dentária e, em casos mais avançados, perda dentária</strong>“, afirma.</p>
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<h4><strong>Novo desafio para a saúde pública</strong></h4>
<p>Especialistas avaliam que a combinação entre tecnologia, marketing digital e produtos com alto potencial de dependência representa um dos maiores desafios atuais para o controle do tabagismo.</p>
<p>Nesse contexto, a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial Sem Tabaco deste ano traz o tema “<strong>Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco</strong>“.</p>
<p>Diante desse cenário, profissionais de saúde defendem o fortalecimento da fiscalização, o combate ao comércio ilegal e a ampliação das ações educativas voltadas para famílias, escolas e adolescentes.</p>
<p>O objetivo é impedir que uma nova geração seja atraída por produtos que unem tecnologia, entretenimento e dependência química.</p>
<figure id="attachment_10472" aria-describedby="caption-attachment-10472" style="width: 383px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-10472" class="wp-caption-text">Imagem: Magnific</figcaption></figure>
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<p><a href="https://comsaudebahia.com.br/a-nova-face-do-vicio-tecnologia-e-nicotina-se-unem-para-conquistar-jovens/">Fonte: Clique aqui</a></p>


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