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					<span class="span-reading-time rt-reading-time" style="display: block;"><span class="rt-label rt-prefix">Tempo de Leitura: </span> <span class="rt-time"> 4</span> <span class="rt-label rt-postfix">minutos</span></span></p>
<p>A doença falciforme, condição genética e hereditária que afeta a produção da hemoglobina responsável pelo transporte de oxigênio no sangue, continua sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil. O tema ganha destaque neste 19 de junho, <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://bvsms.saude.gov.br/19-6-dia-mundial-de-conscientizacao-sobre-a-doenca-falciforme/" target="_blank" rel="noopener">Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme</a>. Na Bahia, estado que registra uma das maiores incidências da enfermidade no país, especialistas reforçam a necessidade do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo.</p>
<p>Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre janeiro e abril deste ano, o <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sus" target="_blank" rel="noopener">Sistema Único de Saúde (SUS)</a> realizou 3.389.865 atendimentos ambulatoriais relacionados à doença falciforme em todo o Brasil. Desse total, 537.023 ocorreram na Bahia. Em 2025, foram registrados 10.089.577 atendimentos no país, sendo 1.408.332 apenas no estado.</p>
<p>Segundo a médica hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, Fernanda Queiroz, a alteração genética provoca a formação da hemoglobina S (HbS), capaz de deformar as hemácias em formato de foice. Como consequência, a circulação sanguínea fica comprometida e o risco de complicações aumenta.</p>
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<p><strong>“A elevada frequência da doença na Bahia está relacionada, principalmente, à formação histórica e genética da população brasileira. A mutação responsável pela hemoglobina S teve origem em regiões da África e foi trazida ao Brasil ao longo do período colonial. Como o estado possui uma das maiores populações afrodescendentes do país, observa-se maior frequência do gene da hemoglobina S na população”</strong>, explica a especialista.</p>
</blockquote>
<p>Ela ressalta que a doença falciforme pode ocorrer em pessoas de qualquer raça ou etnia, embora seja mais prevalente em indivíduos com ancestralidade africana.</p>
<h4><strong>Como a doença afeta o organismo</strong></h4>
<p>Fernanda explica que as hemácias normais, que contêm hemoglobina A (HbA), são flexíveis e conseguem atravessar pequenos vasos sanguíneos com facilidade para transportar oxigênio aos tecidos.</p>
<p>Já as hemácias falcizadas tornam-se rígidas, menos deformáveis e mais suscetíveis à destruição precoce. Além disso, aderem com mais facilidade às paredes dos vasos sanguíneos.</p>
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<p><strong>“Isso leva a dois processos principais: anemia hemolítica crônica e episódios de vaso-oclusão, nos quais há obstrução do fluxo sanguíneo em pequenos vasos”</strong>, afirma.</p>
</blockquote>
<p>Como resultado, ocorre redução da oxigenação dos tecidos e surgem crises vaso-oclusivas, caracterizadas principalmente por dores intensas nos ossos e articulações. Com o passar do tempo, órgãos como pulmões, cérebro, rins e baço também podem ser afetados.</p>
<p>Entre as complicações mais graves estão o<a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/avc" target="_blank" rel="noopener"> acidente vascular cerebral (AVC)</a>, a síndrome torácica aguda e infecções severas. No caso do baço, episódios repetidos de microinfartos podem causar perda progressiva da função do órgão, aumentando significativamente o risco de infecções, sobretudo na infância.</p>
<figure id="attachment_10974" aria-describedby="caption-attachment-10974" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-10974" class="wp-caption-text">Imagem: Magnific</figcaption></figure>
<h4><strong>Sintomas exigem atenção desde os primeiros anos de vida</strong></h4>
<p>As manifestações da doença podem surgir ainda nos primeiros anos de vida. Entre os sinais mais comuns estão cansaço, palidez, pele e olhos amarelados, inchaço das mãos e dos pés e episódios recorrentes de dor.</p>
<p>Em casos mais graves, os pacientes podem desenvolver complicações potencialmente fatais. Febre, dificuldade para respirar, dor intensa, alterações neurológicas e aumento importante do volume abdominal são sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato.</p>
<h4><strong>Teste do pezinho é fundamental para o diagnóstico precoce</strong></h4>
<p>O diagnóstico da doença falciforme ocorre por meio de exames laboratoriais capazes de identificar alterações na hemoglobina, como a eletroforese de hemoglobina e métodos como a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). Em situações específicas, testes genéticos também podem ser indicados.</p>
<p>Nesse cenário, o teste do pezinho tem papel decisivo. O exame permite identificar a doença ainda nos primeiros dias de vida, antes mesmo do aparecimento dos sintomas.</p>
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<p>“<strong>Quando o resultado é positivo ou sugestivo de doença falciforme no teste do pezinho, o recém-nascido é rapidamente encaminhado para acompanhamento com equipe especializada. A partir desse momento, não apenas se confirma o diagnóstico, mas também se inicia toda a linha de cuidado”</strong>, destaca a hematologista.</p>
</blockquote>
<p>De acordo com a especialista, a detecção precoce reduz o risco de infecções graves, ajuda a prevenir danos aos órgãos e permite orientar adequadamente as famílias. Além disso, contribui para melhorar a qualidade de vida e aumentar a expectativa de vida dos pacientes.</p>
<h4><strong>Novas terapias ampliam perspectivas de tratamento</strong></h4>
<p>Nos últimos anos, o tratamento da doença falciforme avançou com a chegada de novas opções terapêuticas. Atualmente, o transplante de células-tronco hematopoéticas é considerado a única modalidade amplamente estabelecida com potencial curativo.</p>
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<p><strong>“O transplante é indicado para casos selecionados e exige avaliação criteriosa dos riscos e benefícios. Já a terapia gênica tem surgido como um dos avanços mais promissores no cenário internacional, com resultados encorajadores e aprovação em alguns países”</strong>, explica Fernanda.</p>
</blockquote>
<p>A terapia gênica busca corrigir a alteração genética responsável pela doença. Apesar do potencial curativo, essas abordagens ainda não estão amplamente disponíveis no Brasil e permanecem concentradas em centros de pesquisa ou contextos regulatórios específicos.</p>
<h4><strong>Desafios vão além do tratamento médico</strong></h4>
<p>Embora os avanços sejam significativos, muitos pacientes ainda convivem com dor crônica, fadiga, internações frequentes e limitações que impactam a vida escolar, profissional e social.</p>
<p>Além disso, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, falta de informação sobre a doença e episódios de preconceito continuam sendo desafios enfrentados por parte dessa população.</p>
<p>Por isso, a especialista reforça que o cuidado efetivo depende de uma abordagem integrada, envolvendo pacientes, familiares, profissionais de saúde e uma rede assistencial preparada.</p>
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<p><strong>“A prevenção das complicações da doença falciforme envolve medidas práticas do dia a dia, como acompanhamento médico regular, vacinação completa, uso correto das medicações prescritas e realização dos exames de rotina recomendados. Também é fundamental manter boa hidratação, evitar exposição prolongada a temperaturas extremas, reconhecer precocemente sinais de infecção e buscar atendimento médico sempre que surgirem sintomas de alerta”</strong>, conclui.</p>
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<p><a href="https://comsaudebahia.com.br/bahia-reforca-alerta-sobre-doenca-falciforme/">Fonte: Clique aqui</a></p>


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