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<p>A exigência de novos compostos de borracha para suportar o torque imediato altera a rotina das concessionárias e obriga fabricantes a repensarem o pós-venda no Brasil</p>
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<div class="post_image"><span class="image_fonte">SÃO PAULO, SP, BRASIL, 29-12-2010: Loja de motos na rua Barão de Limeira, em São Paulo (SP). Mercado de motos tem alta nas vendas neste final de ano. Com o aumento da passagem de ônibus, mais pessoas estão investindo em motos. (Foto: Isadora Brant/Folhapress, 5157, COTIDIANO)</span><picture><source media="(max-width: 799px)" srcset="https://jpimg.com.br/uploads/2017/04/3801436496-moto-motocicleta-motos-venda-de-moto-1.jpeg"><source media="(min-width: 800px)" srcset="https://jpimg.com.br/uploads/2017/04/3801436496-moto-motocicleta-motos-venda-de-moto-1.jpeg"></source></source></picture><span class="image_credits">A urgência das fabricantes não é acidental.<br /></span></div>
<p><?xml encoding="UTF-8"???></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As principais montadoras instaladas no Polo Industrial de Manaus começaram a reavaliar suas projeções financeiras e estratégias de pós-venda para os próximos anos. Com a chegada agressiva de novas plataformas eletrificadas e a adequação aos novos limites de emissões, as diretorias de engenharia se depararam com um gargalo físico que afeta diretamente o bolso do consumidor. É nesse cenário de inovação tecnológica que os motoristas descobrem na prática </span><b>por que os pneus de moto desgastam muito mais rápido do que os pneus de carro</b><span style="font-weight: 400;">. O problema, antes tratado como uma característica inerente às duas rodas, transformou-se em um desafio comercial crítico, exigindo que a cadeia de suprimentos desenvolva borrachas capazes de suportar o torque instantâneo sem destruir a rentabilidade da frota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A urgência das fabricantes não é acidental. Diferente dos veículos de passeio, a dinâmica de uma motocicleta exige um </span><b>perfil de pneu arredondado</b><span style="font-weight: 400;">, projetado para inclinar nas curvas. Isso resulta em uma </span><b>área de contato minúscula com o asfalto</b><span style="font-weight: 400;">, equivalente ao tamanho de um cartão de crédito. Para que o veículo não derrape, a indústria utiliza compostos extremamente macios que garantem a aderência, mas que, por consequência, são consumidos pelo atrito em um ritmo acelerado.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">O impacto das novas regulamentações e a física da tração</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A entrada em vigor da quinta fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (Promot 5) obrigou as montadoras a instalarem catalisadores maiores e sistemas de injeção mais complexos nas motos a combustão, aumentando o peso final dos modelos. No segmento das elétricas, a situação é ainda mais severa. O </span><b>peso dos conjuntos de baterias de lítio</b><span style="font-weight: 400;"> altera drasticamente o centro de gravidade do chassi, sobrecarregando o eixo traseiro de forma contínua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando esse peso extra é combinado com o torque imediato dos motores elétricos, a força de tração atinge a roda de trás sem a progressividade mecânica de uma embreagem tradicional. O resultado é um </span><b>desgaste prematuro da banda de rodagem</b><span style="font-weight: 400;">, reduzindo a vida útil do equipamento em até 30% quando comparado aos modelos a combustão de cilindrada equivalente. Enquanto um pneu de carro popular roda tranquilamente por 50 mil quilômetros graças ao seu composto duro e contato plano com o solo, o pneu traseiro de uma motocicleta de médio porte frequentemente atinge a marca de segurança do TWI antes dos 10 mil quilômetros.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">Fornecedores de autopeças mudam a rotina das concessionárias</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O reflexo desse fenômeno já altera o ecossistema de distribuição no Brasil. As gigantes globais que fornecem para as linhas de montagem precisaram antecipar o lançamento de </span><b>pneus de duplo composto</b><span style="font-weight: 400;"> — mais duros no centro para resistir às acelerações em linha reta e macios nas laterais para garantir segurança nas curvas. Essa tecnologia, antes restrita às motos de altíssimo desempenho, agora precisa ser adaptada em larga escala para o mercado urbano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas concessionárias e redes de oficinas credenciadas, o fluxo de estoque sofreu um choque de realidade. A </span><b>demanda por serviços de reposição e balanceamento</b><span style="font-weight: 400;"> disparou, criando filas de espera por medidas específicas de pneus que não acompanharam a velocidade das vendas de scooters e motos elétricas. Distribuidores de autopeças relatam que o volume de importação de borracha vulcanizada precisou ser revisado para o último trimestre, temendo um apagão de componentes nas prateleiras justamente no período de maior uso da frota.</span></p>
<h2><span style="font-weight: 400;">Custo de reposição anula a economia com combustível</span></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas planilhas financeiras das famílias e dos frotistas de aplicativos, a promessa de mobilidade limpa e barata começou a perder força. O argumento de vendas baseado na </span><b>isenção de IPVA para veículos elétricos</b><span style="font-weight: 400;"> em diversos estados e no baixo custo da recarga na tomada esbarra diretamente no orçamento de manutenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O custo por quilômetro rodado sobe vertiginosamente quando o proprietário precisa desembolsar valores altos por um par de pneus a cada oito meses. Além disso, as seguradoras já começaram a ajustar seus algoritmos. O </span><b>risco de acidentes por falta de aderência</b><span style="font-weight: 400;"> em motos com pneus desgastados eleva o valor do prêmio do seguro, impactando o custo total de propriedade e, consequentemente, esfriando o valor de revenda desses veículos no mercado de seminovos.</span></p>
<p><b>Como saber se o desgaste do pneu da moto está acelerado demais?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O motociclista deve monitorar o indicador TWI (Tread Wear Indicator), um pequeno ressalto de borracha dentro dos sulcos. Se a banda de rodagem atingir esse limite antes de 5 mil quilômetros em uso urbano normal, pode haver um problema de calibragem inadequada, desalinhamento do chassi ou excesso de frenagens e acelerações bruscas.</span></p>
<p><b>O torque do motor elétrico realmente destrói a borracha?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A entrega de força de um motor elétrico ocorre de forma instantânea, sem a perda gradual de energia que acontece nas caixas de câmbio mecânicas. Toda essa força é descarregada imediatamente no asfalto, exigindo um esforço de tração que arranca micropartículas do composto do pneu a cada saída de semáforo.</span></p>
<p><b>Qual é a diferença química entre o pneu do carro e o da motocicleta?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os pneus automotivos utilizam compostos sintéticos com alta concentração de sílica e negro de fumo voltados para a durabilidade térmica e resistência ao peso. Já as motos dependem de polímeros focados exclusivamente na aderência elástica, sacrificando a resistência à abrasão para evitar que o veículo escorregue lateralmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O horizonte da mobilidade urbana brasileira para os próximos cinco anos dependerá da capacidade da engenharia de materiais de resolver essa equação de custo. A consolidação da transição energética exigirá investimentos pesados na infraestrutura de recarga pública, mas o sucesso nas ruas será ditado pela independência de insumos de alto desgaste. A expectativa da indústria é que o avanço das baterias de estado sólido reduza o peso geral dos veículos em até 40%, aliviando a pressão sobre as rodas e permitindo que as novas formulações de borracha finalmente entreguem segurança sem castigar o orçamento do trabalhador.</span></p>
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<p><a href="https://jovempan.com.br/noticias/brasil/transicao-para-motos-eletricas-esbarra-no-alto-custo-e-na-baixa-durabilidade-dos-pneus.html">Fonte: Clique aqui</a></p>


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