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<p>Receber alta da UTI é uma conquista importante. No entanto, a recuperação não termina ao sair do hospital. Muitos pacientes enfrentam a <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://repositorio.unesp.br/entities/publication/f176d10a-b446-4a8d-97ba-fb4ccc11ad85" target="_blank" rel="noopener">Síndrome Pós-Cuidados Intensivos (PICS)</a>, com impactos físicos, cognitivos e emocionais que podem persistir por meses.</p>
<p>Segundo o médico intensivista, Dr. João Gabriel Ramos, entre 50% e 60% dos pacientes apresentam limitações após a alta. “<strong>Essas alterações podem incluir fraqueza muscular, dificuldade de memória e concentração, ansiedade e sintomas depressivos</strong>”, detalha.</p>
<p>Além disso, a condição não afeta apenas o paciente. A rotina familiar também pode ser profundamente impactada, especialmente quando há necessidade de cuidados contínuos.</p>
<figure id="attachment_8640" aria-describedby="caption-attachment-8640" style="width: 251px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-8640" class="wp-caption-text">Imagem: Acervo Florence</figcaption></figure>
<h4><strong>O que é a Síndrome Pós-UTI?</strong></h4>
<p>A PICS não é uma doença específica. Na prática, o termo descreve um conjunto de complicações que surgem após uma internação crítica.<br />Essas alterações podem comprometer a autonomia e dificultar o retorno ao trabalho. Em geral, a síndrome envolve três áreas principais:</p>
<p><strong>Física</strong><br />Perda de força muscular, cansaço intenso e dificuldade para atividades simples.</p>
<p><strong>Cognitiva</strong><br />Déficits de memória, atenção e raciocínio.</p>
<p><strong>Emocional</strong><br />Ansiedade, alterações de humor e estresse pós-traumático.</p>
<h4><strong>Por que o tema merece atenção?</strong></h4>
<p>Apesar de frequente, a Síndrome Pós-UTI ainda é pouco conhecida fora do meio médico. Por isso, muitos pacientes não associam os sintomas à internação anterior. Além disso, estabilidade clínica não significa recuperação completa. Esse fator pode atrasar a busca por tratamento adequado.</p>
<p>Estima-se que cerca de 80% dos pacientes apresentem sinais da síndrome na alta. Ao mesmo tempo, aproximadamente 40% são reinternados em até 90 dias.</p>
<h4><strong>Impacto também atinge a família</strong></h4>
<p>O processo de recuperação costuma envolver toda a rede de apoio. Isso porque muitos pacientes passam a depender de ajuda para atividades básicas.</p>
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<p>“<strong>É comum que o paciente precise de ajuda para atividades simples do dia a dia, e esse cuidado quase sempre recai sobre um familiar. Com o tempo, essa sobrecarga pode gerar ansiedade, exaustão emocional e até depressão. Por isso, quando falamos em recuperação, precisamos olhar não só para o paciente, mas para toda a rede de apoio</strong>”, reforça o médico intensivista.</p>
</blockquote>
<h4><strong>Reabilitação: papel central da fisioterapia</strong></h4>
<p>Na prática clínica, a reabilitação de pacientes com Síndrome Pós-UTI é complexa. Isso porque o período de internação costuma envolver imobilismo, sedação, <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-pulmonares-e-das-vias-respirat%C3%B3rias/fal%C3%AAncia-respirat%C3%B3ria-e-s%C3%ADndrome-da-ang%C3%BAstia-respirat%C3%B3ria-aguda/ventila%C3%A7%C3%A3o-mec%C3%A2nica" target="_blank" rel="noopener">ventilação mecânica</a> e uso de medicações intensivas.</p>
<p>De acordo com a fisioterapeuta e docente, Dra. Luana Polte, esse contexto favorece sequelas importantes. Entre elas estão fraqueza muscular, perda de condicionamento, alterações respiratórias, déficit de equilíbrio e impactos cognitivos, como delírio e lentificação.</p>
<p>Ela explica que essas limitações afetam diretamente atividades básicas, como sentar, levantar, caminhar, se alimentar e realizar a própria higiene. Nesse cenário, a fisioterapia atua para reconstruir a capacidade funcional e a autonomia. O processo começa com uma avaliação individualizada, considerando limitações físicas, respiratórias e até emocionais.</p>
<p>Além disso, a professora reforça que o tratamento inclui treino direto das atividades do dia a dia. Levantar da cama, sentar, ficar em pé e caminhar fazem parte da reabilitação desde o início. Outro ponto essencial é a orientação à família e ao cuidador. A educação ajuda a alinhar expectativas e evita frustrações durante a recuperação.</p>
<p>“<strong>Quando bem conduzida, a fisioterapia promove avanços progressivos. Entre os principais ganhos estão a melhora da respiração, o aumento de força e a retomada de atividades significativas. O objetivo final vai além de recuperar movimentos. A meta é devolver ao paciente autonomia, segurança e confiança para retomar a própria rotina</strong>” afirma Dra. Luana.</p>
<h4><strong>Por que começar ainda na UTI?</strong></h4>
<p>A reabilitação deve começar o quanto antes, ainda durante a internação. Isso porque a perda funcional acontece rapidamente em pacientes críticos. Em poucos dias, podem surgir fraqueza, redução da capacidade respiratória, rigidez articular e queda do condicionamento físico.</p>
<figure id="attachment_8638" aria-describedby="caption-attachment-8638" style="width: 351px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-8638" class="wp-caption-text">Imagem: IA ChatGPT</figcaption></figure>
<p>A fisioterapia precoce atua para preservar funções e evitar complicações. Estratégias respiratórias ajudam a melhorar a ventilação e reduzir o esforço para respirar. Ao mesmo tempo, a mobilização precoce, mesmo que simples,contribui para manter a força muscular e a amplitude de movimento.</p>
<p>A fisioterapeuta expplica, ainda, que outro benefício importante é a quebra do ciclo de dependência. Quanto mais cedo o paciente volta a se movimentar, maiores são as chances de recuperar autonomia. Após a alta, os impactos são evidentes. Pacientes que iniciam reabilitação precoce tendem a apresentar menos fraqueza e melhor desempenho funcional, facilitando o retorno para casa e reduzindo o risco de reinternação.</p>
<h4><strong>O que fazer após a alta?</strong></h4>
<p>A recomendação é manter um acompanhamento estruturado, principalmente após internações prolongadas ou uso de ventilação mecânica.</p>
<h4><strong>Esse plano pode incluir:</strong></h4>
<p>• <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-pulmonares-e-das-vias-respirat%C3%B3rias/reabilita%C3%A7%C3%A3o-para-dist%C3%BArbios-pulmonares-e-das-vias-respirat%C3%B3rias/fisioterapia-respirat%C3%B3ria" target="_blank" rel="noopener">Fisioterapia motora e respiratória</a><br />• <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=3382" target="_blank" rel="noopener">Terapia ocupacional</a><br />• Avaliação neuropsicológica<br />• Apoio emocional</p>
<h4><span style="color: #003366;"><strong>Quanto mais cedo a reabilitação começa, maiores são as chances de recuperação funcional e retomada da rotina</strong>.</span></h4>
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<h4><strong>Estudo baiano ganha destaque internacional</strong></h4>
<p>Um estudo liderado pelo intensivista João Gabriel Ramos foi destaque na revista Critical Care Science. A publicação é mantida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e pela Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI).</p>
<p>O trabalho aborda a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) nos cuidados pós-UTI. A proposta é melhorar os desfechos, especialmente em pacientes mais dependentes ou com quadros complexos.</p>
<p><strong>A mensagem central é clara</strong>: sobreviver à UTI é apenas o começo. Com reabilitação precoce e acompanhamento adequado, é possível reduzir impactos e recuperar qualidade de vida.</p>
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<p><a href="https://comsaudebahia.com.br/sindrome-pos-uti-por-que-a-reabilitacao-e-decisiva/">Fonte: Clique aqui</a></p>


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