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Estudo aponta fatores estruturais para inflação de alimentos no Brasil

&NewLine;<&excl;-- WP QUADS Content Ad Plugin v&period; 3&period;0&period;4 -->&NewLine;<div class&equals;"quads-location quads-ad1" id&equals;"quads-ad1" style&equals;"float&colon;none&semi;margin&colon;0px&semi;">&NewLine;&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<p><&sol;p>&NewLine;<div>&NewLine;<p><strong>Um <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;actbr&period;org&period;br&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2026&sol;03&sol;INFLACAO-DE-ALIMENTOS-NO-BRASIL&period;pdf">estudo divulgado nesta terça-feira<&sol;a> &lpar;31&rpar; pela organização não governamental ACT Promoção da Saúde&comma; em parceria com a Agência Bori&comma; mostra que a inflação de alimentos no Brasil se configura como um fenômeno estrutural&comma; que encarece mais os produtos frescos em comparação com os ultraprocessados&period; <&sol;strong><&sol;p>&NewLine;<p>O levantamento foi elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior&comma; doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas &lpar;Unicamp&rpar;&period;<&sol;p>&NewLine;<p><strong>Segundo ele&comma; a inflação dos alimentos no Brasil não pode ser atribuída exclusivamente a questões sazonais &HorizontalLine; oscilações temporárias que tendem a se corrigir espontaneamente quando a estação muda&period; <&sol;strong>O estudo aponta o exemplo de alta no preço do tomate durante a entressafra&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O economista também defende que a inflação dos alimentos não pode ser só explicada por fatores conjunturais&comma; que seriam variações por eventos não recorrentes&comma; que podem durar meses ou poucos anos&period; Um exemplo é a desvalorização súbita do câmbio&period;<&sol;p>&NewLine;<p><strong>O estudo classifica a inflação da alimentação como estrutural&comma; composta por pressões permanentes que não se resolvem sozinhas e exigem mudanças no modo como a economia está organizada&period;<&sol;strong><&sol;p>&NewLine;<blockquote>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;A inflação é estrutural&comma; pois não decorre apenas de choques temporários&comma; é específica&comma; porque está associada às características históricas do modelo de desenvolvimento brasileiro”&comma; escreve o pesquisador no estudo&period;<&sol;p>&NewLine;<&sol;blockquote>&NewLine;<p><a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www&period;whatsapp&period;com&sol;channel&sol;0029VaoRTgrInlqYLSk59B2M" target&equals;"&lowbar;blank">&gt&semi;&gt&semi; Siga o canal da <strong>Agência Brasil <&sol;strong>no WhatsApp<&sol;a><&sol;p>&NewLine;<h2>Alta acima da inflação<&sol;h2>&NewLine;<p><strong>Em quase 20 anos&comma; o custo da alimentação do brasileiro subiu 302&comma;6&percnt;&comma; ou seja&comma; multiplicou por quatro&comma; enquanto a inflação geral do país foi de 186&comma;6&percnt;&period; <&sol;strong>Isso significa que&comma; de junho de 2006 a dezembro de 2025&comma; o encarecimento da comida supera em 62&percnt; o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo &lpar;IPCA&rpar;&comma; conhecido como inflação oficial&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Para efeito de comparação&comma; Palmieri Junior mostra que nos Estados Unidos&comma; no mesmo período&comma; o nível de preços dos alimentos ficou cerca de 1&comma;5&percnt; acima da inflação geral&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O pesquisador ressalta que no Brasil&comma; quando acontece algum tipo de crise e os preços dos alimentos sobem muito&comma; há resistência de recuo&period;<&sol;p>&NewLine;<blockquote>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Aumentar é fácil&comma; mas depois&comma; em algum momento&comma; cair um pouco&comma; isso é muito difícil&period; Vi isso em relação a alguns outros países”&comma; disse em conversa com jornalistas para apresentar o estudo&period;<&sol;p>&NewLine;<&sol;blockquote>&NewLine;<p>Ao detalhar os grupos alimentícios do custo da comida no Brasil&comma; a pesquisa revela que os itens que mais subiram foram&colon; <&sol;p>&NewLine;<ul>&NewLine;<li>Tubérculos&comma; raízes e legumes &lpar;359&comma;5&percnt;&rpar;&comma; <&sol;li>&NewLine;<li>Carnes &lpar;483&comma;5&percnt;&rpar; e <&sol;li>&NewLine;<li>Frutas &lpar;516&comma;2&percnt;&rpar; <&sol;li>&NewLine;<&sol;ul>&NewLine;<h2>Saudáveis x ultraprocessados<&sol;h2>&NewLine;<p><strong>O levantamento mostra que a perda do poder de compra é mais sentida em alimentos <em>in natura<&sol;em>&period;<&sol;strong><&sol;p>&NewLine;<blockquote>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Se uma pessoa destinasse&comma; por exemplo&comma; 5&percnt; do salário mínimo para comprar alimentos em 2006&comma; hoje&comma; com essa mesma proporção&comma; ela conseguiria levar mais produtos ultraprocessados e menos alimentos saudáveis”&comma; diz&period;<&sol;p>&NewLine;<&sol;blockquote>&NewLine;<p>Entre 2006 e 2026&comma; o poder de compra para frutas caiu cerca de 31&percnt;&semi; e para hortaliças e verduras&comma; 26&comma;6&percnt;&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Já para compra de refrigerantes &lpar;&plus;23&comma;6&percnt;&rpar; e embutidos como presunto &lpar;&plus;69&percnt;&rpar; e mortadela &lpar;&plus;87&comma;2&percnt;&rpar;&comma; aumentou&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Pelo lado dos ultraprocessados&comma; o economista explica que o barateamento está associado ao fato de ter elementos como os aditivos&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;que são industriais&comma; com menos oscilação de preço”&period; Outro ponto é o fato de serem cultivos de &OpenCurlyDoubleQuote;monotonia”&comma; quando o solo é usado insistentemente para poucos tipos de alimentos&comma; o que reduz a resiliência do cultivo&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Poucos ingredientes básicos&comma; como trigo&comma; milho&comma; açúcar e óleo vegetal&comma; passam a ser transformados em milhares de produtos distintos por meio da adição de aditivos químicos”&comma; diz&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Para o professor&comma; o menor efeito da inflação nos alimentos ultraprocessados direciona as escolhas&comma; fazendo as pessoas a comprar produtos menos saudáveis&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Você vai tendo uma mudança nos padrões de consumo a partir disso”&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Uma pesquisa divulgada hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância &lpar;Unicef&rpar; mostrou os fatores que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas&period;   <&sol;p>&NewLine;<h2>Modelo exportador<&sol;h2>&NewLine;<p><strong>Um dos fatores que levam ao aumento persistente dos preços&comma; assinala&comma; é a inserção internacional do Brasil e o modelo agroexportador&period;<&sol;strong><&sol;p>&NewLine;<p>O fato de o país ser um dos maiores exportadores de alimentos do mundo faz com que a prioridade dos produtores seja vender para outros países e receber o valor da produção em dólares&comma; em vez de direcionar para o mercado interno&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Na década de 2000&comma; mostra o estudo&comma; o país exportava 24&comma;2 milhões de toneladas de alimento e importava 14&comma;2 milhões de toneladas&period; Em 2025&comma; as exportações saltaram para 209&comma;4 milhões de toneladas&comma; enquanto as importações ficaram em 17&comma;7 milhões&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Esse indicador mostra a quantidade líquida de alimentos produzidos no país cujo destino é o mercado externo&comma; reforçando o papel do Brasil como grande exportador e aumentando a influência do mercado internacional sobre os preços internos”&comma; afirma&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O direcionamento para exterior faz com que os produtores brasileiros deem prioridade para itens que são mais demandados em outros países&comma; como soja&comma; milho e cana de açúcar&period;<&sol;p>&NewLine;<p>A área dedicada ao cultivo dessas culturas passou de 41&comma;93 milhões de hectares em 2006 para 79&comma;30 milhões de hectares em 2025&period; Essa diferença é maior que todo o território da Alemanha &lpar;35&comma;7 milhões de hectares&rpar;&period;<&sol;p>&NewLine;<p>No mesmo período&comma; a área dedicada ao cultivo de arroz&comma; feijão&comma; batata&comma; trigo&comma; mandioca&comma; tomate e banana encolheu de 10&comma;22 milhões de hectares para 6&comma;41 milhões de hectares&period; Para efeito de comparação&comma; o estado da Paraíba se estende por 5&comma;64 milhões de hectares&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>Insumos mais caros<&sol;h2>&NewLine;<p><strong>Outro elemento apontado como causa do encarecimento recorrente dos alimentos é o custo dos insumos agrícolas&comma; como fertilizantes&comma; defensivos&comma; colheitadeiras e outras máquinas&period;<&sol;strong><&sol;p>&NewLine;<p>O estudo comparou preços dos triênios 2006-2008 e 2022-2024 e identificou os seguintes aumentos na moeda real&colon;<&sol;p>&NewLine;<ul>&NewLine;<li>fertilizantes&colon; 2&period;423&percnt;&period;<&sol;li>&NewLine;<li>herbicidas e reguladores de crescimento&colon; 1&period;870&percnt;<&sol;li>&NewLine;<li>colheitadeiras&colon; 1&period;765&percnt;<&sol;li>&NewLine;<li>inseticidas&colon; 1&period;301&percnt;<&sol;li>&NewLine;<li>ureia &lpar;fertilizante nitrogenado&rpar;&colon; 981&percnt;<&sol;li>&NewLine;<li>peças e partes de máquinas agrícolas&colon; 667&percnt;<&sol;li>&NewLine;<&sol;ul>&NewLine;<p>Para o pesquisador&comma; isso reflete a ausência de uma estratégia de desenvolvimento&comma; com expansão de commodities &lpar;matérias-primas negociadas em grandes quantidades e preços internacionais&rpar; baseada em insumos e tecnologias controlados por oligopólios de países desenvolvidos&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O autor explica que há um ciclo vicioso que se reflete nos preços internos&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Isso afetou o preço para todo mundo&comma; inclusive para aquele pequeno produtor de feijão&period; Ele nem exporta&comma; mas vai pagar o alto custo do preço dos insumos&comma; e esse custo vai ser repassado para o preço do feijão”&comma; exemplifica&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>Concentração<&sol;h2>&NewLine;<p><strong>Essa dependência é associada a outro fator que&comma; na visão de Palmieri Junior&comma; leva à inflação dos alimentos&colon; a concentração da cadeia produtiva&period;<&sol;strong><&sol;p>&NewLine;<p>No estudo&comma; ele revela que apenas quatro empresas estrangeiras de sementes respondem por 56&percnt; do mercado global&period;<&sol;p>&NewLine;<p>No caso de empresas pesticidas&comma; quatro companhias de fora do país abocanham 61&percnt; do mercado&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Nas máquinas agrícolas&comma; 43&percnt; do mercado equivalem à participação de quatro empresas estrangeiras&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Na indústria alimentícia&comma; prossegue o estudo&comma; cinco marcas de duas empresas têm participação de 74&comma;2&percnt; no mercado de margarina brasileiro&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Situação semelhante acontece no mercado de massa instantânea &lpar;73&comma;7&percnt;&rpar;&period; Cinco marcas de três empresas alcançam 83&percnt; do mercado de chocolates&sol;bombom&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>Inflação invisível<&sol;h2>&NewLine;<p>O economista cita que a inflação dos alimentos é ainda pior do que mostram os números&comma; por causa da &OpenCurlyDoubleQuote;inflação invisível”&comma; que não é possível de ser medida&period; Ele classifica como esse fenômeno os produtos que mantêm o preço&comma; mas alteram os ingredientes&comma; acrescentando itens mais baratos em detrimento dos mais caros&comma; fazendo com que o produto final perca qualidade&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Um exemplo é o sorvete&comma; que passa a receber menos leite e mais açúcar&period; O mesmo acontece com o chocolate&comma; que perde cacau em pó e ganha açúcar&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Se o custo é reduzido piorando a qualidade&comma; e vende com o mesmo preço&comma; é uma inflação que não é computada pelos órgãos de pesquisa&period; Como você vai captar isso&quest;”&comma; questiona&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>Soluções<&sol;h2>&NewLine;<p>A publicação aponta alguns caminhos com capacidade de reverter a trajetória inflacionária da comida&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;O preço da comida não é apenas uma variável econômica&period; Expressa escolhas políticas&comma; distributivas e civilizatórias sobre o modelo de sociedade que se pretende construir”&comma; frisa o autor&period;<&sol;p>&NewLine;<p><strong>Entres as sugestões estão&colon;<&sol;strong><&sol;p>&NewLine;<ul>&NewLine;<li>desconcentração produtiva e fortalecimento das economias locais<&sol;li>&NewLine;<li>reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno<&sol;li>&NewLine;<li>fortalecimento de estruturas como a Companhia Nacional de Abastecimento &lpar;Conab&rpar; e Centrais de Abastecimento dos estados &lpar;Ceasas&rpar;<&sol;li>&NewLine;<li>ampliação de acesso à terra<&sol;li>&NewLine;<li>crédito à produção condicionado a produção para o mercado interno<&sol;li>&NewLine;<&sol;ul>&NewLine;<p>Palmieri Junior citou o exemplo de países desenvolvidos&comma; como Estados Unidos e europeus&comma; que realizaram reformas agrárias&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Significa fazer com que a terra seja mais acessível a um conjunto da população&period; Isso contribui para uma soberania alimentar”&comma; defende&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Para ele&comma; a reforma agrária é benéfica para interesses do capitalismo&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Se o alimento é barato&comma; sobra mais dinheiro para o cidadão comprar outras coisas que o capitalismo está produzindo e lucrando muito mais”&comma; avalia&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Se para a população de um país&comma; boa parte da renda tem que ser destinada para alimento&comma; outros setores produtivos são prejudicados”&comma; completa&period;<&sol;p>&NewLine;<p> <&excl;-- Relacionada --><&sol;p>&NewLine;<p> <&excl;-- Relacionada -->&NewLine; <&sol;div>&NewLine;<p><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;agenciabrasil&period;ebc&period;com&period;br&sol;economia&sol;noticia&sol;2026-03&sol;estudo-aponta-fatores-estruturais-para-inflacao-de-alimentos-no-brasil">Fonte&colon; Clique aqui<&sol;a><&sol;p>&NewLine;&NewLine;

Redação

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