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<p>Duas escolas brasileiras estão entre as 50 melhores escolas do mundo: <strong>a Escola Municipal GET IV Centenário, no Rio de Janeiro, e a Escola Baniwa Kalipana, em SaÌo Gabriel da Cachoeira, no Amazonas</strong>.</p>
<p>Elas concorrem ao Prêmio Melhores Escolas do Mundo 2026 e estão entre as dez finalistas de cada uma das cinco categorias da premiação. </p>
<p>O <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.youtube.com/watch?v=21S794Yyh58" target="_blank">anúncio</a> foi nesta quinta-feira (25).</p>
<p>Em São Gabriel da Cachoeira eram 2h quando o resultado foi transmitido. <strong>Na Terra Indígena Alto Rio Negro, estudantes e lideranças indígenas aguardavam acordados e reunidos, torcendo pela escola.</strong> </p>
<p>A comemoração foi geral quando a escola foi anunciada como uma das finalistas na <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://https://www.instagram.com/p/DZ_2Rmog0-d/" target="_blank">categoria Ação Ambiental</a>. </p>
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<p><strong>Na Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, onde está a unidade do Ginásio Educacional Tecnológico (GET) finalista na categoria Superação de Adversidade, o dia também foi de festa.</strong> </p>
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<p>“O coração está transbordando de alegria. É muito gostoso a gente receber esse reconhecimento em uma área vulnerável como é a nossa”, comemorou a diretora do GET IV Centenário, Alessandra Aguiar.</p>
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<h2>Escutar os estudantes</h2>
<p>O GET IV Centenário fica na Maré, bairro que abriga um complexo de 16 favelas no Rio de Janeiro. A região é constantemente alvo de operações policiais e disputa de grupos armados. Apenas entre 2016 e 2025 ocorreram 231 operações, que resultaram em 160 mortes e 1.538 ações de violência, segundo o projeto De Olho na Maré. </p>
<p><strong>Segundo Alessandra, foi depois de uma das operações que a escola, que atende crianças de 6 a 11 anos de idade, percebeu a necessidade da conversa e da escuta dos estudantes.</strong> </p>
<p>“A gente criou o Café com Música e Prosa, que é o acolhimento socioemocional, principalmente por conta dos dias após as operações policiais. Eles precisavam falar. Eles precisavam colocar para fora”, explicou a diretora da escola.</p>
<p><strong>A escuta virou diária e passou a fazer parte do projeto Fábrica de Sonhos.</strong> Os primeiros 20 minutos do dia são para que os estudantes falem sobre as próprias questões, sentimentos e preocupações. </p>
<p>“Os 20 minutos que a gente para para ouvir essas crianças no começo do dia, fazem toda a diferença. E isso é um processo diário. Todos os dias, antes de começar as matérias, a gente para para ouvir e para dizer para eles que eles podem sonhar e realizar tudo que eles quiserem”, disse.</p>
<p>Esse processo gerou resultados. <strong>A escola conseguiu zerar o abandono escolar e melhorar o rendimento, que alcançou 97% de alfabetização na idade adequada.</strong> </p>
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<p>“Eu acredito que sem relação, não tem aprendizado. Sem vínculo, não tem aprendizado. Então, a relação da gente com a família, a relação da gente com as crianças é muito importante e eles se sentem à vontade e acolhidos para estarem aqui. Às vezes, o que eles não falam em casa, eles contam aqui para a gente”, disse Alessandra. </p>
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<h2>Aplicação</h2>
<p>O projeto Fábrica de Sonhos, além da escuta, reúne um conjunto de práticas que colocam o estudante no centro do processo de aprendizagem. Utilizando a tecnologia, por exemplo, as crianças investigam problemas reais da comunidade e desenvolvem soluções práticas por meio da aprendizagem.</p>
<p><strong>As famílias também são parte essencial. No início do ano, participam do planejamento colaborativo, compartilham metas e projetos e definem responsabilidades junto com a escola.</strong></p>
<p>Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, a metodologia aplicada na escola será incorporada em outras 350 escolas da rede municipal da cidade, com potencial para expansão para demais escolas da rede.</p>
<h2>Saberes tradicionais</h2>
<p>Na Escola Baniwa Kalipana, o <strong>aprendizado é baseado no território, na gestão ambiental e nos sistemas de conhecimento ancestrais</strong>. Os professores são todos educadores indígenas e o conhecimento é repassado também na própria língua indígena.</p>
<p>Os educadores da escola destacam que, historicamente, a educação formal não reconhecia os sistemas de conhecimento locais nem os modos de vida de muitos jovens em comunidades indígenas remotas da Amazônia. </p>
<p><strong>“Isso gerava um distanciamento cultural que aumentava a probabilidade de eles deixarem o território em busca de oportunidades externas e enfraquecia significativamente as chances de transmissão de conhecimento entre gerações”, explica o texto de apresentação da escola na premiação.</strong></p>
<p>O modelo adotado pela escola foi desenvolvido por lideranças locais Baniwa e Koripako, juntamente com as famílias, anciãos e membros da comunidade.</p>
<p>A escola baseia o ensino no sistema agrícola Káali, um sistema indígena regional milenar que conecta o cultivo da mandioca a conhecimentos ecológicos, memória, cantos, artes, espiritualidade, saúde, produção de alimentos e à vida familiar e comunitária.</p>
<p>“Esse conhecimento territorial é então integrado a disciplinas como português, matemática, história e outras exigidas nacionalmente, dentro de uma estrutura curricular que apoia explicitamente a adaptação às realidades locais e aos contextos educacionais indígenas”, diz o texto.</p>
<h2>Premiação</h2>
<p>O World’s Best School Prizes, traduzido com Prêmio Melhores Escolas do Mundo, é promovido pela plataforma T4 Education e apoiado pela Fundação Lemann, American Express e Accenture.</p>
<p><strong>O prêmio tem cinco categorias: Inovação, Ação Ambiental, Colaboração Comunitária, Superação de Adversidades e Apoio a Vidas Saudáveis.</strong></p>
<p>Após o anúncio dos finalistas, está aberta, até o dia 29 de outubro, a <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://vote.worldsbestschool.org/" target="_blank">votação popular, pela internet</a>. <strong>Os vencedores de cada categoria serão anunciados em novembro. </strong>O prêmio, em dinheiro, é investido na escola.</p>
<p>“Essas escolas vêm de partes muito diferentes do mundo. O que elas compartilham é uma clara recusa em aceitar que uma educação de excelência seja reservada para algumas crianças e não outras”, afirmou, durante o anúncio dos finalistas, o fundador e CEO T4 Education, responsável pela premiação, Vikas Pota.</p>
<p><strong>As escolas vencedoras e finalistas serão convidadas a participar do World Schools Summit, em Londres, nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027</strong>, reunindo educadores, formuladores de políticas públicas e lideranças do setor educacional para compartilhar experiências e boas práticas.</p>
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<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-06/brasil-tem-duas-escolas-finalistas-no-premio-melhores-escolas-do-mundo">Fonte: Clique aqui</a></p>


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