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<p>Os quatro alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero montaram uma estrutura de monitoramento de desafetos do banqueiro</p>
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<div class="post_image"><span class="image_fonte">Reprodução/Redes Sociais</span><picture><source media="(max-width: 799px)" srcset="https://jpimg.com.br/uploads/2026/03/prismada-alvos-da-terceira-fase-operacao-compliance-zero-345x194.jpeg"><source media="(min-width: 800px)" srcset="https://jpimg.com.br/uploads/2026/03/prismada-alvos-da-terceira-fase-operacao-compliance-zero-750x422.jpeg"></source></source></picture><span class="image_credits">Marilson Roseno, Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e Luiz Phillipe Mourão foram presos preventivamente pela PF<br /></span></div>
<p><?xml encoding="UTF-8"???></p>
<p>A Polícia Federal (PF) deflagrou na quarta-feira (4) a <strong>terceira fase da Operação Compliance Zero</strong>, que apura supostas <strong>fraudes envolvendo o Banco Master</strong>. A corporação cumpriu mandados de <strong>prisão preventiva contra quatro pessoas apontadas na investigação como cruciais para o esquema de monitoramento de desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro</strong>.</p>
<p><strong>Em decisão que autorizou a operação</strong>, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou que a <strong>estrutura investigada possuía quatro núcleos de atuação</strong>:</p>
<ul>
<li><strong>Financeiro:</strong> responsável pelo esquema de fraude contra o sistema financeiro;</li>
<li><strong>Corrupção Institucional:</strong> encarregado de cooptar servidores públicos do Banco Central;</li>
<li><strong>Ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro</strong> com uso de “empresas interpostas”;</li>
<li><strong>Intimidação e obstrução de justiça:</strong> executor do monitoramento ilegal de jornalistas, autoridades e concorrentes do Master.</li>
</ul>
<p>De acordo com o documento, a apuração da PF identificou a existência de um<strong> grupo intitulado “A Turma” cujo objetivo era obter informações sigilosas e intimidar desafetos de Vorcaro e do Master</strong>. Eram integrantes do esquema:</p>
<ul>
<li><strong>Daniel Vorcaro:</strong> apontado como <strong>líder</strong> do esquema;</li>
<li><strong>Fabiano Zettel:</strong> <strong>“braço financeiro”</strong> do banqueiro;</li>
<li><strong>Luiz Phillipe Mourão:</strong> <strong>“sicário”</strong> do dono do Master e <strong>coordenador dos monitoramentos</strong>;</li>
<li><strong>Marilson Roseno:</strong> policial federal aposentado que <strong>atuou na estrutura de vigilância</strong>.</li>
</ul>
<h2><strong>Daniel Vorcaro</strong></h2>
<p>O banqueiro, segundo investigação da PF, <strong>atuou diretamente na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas ao Master</strong>. <strong>Daniel Vorcaro</strong> teria tido papel ativo nas decisões de <strong>captação de recursos do mercado financeiro e alocação em investimentos de seu conglomerado</strong>.</p>
<p>A PF também indicou que o <strong>banqueiro participou da estruturação do modelo de negócio do Master</strong>, que consistiu na <strong>emissão de títulos bancários com retorno superior à média do mercado</strong>.<strong> A estrutura</strong> <strong>direcionava</strong> <strong>os valores obtidos a investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez</strong>.</p>
<p>A investigação também constatou que <strong>Vorcaro manteve conversas diretas e frequentes com servidores do Banco Central</strong>. De acordo com a PF, o banqueiro mantinha um <strong>grupo para troca de mensagens com Belline Santana e Paulo Sérgio Souza</strong>. Ambos ocupavam, no Departamento de Supervisão Bancária (Desup), os cargos de chefe e chefe-adjunto, respectivamente.</p>
<p><strong>Os servidores</strong> <strong>teriam prestado, em diversas ocasiões, uma espécie de consultoria</strong> a Vorcaro em temas relacionados à <strong>situação regulatória do Master</strong> junto ao Banco Central. A investigação identificou comunicações nas quais o banqueiro pediu <strong>orientações sobre a condução de reuniões, a elaboração de documentos e a abordagem de assuntos sensíveis perante a autoridades</strong>.</p>
<p>Segundo a apuração, Vorcaro coordenou a <strong>estrutura de formalização de “contratos simulados” de serviços prestados por empresas terceiras</strong>. Esses acordos seriam <strong>utilizados para justificar as transferências aos servidores do Banco Central</strong>.</p>
<h2><strong>Fabiano Zettel</strong></h2>
<p>O cunhado de Vorcaro, <strong>Fabiano Zettel</strong>, <strong>teria intermediado e operacionalizado os pagamentos aos integrantes de “A Turma”, aos servidores do Banco Central e a terceiros</strong> envolvidos no esquema. De acordo com a investigação, o “braço financeiro” participou da elaboração e encaminhamento de proposta de “contratação simulada” de Belline Santana por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal LTDA.</p>
<p>A PF ainda apontou que Zettel atuou na <strong>organização e acompanhamento de fluxos financeiros</strong>. O cunhado de Vorcaro seria um colaborador na definição de mecanismos destinados a viabilizar a circulação de recursos e formalização documental das transações.</p>
<h2><strong>Luiz Phillipe Mourão</strong></h2>
<p><strong>O “sicário” de Vorcaro, Luiz Phillipe Mourão, morreu após ser preso na operação da PF</strong>. Mais cedo, a corporação informou que ele <strong>“atentou contra a própria vida”</strong>, enquanto estava sob custódia da Superintendência Regional de Minas Gerais. A <strong>Jovem Pan</strong> apurou que foi aberto um <strong>protocolo de morte cerebral</strong>. Nesses casos, é necessário aguardar algumas horas para confirmar o falecimento da pessoa, porque o coração ainda bate, mas o indivíduo não consegue respirar sem aparelhos.</p>
<p>Nas mensagens, <strong>Luiz Phillipe foi identificado como “Felipe Mourão”</strong>. Ele também<strong> atendia pelo apelido de “sicário”</strong>. O termo é usado como <strong>sinônimo de assassino de aluguel</strong>.</p>
<p>De acordo com a investigação, Mourão mantinha<strong> “relação direta de prestação de serviços” a Vorcaro</strong>. O “sicário” seria o responsável por <strong>executar as atividades relacionadas à obtenção de informações sigilosas</strong> por meio de acesso aos sistemas da PF, do Ministério Público Federal, do <strong>Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (o FBI)</strong> e da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol, na sigla em inglês). Ele também teria <strong>monitorado desafetos do banqueiro e “neutralizado situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo”</strong>.</p>
<p>A PF aponta que Mourão detinha um <strong>“papel crucial” em “A Turma”</strong>. Suspeito de <strong>coordenar a estrutura operacional de vigilância</strong>, ele teria <strong>“organizado e executado”</strong> <strong>operações</strong> para identificar, localizar e acompanhar <strong>pessoas que “mantinham relação com investigações” ou que criticavam as atividades ligadas ao Banco Master</strong>.</p>
<p>Nas mensagens interceptadas pela PF, houve<strong> conversas entre Vorcaro e Mourão sobre agressões</strong>. <strong>O banqueiro chegou a escrever que queria mandar “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, d’<em>O Globo</em></strong>. O dono do Master também disse ter que “moer” a empregada.</p>
<p>A investigação indicou que, por meio da empresa King Empreendimentos Imobiliários e Participações LTDA, <strong>Mourão recebeu R$ 1 milhão de Vorcaro</strong>. O pagamento seria feito mensalmente.</p>
<p>Outro apontamento feito pela PF foi de que <strong>Mourão fez a “ponte” entre Vorcaro e influenciadores</strong>. O intuito seria influenciar a opinião pública. Como parte do <strong>“Projeto DV”</strong>, <strong><em>influencers</em> teriam sido contratados para atacar a reputação do Banco Central</strong> no período em que o Tribunal de Contas da União (TCU) indicava que poderia anular a liquidação extrajudicial do Banco Master.</p>
<h2><strong>Marilson Roseno</strong></h2>
<p>O policial federal aposentado foi indicado pela investigação como <strong>“integrante relevante”</strong> <strong>do esquema de vigilância e coerção </strong>de desafetos de Vorcaro. Parte de “A Turma”, <strong>Marilson Roseno</strong> teria sido u<strong>m dos principais operadores do “núcleo de intimidação”</strong>.</p>
<p>Segundo a PF, em razão de sua experiência e contatos oriundos de sua carreira policial, Roseno atuava na <strong>coleta e compartilhamento de informações que pudessem “antecipar ou neutralizar” riscos</strong> <strong>decorrentes de investigações ou do trabalho de jornalistas, ex-funcionários de Vorcaro ou outros críticos às atividades do Master</strong>. O agente aposentado teria integrado a “estrutura logística” que obtinha dados pessoais, localizações e informações estratégicas.</p>
<h2><strong>Outros alvos</strong></h2>
<p>A Operação Compliance Zero ainda <strong>mirou outros envolvidos no esquema</strong>. Para eles, Mendonça determinou a <strong>adoção de medidas cautelares</strong>, como uso de tornozeleira eletrônica:</p>
<ul>
<li><strong>Ana Claudia Paiva</strong>, funcionária de Vorcaro e sócia da Super Empreendimentos e Participações S.A;</li>
<li><strong>Belline Santana</strong>, chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central;</li>
<li><strong>Paulo Sérgio Neves de Souza</strong>, chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária;</li>
<li><strong>Leonardo Augusto Furtado Palhares</strong>, administrador da Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal LTDA.</li>
</ul>
<h2><strong>Entenda o caso Master</strong></h2>
<p>Após identificar<strong> indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez</strong>, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a <strong>liquidação extrajudicial do Banco Master S/A</strong>, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.</p>
<p>Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, <strong>também teve o seu encerramento forçado</strong>.</p>
<p>O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da <strong>Operação Compliance Zero</strong>. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para <strong>combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional</strong> (SFN). Diante da possibilidade de fuga, <strong>Vorcaro foi preso um dia antes</strong>. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica.</p>
<p>Segundo as investigações,<strong> o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado</strong>. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar <strong>operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro</strong>, enquanto a <strong>liquidez se deteriorava</strong>.</p>
<p>Os episódios do <strong>Banco Master e da gestora de investimentos Reag</strong>, liquidada em 15 de janeiro, são os <strong>mais graves do sistema financeiro brasileiro</strong>. Os casos envolvem, além das fraudes, <strong>tensões entre o STF e o TCU, bem como com o Banco Central e a PF</strong>.</p>
<p>Em 17 de janeiro, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o <strong>processo de ressarcimento aos credores</strong> do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. <strong>O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões</strong>.</p>
</p></div>
<p><a href="https://jovempan.com.br/noticias/brasil/banco-master-veja-quem-sao-os-integrantes-de-a-turma-de-vorcaro.html">Fonte: Clique aqui</a></p>


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