A vacinação não se limita à infância e segue como uma das principais estratégias de prevenção em todas as fases da vida. No caso das mulheres, manter o calendário vacinal atualizado ajuda a reduzir o risco de infecções, evita complicações respiratórias e ainda protege futuras gestações. Além disso, algumas vacinas contribuem diretamente para prevenir doenças graves, como o câncer do colo do útero.
Segundo o epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro, homens e mulheres compartilham grande parte das recomendações vacinais. No entanto, algumas fases da vida feminina exigem atenção especial. “Há vacinas que assumem papel estratégico em determinados períodos, tanto pela proteção individual quanto pelos impactos positivos em uma futura gestação e na prevenção de doenças ao longo dos anos”, explica.
Adolescência: momento-chave para prevenir o HPV
A adolescência representa uma fase decisiva para atualizar o calendário vacinal. Entre as principais vacinas está a contra o HPV, responsável por prevenir infecções associadas ao câncer do colo do útero.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o país deve registrar cerca de 19.310 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Nesse cenário, a vacinação se torna ainda mais relevante.
A versão mais recente do imunizante, conhecida como HPV-9, amplia a proteção contra nove subtipos do vírus. Além disso, especialistas recomendam verificar vacinas como rubéola e varicela. Como utilizam vírus atenuados, essas doses não podem ser aplicadas durante a gravidez. Por isso, a atualização antes da vida adulta evita riscos futuros.
Gravidez: proteção compartilhada entre mãe e bebê
Durante a gestação, a vacinação ganha uma função adicional. Além de proteger a mulher, ela também contribui para a imunidade do bebê nos primeiros meses de vida.
Quando a gestante se vacina, o organismo produz anticorpos que atravessam a placenta e ajudam a proteger o recém-nascido, especialmente em um período em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
Entre as vacinas recomendadas está a dTpa, indicada a partir da 20ª semana em todas as gestações. A vacina contra gripe pode ser aplicada em qualquer fase, enquanto a imunização contra a COVID-19 também segue recomendada.
A partir da 28ª semana, entra em cena a vacina contra o vírus sincicial respiratório, importante para prevenir quadros respiratórios graves nos primeiros meses de vida do bebê.
Vida adulta: manutenção do calendário é essencial
Na fase adulta, a imunização continua sendo indispensável. Entre as principais vacinas recomendadas estão:
- Hepatite B (três doses)
- Reforço contra difteria, tétano e coqueluche a cada dez anos
- Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
- Febre amarela
- Hepatite A
- Vacinas meningocócicas ACWY e B
Além disso, a vacinação anual contra gripe permanece indicada para todas as idades, principalmente para reduzir o risco de complicações respiratórias.
Outro destaque é a vacina contra dengue, conhecida como Qdenga, indicada em duas doses para mulheres com menos de 60 anos, inclusive para quem já teve a doença. No entanto, a aplicação não é recomendada durante a gravidez.
Consulta ginecológica pode ajudar na atualização
A consulta com o ginecologista também pode funcionar como um momento estratégico para revisar o cartão de vacinação. Como muitas mulheres mantêm acompanhamento regular com esse especialista, essa oportunidade facilita a identificação de pendências.
Apesar da importância, a cobertura vacinal entre adultos ainda representa um desafio no Brasil. Dados recentes mostram que, em 2025, apenas as vacinas BCG e hepatite B para recém-nascidos atingiram a meta do Programa Nacional de Imunizações.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de ampliar a conscientização. A vacinação não termina na infância e segue essencial para garantir proteção adequada ao longo de toda a vida.

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