O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a registrar um dos piores índices de avaliação popular desde o início da série histórica do Instituto Datafolha. Pesquisa divulgada neste domingo (17) mostra que 40% dos brasileiros consideram ruim ou péssimo o trabalho da Corte, percentual que repete o cenário observado em março deste ano e se iguala aos maiores níveis de rejeição já registrados desde 2019.
Segundo o levantamento, apenas 22% classificam a atuação do STF como ótima ou boa, enquanto 34% avaliam o desempenho dos ministros como regular. O instituto ouviu 2.004 pessoas em todo o país, nos dias 12 e 13 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O desgaste do Supremo ocorre em meio ao avanço das revelações envolvendo o caso Banco Master, que atingiu diretamente ministros da Corte e ampliou a pressão pública sobre o Judiciário. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito após a Polícia Federal identificar que fundos ligados ao banco compraram participação em uma empresa de sua família. Já o ministro Alexandre de Moraes passou a enfrentar questionamentos após a divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro e informações sobre contratos envolvendo o escritório de advocacia de sua esposa.
Além do impacto do caso Master, o STF também enfrenta um ambiente de divisão interna entre ministros. De um lado, ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defendem uma reação mais firme da Corte diante da crise de imagem. De outro, o presidente do STF, Edson Fachin, e a ministra Cármen Lúcia defendem medidas institucionais mais moderadas, incluindo a criação de um código de conduta para o tribunal.
A pesquisa também revela forte divisão política na avaliação da Corte. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 40% consideram positiva a atuação do STF, enquanto 16% fazem avaliação negativa. Já entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro, a rejeição chega a 64%, com apenas 8% avaliando positivamente o Supremo.
O levantamento aponta ainda diferenças relevantes no perfil dos entrevistados. A reprovação ao STF é maior entre homens, pessoas com ensino superior e brasileiros de renda mais elevada. Entre os entrevistados com renda acima de dez salários mínimos, 63% avaliam negativamente o tribunal.
O cenário reacende o debate político em torno do papel do Judiciário e da relação entre o STF e o Congresso Nacional. O tema também deve ganhar espaço nas eleições deste ano, principalmente entre setores ligados ao bolsonarismo, que defendem ampliar a bancada conservadora no Senado para pressionar por mudanças na composição da Corte.
Em 2019 e 2023, momentos anteriores de alta rejeição ao STF estiveram associados às decisões relacionadas à Operação Lava Jato, investigações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e julgamentos de grande repercussão nacional. Agora, o caso Master e os questionamentos sobre benefícios e penduricalhos salariais colocam novamente o Supremo no centro da crise política brasileira.

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