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<p>Nos últimos dias, a comunidade internacional acompanhou com atenção e expectativa a Artemis 2, da Nasa, que enviou a cápsula Orion ao espaço. O principal objetivo era circundar a Lua e fazer imagens da face oculta do satélite natural da Terra. A missão foi realizada 54 anos depois da última expedição que levou o homem à superfície lunar, a Apollo 17, em 1972. A perspectiva é de que em 2028 a Nasa <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.reuters.com/science/nasas-lunar-success-sharpens-focus-chinas-2030-crewed-landing-goal-2026-04-08/">realize</a> uma nova missão, a Artemis 4, com o objetivo de pousar na Lua e posteriormente dar início à construção de uma estação lunar até 2030.</p>
<p>Contudo, a retomada do esforço de pousar na Lua se dá em um cenário de crescente competição entre as principais potências globais e uma retomada da corrida espacial. Como argumenta o cientista político <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.jstor.org/stable/4137574" target="_blank" rel="noopener">Barry Posen</a>, para ser o poder hegemônico em termos militares, é preciso que o país que ocupa essa posição tenha o comando do mar, do ar e do espaço, no que ele chama de “comando dos comuns”.</p>
<p>Isso significa que a potência dominante deve ter poder militar suficiente para garantir o acesso a esses espaços e também limitar o acesso de terceiros a eles. Trata-se de uma função da preponderância militar e tecnológica do poder dominante na política internacional. Para os Estados Unidos, o comando dos comuns foi um dos pilares que sustentaram sua hegemonia em termos globais ao longo das últimas décadas.</p>
<p>Durante a Guerra Fria, a corrida espacial foi um dos elementos centrais da disputa entre Estados Unidos e URSS pela preponderância global. A União Soviética começou essa corrida na frente ao enviar a nave Sputnik em 1957. Posteriormente, os Estados Unidos começaram uma corrida pelo envio de missões tripuladas à Lua e alcançou seu objetivo em 1969, quando o homem pisou pela 1ª vez em solo lunar.</p>
<p>Naquele período, houve grande discussão sobre a possibilidade de militarização do espaço, o que não se concretizou. Em 1983, o governo Reagan lançou a <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.atomicarchive.com/history/cold-war/page-20.html" target="_blank" rel="noopener">Iniciativa de Defesa Estratégica</a>, que tinha como objetivo a instalação de um sistema antimísseis no espaço e ficou conhecida como Guerra nas Estrelas. A tentativa de dominar o espaço foi responsável por grandes avanços tecnológicos e pelo desenvolvimento de tecnologias de navegação e comunicação por satélite que são utilizadas inclusive para fins civis.</p>
<h2>Exploração de recursos naturais</h2>
<p>Hoje, a corrida pelo espaço ainda não assumiu um caráter militarista, mas tem novas dimensões que não faziam parte do contexto da Guerra Fria, como a possibilidade de exploração de recursos minerais existentes na superfície lunar ou de outros planetas do sistema solar.</p>
<p>O analista <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.amazon.com.br/Race-Whats-Left-Scramble-Resources/dp/1250023971">Michael Klare</a> afirma que vivemos um momento singular na história da humanidade. Alcançamos a exploração da última fronteira de recursos disponíveis no planeta. Isso leva à necessidade do desenvolvimento de novas tecnologias para exploração de recursos em lugares de difícil alcance ou em lugares marcados por conflitos políticos e militares.</p>
<p>O esgotamento de recursos da Terra aumenta o ímpeto de exploração espacial em busca de recursos que superam a crescente demanda humana. O esforço para ocupação da Lua tem como um de seus principais objetivos a <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://exame.com/esferabrasil/artemis-ii-reacende-corrida-pela-lua-e-expoe-disputa-por-recursos-como-o-brasil-se-posiciona/" target="_blank" rel="noopener">exploração de recursos como o Hélio3</a>, raro na superfície terrestre, mas que é usado na tecnologia de fusão nuclear e pode ter um papel central na transição energética e na dependência de combustíveis fósseis.</p>
<p>Outros recursos como platina, paládio e irídio também podem ser encontrados na Lua. Há expectativa de que a mineração lunar gere <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://exame.com/ciencia/o-custo-da-lua-mineracao-lunar-pode-movimentar-us-30-trilhoes/">valores trilionários</a>. Além disso, há expectativa de que a construção de uma estação na Lua sirva de base para a exploração de outros planetas do sistema solar, sobretudo Marte.</p>
<h2>A China como novo competidor espacial</h2>
<p>Atualmente, o principal competidor dos Estados Unidos na corrida espacial é a China. O <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.cnsa.gov.cn/english/" target="_blank" rel="noopener">programa espacial chinês é bastante avançado</a> e já conta com sua própria estação espacial, a Tiangong, além de ter inúmeros satélites de comunicação e localização tendo seu próprio sistema de navegação por satélite, o BeiDou, com 55 satélites próprios.</p>
<p>Além disso, o programa espacial chinês conta com o desenvolvimento de naves Shenzou que levam astronautas chineses até o espaço desde 2003. A China tem o programa Chang’e de exploração lunar que pretende pousar na Lua e dar início à construção de bases lunares em parceria com a Rússia até a década de 2030.</p>
<p>O país também já fez missões não tripuladas à lua, conseguindo pousar robôs no solo lunar e instalar um satélite para garantir a comunicação com a Terra mesmo do lado oculto da Lua. Ademais, a China foi um dos primeiros países a conseguir pousar em Marte com a missão não-tripulada Tianwen-1, e o objetivo de promover novas missões ao planeta.</p>
<h2>Contexto de transição energética e crise da ONU</h2>
<p>Diante desse cenário, cresce a expectativa em torno da exploração comercial de recursos espaciais. Embora ainda incipiente, essa possibilidade começa a se tornar uma realidade possível em um horizonte de médio prazo. A intensificação de missões exploratórias e o possível início de construção de bases na Lua ou em outros planetas terá impactos profundos sobre a economia e sobre a corrida por recursos.</p>
<p>No contexto de mudança da matriz energética dos países, a exploração de recursos no espaço pode contribuir para a aceleração dessa transição e fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias que contribuirão para a efetiva transição energética. <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/24933" target="_blank" rel="noopener">Energia é poder</a> e o desenvolvimento de novas tecnologias de energia limpa e a continuidade da mudança na matriz energética dos países terá impacto profundo sobre a redistribuição de poder entre as potências.</p>
<p>A nova corrida pelo espaço coloca importantes questões para a política internacional em um momento em que a formação de consensos e promoção da cooperação por meio multilaterais se encontra enfraquecida pela disputa de poder entre as principais potências. Questões como quem tem o direito de explorar os recursos lunares ou de outros planetas e como a divisão dessa exploração será feita; questões sobre a possibilidade de uso militar do espaço, quais regras e normas serão estabelecidas para a exploração do espaço, são alguns dos dilemas que se colocam para os países.</p>
<p>A ONU (Organização das Nações Unidas) seria o principal espaço para a criação de normas e regras para a exploração espacial. Contudo, a dificuldade de avanço de negociações e formação de consensos em meio às disputas geopolíticas levaram os americanos a darem início a uma série de tratados bilaterais que determinam os parceiros e as bases para a exploração da Lua a partir das prioridades americanas. Os <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www-nasa-gov.translate.goog/artemis-accords/?_x_tr_sl=en&;_x_tr_tl=pt&;_x_tr_hl=pt&;_x_tr_pto=tc">Acordos Artemis</a> estabelecidos em 2020, por exemplo, estabelecem os parâmetros para a exploração lunar entre outros países parceiros, empresas privadas e os EUA.</p>
<p>A exploração do espaço traz oportunidades de avanços significativos em termos tecnológicos para a humanidade. Contudo, a disputa pela preponderância global pode novamente dar tons sombrios a esse avanço para a humanidade. À medida que a competição pela preponderância global se acirrar, há possibilidade de que o espaço se torne uma importante arena dessa competição.<!-- Abaixo está; a tag de contagem de pá;gina do The Conversation. Por favor, NÃ;O REMOVA. --><!-- Fim do có;digo. Se você; nã;o vir nenhum có;digo acima, obtenha um novo có;digo na aba Avanç;ado, depois de clicar no botã;o Republicar. O contador de pá;ginas nã;o reté;m quaisquer dados pessoais. Mais informaç;õ;es: https://theconversation.com/republishing-guidelines --></p>
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<p><a rel="nofollow" target="_blank" href="https://theconversation.com/profiles/fernanda-brandao-2389555" target="_blank" rel="noopener">Fernanda Brandão</a> é coordenadora de Relações Internacionais da <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://theconversation.com/institutions/faculdade-presbiteriana-mackenzie-rio-6479" target="_blank" rel="noopener">Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio</a>.</p>
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<p><i><span style="font-weight: 400;">Este texto foi <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://theconversation.com/como-a-bem-sucedida-missao-artemis-ii-se-insere-na-nova-corrida-espacial-280560" target="_blank" rel="noopener">publicado</a> originalmente pela The Conversation, em 14 de abril de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do </span></i><b><i>Poder360</i></b><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
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<p><a href="https://www.poder360.com.br/poder-internacional/saiba-como-a-missao-artemis-2-se-insere-na-nova-corrida-espacial/">Fonte: Clique aqui</a></p>


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