Preso nos Estados Unidos, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) entrou no país com uso de documentos falsos e apoio logístico de aliados, segundo investigação da Polícia Federal. A detenção foi realizada pelo serviço de imigração americano após o ex-parlamentar ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão no processo que apura tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a apuração, Ramagem estava desde setembro de 2025 em Miami, onde vivia em um condomínio de alto padrão. A investigação aponta que a permanência no exterior foi viabilizada com suporte direto da família do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas.
Segundo os investigadores, Rodrigo Cataratas, sua esposa Priscila de Mello e o filho Celso Rodrigo de Mello teriam atuado de forma ativa na estrutura de apoio ao ex-deputado, oferecendo moradia, auxílio financeiro e intermediação para obtenção de documentos falsos. O objetivo, conforme descrito nos autos, seria enganar autoridades americanas, inclusive para emissão de carteira de motorista.
Os detalhes constam em decisão do ministro Alexandre de Moraes, que mencionou o caso ao negar pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No documento, a Polícia Federal sustenta que a atuação da família evidencia a intenção de financiar a organização criminosa investigada.
A investigação também identificou a rota utilizada por Ramagem para deixar o Brasil. O ex-deputado teria saído por Roraima, cruzando a fronteira pelo município de Bonfim em direção à Guiana, país onde o garimpeiro mantém atividades. De lá, seguiu para os Estados Unidos, em uma operação que, segundo a PF, contou com estrutura organizada para garantir a fuga e permanência clandestina.
O caso teve novos desdobramentos em dezembro, quando Celso Rodrigo de Mello foi preso em Manaus por determinação do STF. A defesa dos investigados informou que só irá se manifestar após acesso integral aos autos.
Além disso, Rodrigo Cataratas já responde a processos na Justiça Federal por suspeitas relacionadas à exploração ilegal de ouro e outros crimes ambientais, o que amplia o contexto das investigações.
A prisão de Ramagem nos Estados Unidos reforça o alcance internacional das apurações sobre a tentativa de golpe e coloca sob análise a atuação de redes de apoio que teriam facilitado a fuga e manutenção do ex-parlamentar fora do país.

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