7ª Vara Federal Criminal de Santos entendeu que todos os 12 presos já cumprima prisão temporária; Victor Shimada segue foragido
A Justiça Federal em Santos determinou a soltura de todos os investigados que foram presos na última 6ª feira (3.jul.2026) em esquema de lavagem de dinheiro para o PCC que movimentou R$ 10 bilhões. Entre as beneficiadas está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que foi a 1ª brasileira punida com sanções diretas do governo dos Estados Unidos por ligações com a facção criminosa.
Victor Henrique de Oliveira Shimada, que também foi punido no esquema, mas estava foragido, teve a prisão temporária convertida em prisão preventiva. Os demais investigados que estavam presos temporariamente foram soltos por ordem da 7ª Vara Federal Criminal de Santos. A magistrada entendeu que não havia motivos para manter a prisão dos investigados.
A operação Exchange foi deflagrada na 6ª feira (3.jul.2026), 2 dias após o governo dos EUA anunciar o bloqueio de todos os bens e empresas dos investigados que estivessem sob domínio do território norte-americano. Parte dos elementos levantados pela Polícia Federal teve como base as investigações do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (Homeland Security).
No relatório, a Polícia Federal afirmou que, a partir dos dados compartilhados pelas autoridades norte-americanas, foi iniciada uma investigação contra o esquema bilionário de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas por meio de criptoativos.
A PF afirma que Victor Shimada, que está foragido, era um dos líderes do núcleo financeiro do PCC no Brasil. Segundo a representação policial, o grupo transacionava remessas de drogas (em especial haxixe e derivados) e utilizava empresas de fachada para lavar o dinheiro por meio de depósitos fracionados. Victor Shimada é investigado por atuar como “doleiro” junto com seu tio, Amaro Henrique de Oliveira, sua prima, Stella Stefanie, e Carlos Henrique Costa Almeida.
Segundo os relatórios de inteligência financeira do caso, Shimada foi mencionado em 51 comunicações e pode ter transacionado R$ 1,9 bilhão utilizando sua principal empresa de fachada, a Victory Trading Intermediação de Negócios.
Além de Shimada e Stella, um dos principais alvos é Ygor Savioli, apontado pela PF como um dos principais articuladores da venda de drogas. Savioli foi preso junto com outros quatro investigados pelo FBI (Departamento Federal de Investigação) nos Estados Unidos sob a acusação de lavagem de dinheiro.
No relatório da PF, as apurações indicaram que Savioli mantinha relações estreitas com Shimada, seja com conversas para articular remessas de valores da venda de haxixe para as empresas de fachada. Os dados encaminhados pelas autoridades norte-americanas indicaram a existência de uma “complexa engrenagem financeira transnacional, envolvendo a conversão de moeda fiduciária em criptoativos”.
Eis a relação do que foi apresentado pela Polícia Federal em seu relatório, que pediu a prisão temporária — com duração de 5 dias — dos 13 investigados:
- Victor Henrique de Oliveira Shimada (Liderança): Apontado como o líder do núcleo financeiro no Brasil e “doleiro”. Gerenciava empresas de fachada e coordenava a logística de dinheiro vivo em diversos países.
- Ygor Fockink Savioli (Liderança): Co-líder da organização e principal articulador do tráfico de haxixe, direcionando os fluxos financeiros ilícitos para contas de empresas do grupo.
- Paulo Roberto Macedo, o “Urso” (Operador Financeiro): Operador de confiança, responsável pela guarda, transporte e contagem de grandes quantias de dinheiro em espécie.
- Leandro de Proença (Operador Financeiro): Operador especializado em criptoativos (USDT e Bitcoin) e remessas internacionais via plataformas bancárias estrangeiras.
- Carlos Henrique Costa Almeida (Operador Financeiro): Atuava como receptor de moeda estrangeira em Portugal e captava clientes para o câmbio clandestino.
- João Gilberto Codognotto, o “Giba” (Operador Financeiro): Intermediava remessas para os EUA, Paraguai e Argentina, usando sua empresa (JGC) para integrar os valores ao sistema financeiro.
- Romany Cutolo Bonente, o “Roma” (Operador/Advogado): Advogado que atuava como intermediário de alto nível com organizações criminosas (como o PCC) e gestor de conflitos internos sobre dívidas milionárias.
- Diego Lameiro Diz (Operador Financeiro): Responsável por criar empresas de fachada nos EUA e no Brasil, além de participar da importação irregular de alho para circular recursos ilícitos.
- Amauri Henrique de Oliveira (Apoio Logístico): Tio de Victor Shimada, responsável pelo transporte físico de grandes volumes de dinheiro em espécie no território nacional.
- Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira (Apoio Logístico): Filha de Amauri, atuava na gestão de planilhas financeiras, coordenação de operações em Lisboa e intermediação de conflitos.
- Gabriel Innocente (Apoio Operacional): Negociador direto de entorpecentes, utilizando as contas das empresas do esquema para pagar e receber valores da venda de haxixe.
- Anderson Gonçalves Amaral (Laranja): Figurava como sócio-administrador (“laranja”) da empresa Hi Quality, permitindo a movimentação de bilhões de reais sem possuir renda compatível.
- Jefferson Costa de Britis (Suporte Técnico): Contador do esquema, responsável pela estruturação documental de mais de 250 empresas sem capacidade operacional real.

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