Estado fixou preço mínimo de R$ 47,23 por ação; investidores terão até 3 de junho para enviar ou alterar propostas
O governo de Minas Gerais decidiu reabrir até a próxima 4ª feira (3.jun.2026) o prazo para a apresentação de propostas de empresas interessadas em assumir o controle da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais). O Estado estabeleceu preço mínimo de R$ 47,23 por ação.
A alteração nas regras tem o objetivo de atrair novas ofertas e ampliar a concorrência depois que investidores estratégicos apresentaram lances considerados abaixo do esperado pelo governo mineiro.
A decisão foi comunicada ao mercado nesta 5ª feira (28.mai.2026). As propostas iniciais, feitas na etapa anterior por grupos como Aegea Saneamento e Equatorial Energia, giraram em torno de R$ 40 por ação.
Na véspera, 4ª feira (27.mai), as ações da companhia fecharam cotadas a R$ 50,75. Com a reabertura e a flexibilização das regras, as empresas que já estão na disputa poderão alterar ou até retirar suas ofertas.
PREÇO MÍNIMO E AÇÕES
A principal novidade da nova modelagem é a divulgação oficial do valor de referência exigido pelo governo estadual. A estratégia de fixar o preço mínimo em R$ 47,23 busca pressionar os investidores a melhorar os valores apresentados na 1ª fase.
O documento divulgado pela estatal também informou leve redução na quantidade máxima de ações adicionais ofertadas, que passou de 19.135.730 para 19.035.730.
Segundo o aviso ao mercado, 46.737 ações ordinárias da companhia pertencentes ao Estado estão indisponíveis para movimentação em razão de bloqueios judiciais.
Eis a íntegra (PDF – 551 kB) do aviso ao mercado publicado pela Copasa nesta 5ª feira.
COMPETIÇÃO E NOVOS INVESTIDORES
Além de permitir mudanças nas propostas já protocoladas, o novo formato autoriza que novos investidores de referência, que não participaram da fase inicial, entrem na operação.
RISCO DE VENDA PULVERIZADA
A reabertura é vista como uma tentativa do governo de evitar o risco de uma oferta esvaziada. Caso não haja competição suficiente entre os interessados ou as propostas continuem abaixo do piso estipulado, o Estado poderá ser obrigado a migrar para um modelo de venda pulverizada das ações, sem a definição de um investidor âncora para assumir o comando.
Nesse cenário, Minas Gerais reduziria sua participação acionária por meio de uma oferta subsequente, mas sem transferir o controle operacional a um grupo privado específico.
A hipótese preocupa agentes financeiros porque poderia reduzir os ganhos de eficiência, as mudanças de governança e a aceleração de investimentos tradicionalmente associados a uma privatização clássica.
De acordo com o novo cronograma da operação, o encerramento do procedimento de bookbuilding e a fixação do preço por ação na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) estão agendados para 11 de junho.

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