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Fim da taxa das blusinhas eleva importações em 85%

Expansão pode impactar varejistas de vestuário como Renner e C&A, que já operam com desconto no mercado

As importações pelo programa Remessa Conforme cresceram 85% em dois meses depois do fim da chamada “taxação das blusinhas”, em maio de 2026, segundo dados da Receita Federal. Relatório do Citi obtido pelo Valor Econômico indica que o avanço pode pressionar as ações de varejistas brasileiras de capital aberto.

Segundo o banco, o movimento preocupa o mercado porque repete um padrão observado anteriormente: quando plataformas estrangeiras, como a Shein, operam com vantagens tributárias, o principal impacto sobre as redes nacionais de vestuário é o aumento da concorrência por preços.

A Medida Provisória nº 1.357, de 2026, extinguiu a cobrança de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50. O Congresso prorrogou a vigência da MP até setembro. Para compras de US$ 50 a US$ 3.000, a alíquota continua em 60%, com dedução fixa de US$ 30 sobre o valor do imposto. As novas regras entraram em vigor em 13 de maio.

Os dados da Receita Federal mostram a rapidez da expansão. Até abril, o volume acumulado de produtos importados pelo Remessa Conforme somava R$ 1,4 bilhão. Em maio, o total subiu para R$ 1,9 bilhão. Ao fim de junho, chegou a R$ 2,6 bilhões, alta de 36% em relação ao mês anterior.

Criado em 2023, o Remessa Conforme busca organizar a entrada no país de produtos importados de até US$ 50. As plataformas que aderem ao programa devem cumprir critérios específicos para operar nessa faixa de valor.

O relatório do Citi cita Renner, C&A e Marisa como as varejistas de vestuário mais expostas ao aumento da concorrência.

O banco avalia que as ações dessas empresas já incorporam um desconto relevante. A Renner é negociada a cerca de oito vezes a relação entre o preço da ação e o lucro projetado para 2027. A C&A é negociada a cerca de seis vezes o mesmo indicador.

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