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<p><strong>As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.airbnb.com.br/rooms/1669576755189197289?check_in=2026-09-04&;check_out=2026-09-07&;guests=3&;search_mode=regular_search&;source_impression_id=p3_1777303165_P31Oh2-dgXJcPxv1&;previous_page_section_name=1000&;federated_search_id=a6147f1d-f75c-4673-8ae7-ae63961633a5" target="_blank">tramitação no Congresso Nacional</a>, têm mobilizado pesquisadores sobre os possíveis impactos da medida na economia, a partir do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada 6&#215;1. </strong></p>
<p>De um lado, estudos de entidades que representam o empresariado, as chamadas confederações patronais, projetam queda no Produto Interno Bruto (PIB) e alta da inflação.</p>
<p>Por outra perspectiva, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenham um cenário diferente, com impactos reduzidos atingindo apenas alguns setores, além da criação de mais empregos e possível aumento do PIB. </p>
<p>Para a economista da Unicamp Marilane Teixeira, a diferença entre as pesquisas sobre os custos econômicos da redução da jornada ocorre porque não se trata de um debate puramente técnico, mas político. </p>
<blockquote>
<p>“Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, aponta. </p>
</blockquote>
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<p>Para a professora da Unicamp Marilane Teixeira, a diferença entre as pesquisas ocorre porque o debate é político. <strong>Foto: Pedro França/Agência Senado</strong><!--END copyright=460764--></p>
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<p>Membro do <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/rbest/article/view/20820/14938" target="_blank">Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesite)</a>, Marilene defende que a resistência à redução da jornada, por parte dos empregadores, pode levar a projeções alarmistas. </p>
<p>“Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benefícios para o conjunto da sociedade”, acredita. </p>
<h2>Previsões </h2>
<p><strong>A <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/36/1b/361b1ce0-cb7d-415e-bf85-b89709f64845/nota_tecnica.pdf" target="_blank">pesquisa</a> da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas.</strong> No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%. </p>
<blockquote>
<p>“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban. </p>
</blockquote>
<p>Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que reúne empresários desses setores, <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://portal-bucket.azureedge.net/wp-content/2026/02/Jornada6x1_Geade.pdf" target="_blank">afirma</a> que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%. <strong>A estimativa da CNC cita que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%. </strong> Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, em média. </p>
<p>“Sem redução dos salários nominais, espera-se por impactos significativos sobre a rentabilidade da atividade comercial no Brasil”, diz a CNC. </p>
<h2>Custos x benefícios </h2>
<p>Já o <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/7083c3f2-81ee-48e6-a525-c9fe4b56d5e7/content" target="_blank">estudo do Ipea</a> afirma que a alta no custo das empresas com os trabalhadores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%. </p>
<p><strong>Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança. </strong></p>
<blockquote>
<p>“Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea. </p>
</blockquote>
<p><strong>A exceção seriam as empresas com até nove trabalhadores, que empregam cerca de 25% dos assalariados formais do país. Segundo o Ipea, esses negócios podem precisar de apoio estatal para transição à nova jornada de trabalho. </strong></p>
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<p> <!-- END scald=286681 --></div>
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<p><!--copyright=286681-->Autor do estudo do Ipea, Felipe Pateo afirma que o levantamento da CNC não demonstra, “de forma transparente”, como eles chegaram ao aumento de 21% no custo do trabalho. <strong>Foto:</strong> <strong>Valter Campanato/Agência Brasil</strong><!--END copyright=286681--></p>
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<p>Um dos autores do estudo do Ipea, Felipe Pateo, afirma que o levantamento da CNC não demonstra, “de forma transparente”, como eles chegaram ao aumento de 21% no custo do trabalho. </p>
<p>“Mesmo olhando só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não tem como esse aumento ser maior do que 10% porque é exatamente o tempo de horas que o empregador vai perder em relação ao trabalhador que faz 44 horas semanais”, afirmou. </p>
<p>A A<strong>gência Brasil</strong> procurou a CNC para comentar as divergências, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. </p>
<h2>Inflação dos preços </h2>
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<p>Setor de comércio calcula aumento dos custos com redução da jornada &#8211; <strong>Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil/Arquivo</strong><!--END copyright=44565--></p>
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<p>Projeções de aumento de preços com o fim da escala 6&#215;1 são destaque nos estudos de entidades patronais como CNC e <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/04/f0/04f04592-0f48-4da1-bd33-7343e8e04706/impacto_da_reducao_da_escala_de_trabalho_nos_precos_ao_consumidor.pdf" target="_blank">CNI</a>, que argumentam que o aumento do custo da mão de obra será repassado ao consumidor final. </p>
<p>O economista da CNI Marcelo Azevedo pondera que a necessidade de contratar mais vai gerar aumento de custos na ponta. </p>
<blockquote>
<p>“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema”, explica. </p>
</blockquote>
<p>Por sua vez, o economista do Ipea Felipe Pateo avalia que o impacto inflacionário será limitado, lembrando que os empresários podem ainda absorver essa diferença com redução de lucros. </p>
<blockquote>
<p>“O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto”, afirma Pateo. </p>
</blockquote>
<p><strong>Já a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, avalia que não há risco de aumento generalizado de preços. </strong></p>
<blockquote>
<p>“Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial porque o salário mínimo tem impacto para o conjunto da economia”, compara. </p>
</blockquote>
<p>Ela acrescenta que praticamente todos os setores da economia atuam com capacidade ociosa, que permite aumentar a oferta em caso de pressão no lado da demanda. </p>
<p>“Essa ideia de que uma elevação marginal no custo do trabalho pela contratação gera inflação, não se sustenta. O impacto disso no custo total é tão marginal que é óbvio que não vai impactar no preço do produto. E se a empresa compete, ele não vai reajustar preço porque corre o risco de perder cliente para o concorrente”, justifica. </p>
<p><strong>A nota técnica do Ipea sustenta que a redução da jornada terá efeito semelhante a de aumentos do salário mínimo e afirma que as projeções que preveem redução do PIB e do emprego não são respaldadas por estudos que analisam a experiência histórica brasileira. </strong></p>
<p>“Aumentos reais [do salário mínimo], que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos sobre o nível de emprego”, diz a nota técnica do Ipea. </p>
<h2>Divergências </h2>
<p><strong>A divergência entre as pesquisas ocorre porque os levantamentos partem de pressupostos e premissas diferentes para calcular os impactos sobre o PIB e inflação, por exemplo. </strong></p>
<p>O estudo da Unicamp parte da premissa de que a redução da jornada vai incentivar os empregadores a contratar mais. Em contrapartida, o estudo da CNI parte do pressuposto de que a redução do total de horas trabalhadas diminuiria o total do produto final. </p>
<p>O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explicou à <strong>Agência Brasil</strong> que os estudos de projeções econômicas simplificam a realidade e precisam definir hipóteses para fazer projeções de impactos da mudança. </p>
<blockquote>
<p>“Você pode assumir que vai ter ganho de produtividade, você pode assumir que não vai ter ganho de produtividade. E tudo bem. Isso faz parte dos estudos, desde que bem explicitados que tipo de hipótese você está assumindo. Não à toa você tem visões diferentes e não necessariamente erradas, mesmo que conflitantes”, pondera. </p>
</blockquote>
<p><strong>Marilene ressalta que a diferença entre as pesquisas não é resultado de uma manipulação das evidências.</strong> A partir dos mesmos dados, pode-se chegar a resultados distintos em razão da perspectiva política, econômica e social que o pesquisador tem do contexto que se analisa. </p>
<p>“É um conflito que chamamos de conflito distributivo. É uma disputa para definir para onde canalizar os lucros, a renda do trabalho, o salário e o consumo. O que está em disputa são os ganhos da produtividade”, completa. </p>
<h2>Produtividade </h2>
<p> </p>
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<p>Trabalhador da indústria- <strong>Amanda Oliveira/GovBA</strong><!--END copyright=99193--></p>
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<p>O estudo da CNI aponta que a redução da jornada de trabalho vai impactar a competitividade das empresas.<strong> Ele avalia como improvável o aumento da produtividade para compensar a redução das horas trabalhadas. </strong></p>
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<p> <!-- END scald=460763 --></div>
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<p><!--copyright=460763-->O economista da CNI Marcelo Azevedo pondera que a necessidade de contratar mais vai gerar aumento de custos na ponta &#8211; <strong>Foto:</strong> <strong>José Paulo Lacerda/CNI</strong><!--END copyright=460763--></p>
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<p>Ao aumentar a produtividade, uma empresa pode produzir o mesmo com menos tempo de trabalho. </p>
<p>“A gente, infelizmente, e por diversas razões que não são simples de contornar, está com uma produtividade estagnada há muito tempo. Ela é baixa frente aos outros países. Acho difícil apostar numa melhora significativa de produtividade”, explicou à <strong>Agência Brasil</strong> o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo. </p>
<p>A economista Marilane Teixeira aponta que, mesmo com uma jornada relativamente extensa como a brasileira, a produtividade se mantém estagnada. </p>
<blockquote>
<p>“Portanto, não é a jornada de trabalho que vai resolver o problema da produtividade. Talvez, até reduzindo a jornada de trabalho, você possa melhorar a produtividade porque as pessoas vão estar mais descansadas”, completa. </p>
</blockquote>
<p>O técnico do Ipea Felipe Pateo afirma que há muitas possibilidades para adequação das empresas frente a redução da jornada, não sendo possível antecipar uma queda no PIB. </p>
<blockquote>
<p>“A hora liberada do trabalhador pode gerar também maior produção, maior consumo. Pode fazer com que as outras atividades, no tempo livre, tenham uma dinâmica positiva na economia”, explica. </p>
</blockquote>
<h2>Evolução histórica </h2>
<p> </p>
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<p>Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988. &#8211; <strong>Arquivo Agência Brasil</strong><!--END copyright=124021--></p>
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<p>Em 1988, a Constituição brasileira reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Em 2002, economistas da PUC Rio e da Universidade de São Paulo (USP) publicaram estudo que não identificou efeitos negativos no nível de emprego. </p>
<p>“As mudanças relacionadas à jornada de trabalho em 1988 não aumentaram a probabilidade de o trabalhador afetado perder o emprego e diminuíram a sua probabilidade de sair da força de trabalho no ano seguinte à mudança regulatória”. </p>
<p>O economista da CNI Marcelo Azevedo questiona a comparação da redução atual da jornada com a que foi realizada durante a Constituição de 1988, alegando que a economia mudou muito nesses 40 anos. </p>
<blockquote>
<p>“A economia era mais fechada, não tinha globalização como tem hoje, não tinha o comércio eletrônico de hoje. Era mais fácil absorver os custos com uma inflação elevadíssima como a daquela época”, rebate Azevedo. </p>
</blockquote>
<p> </p>
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<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/fim-da-escala-6-1-estudos-divergem-sobre-impactos-no-pib-e-inflacao">Fonte: Clique aqui</a></p>


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