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emagrecimento rápido pode afetar músculos

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O crescimento do uso de medicamentos análogos de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, tem ampliado o debate entre profissionais da saúde sobre os impactos do emagrecimento acelerado. Embora os remédios auxiliem no controle da glicose e no tratamento da obesidade, especialistas alertam para os riscos da perda de massa muscular sem acompanhamento adequado.

Nos últimos meses, os agonistas de GLP-1 ganharam popularidade nas redes sociais por promoverem rápida redução de peso. O efeito ocorre principalmente por causa do controle do apetite e do aumento da saciedade. No entanto, muitas pessoas utilizam os medicamentos sem orientação médica, nutricional e física. Como consequência, o organismo pode perder massa magra e força muscular durante o emagrecimento.

Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício com foco em emagrecimento e hipertrofia, o problema principal está no uso indiscriminado dessas medicações.

Existe uma falsa sensação de que emagrecer rápido significa emagrecer bem. Muitas pessoas estão perdendo peso na balança, mas também perdendo funcionalidade, força e qualidade de vida. O músculo é essencial para proteção metabólica, mobilidade e envelhecimento saudável. Sem treinamento adequado e acompanhamento profissional, o corpo paga um preço alto”, alerta.

Perda de massa muscular preocupa especialistas

Estudos científicos recentes reforçam o alerta. A pesquisa STEP 1, publicada em 2021 pela New England Journal of Medicine, mostrou que pacientes que utilizaram semaglutida 2.4 mg perderam, em média, 14,9% do peso corporal em 68 semanas. Parte dessa redução ocorreu por meio da perda de massa magra.

Segundo Jauan Anselmo, esse cenário ajuda a explicar relatos frequentes de flacidez, fadiga e diminuição da força física após o uso dos medicamentos.

A massa muscular está diretamente ligada à taxa metabólica basal. Quando a pessoa perde músculo junto com gordura, o corpo passa a gastar menos energia naturalmente. Isso facilita o efeito rebote e compromete a saúde. Por isso, o treino de força deixa de ser opcional e passa a ser indispensável”, explica.

Imagem: Fernando Frazão\Agência Brasil.

Exercício físico ajuda na preservação da massa magra

A prática regular de exercícios físicos também aparece como fator importante durante o tratamento. Um estudo publicado em 2025 pela Universidade Federal de Santa Catarina analisou os efeitos dos análogos de GLP-1 associados ao exercício físico em pessoas com obesidade.

A pesquisa apontou que musculação e treinamento resistido ajudam a preservar a massa muscular e a manter a taxa metabólica basal durante o emagrecimento. Além disso, os exercícios contribuem para melhorar a funcionalidade e reduzir os riscos do efeito rebote.

De acordo com o especialista, o acompanhamento individualizado faz diferença porque cada organismo reage de maneira diferente à perda de peso.

Não existe fórmula pronta. O acompanhamento individualizado permite ajustar treino, intensidade, alimentação e recuperação conforme a realidade de cada pessoa. O objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas preservar saúde, autonomia e resultados duradouros”, ressalta.

Redes sociais ampliam banalização do uso

Jauan Anselmo também chama atenção para a forma como as redes sociais apresentam esses medicamentos. Em muitos casos, influenciadores divulgam os remédios como soluções rápidas para emagrecer, sem discutir riscos e contraindicações.

“Estamos vivendo um momento em que o emagrecimento virou produto de consumo imediato. Mas a saúde não pode ser tratada como tendência. Medicamentos como esses precisam de responsabilidade, acompanhamento médico e integração com exercício físico e alimentação adequada”, conclui.

Especialistas reforçam que os análogos de GLP-1 possuem papel importante no tratamento da obesidade e de doenças metabólicas. Porém, o uso deve acontecer com acompanhamento profissional e mudanças sustentáveis no estilo de vida.

 

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