As Nações Unidas abriram oficialmente o processo que definirá quem assumirá o cargo de secretário-geral — ou, pela primeira vez em 80 anos, secretária-geral, a partir de 1º de janeiro de 2027. A sucessão de António Guterres, cujo mandato termina em dezembro de 2026, ocorre em um dos momentos mais delicados para o multilateralismo desde a criação da ONU.
A carta conjunta enviada pela presidente da Assembleia Geral e pelo presidente do Conselho de Segurança convida os Estados-membros a apresentarem indicações. O texto enfatiza a necessidade de “igualdade de oportunidades” e reforça o apelo para que países considerem seriamente mulheres como candidatas, diante do fato de que nenhuma mulher jamais ocupou o comando da organização.
Pressão por diversidade e nova liderança
Além da paridade de gênero, a carta também reforça a importância da diversidade regional. Desde 1945, quatro chefes da ONU vieram da Europa, dois da Ásia, dois da África e apenas um da América Latina, justamente Guterres, natural de Portugal, que ocupa o Nonato cargo.
O processo prevê que o Conselho de Segurança faça, até julho de 2026, a recomendação formal de um único nome, que então será encaminhado para deliberação da Assembleia Geral, composta por 193 países.
eleição ocorre em cenário global turbulento
Em comunicação paralela, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, classificou a escolha do próximo secretário-geral como uma das mais importantes da história da ONU.
Ela alerta para um cenário de conflitos em expansão, agravamento da crise climática, aumento das demandas humanitárias, dificuldades na implementação da Agenda 2030 e resistência crescente aos direitos humanos. Segundo Baerbock, o sistema multilateral está sob “pressão financeira e política”, enquanto o mundo precisa da ONU “mais do que nunca”.
Pré-candidatos já surgem
A corrida já tem nomes conhecidos circulando nos bastidores diplomáticos. Entre os pré-candidatos anunciados estão:
Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e ex-chefe da ONU Mulheres;
Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual secretária-geral da Unctad;
Rafael Grossi, diplomata argentino e diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Nos bastidores, a presença de duas mulheres entre os primeiros nomes reforça a pressão para que a ONU finalmente rompa a barreira histórica que impede que uma mulher chegue ao posto máximo da diplomacia global.
Disputa promete ser intensa
Com desafios que vão da guerra na Europa ao cerco à democracia em diversas regiões, passando pela pior crise ambiental do século, a próxima liderança da ONU será cobrada por firmeza, capacidade de articulação e prestígio internacional.
A seleção, que tradicionalmente envolve negociações discretas entre potências do Conselho de Segurança, tende a ganhar ainda mais visibilidade diante da expectativa por renovação — e da busca por um nome capaz de recuperar a autoridade moral da organização.

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