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Clínicas de diálise começam a receber crédito tributário

Tempo de Leitura: 4 minutos

Manter o tratamento de pacientes com doença renal crônica depende, entre outros fatores, da sustentabilidade das clínicas de diálise que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, a publicação das primeiras portarias do Ministério da Saúde que habilitam essas unidades a receber um crédito tributário de 10,16% é considerada um avanço para o setor.

A medida faz parte do pacote de reajuste de 15% destinado à Terapia Renal Substitutiva (TRS), anunciado pelo Governo Federal em março deste ano. Desse total, 4,4% correspondem ao reajuste da tabela de remuneração do SUS, enquanto os outros 10,16% serão concedidos por meio de crédito tributário às clínicas habilitadas.

Até o momento, 61 serviços de diálise foram habilitados. A expectativa é que um novo lote, com mais de 60 clínicas, seja publicado nos próximos dias.

Imagem: Magnific

Segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2025, da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 170 mil brasileiros realizam diálise regularmente, sendo a grande maioria atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Esse cenário reforça a importância de medidas que contribuam para a sustentabilidade financeira das clínicas, responsáveis por garantir um tratamento contínuo e indispensável à sobrevivência de milhares de pacientes com doença renal crônica.

Por que essa medida é importante?

A doença renal crônica é um problema de saúde pública crescente. Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, muitos pacientes passam a depender da hemodiálise, geralmente realizada três vezes por semana, para sobreviver.

Imagem: Magnific

Entretanto, manter esse tratamento exige equipes especializadas, equipamentos de alta tecnologia, medicamentos, insumos e uma estrutura permanente de funcionamento. Segundo a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), o valor pago atualmente pelo SUS não cobre o custo real da assistência.

Estimativas do setor apontam uma defasagem de aproximadamente 43% entre o custo da sessão de hemodiálise e o valor reembolsado pelo sistema público. Esse cenário tem aumentado a pressão financeira sobre as clínicas e pode comprometer a continuidade da assistência.

Nesse contexto, o crédito tributário busca aliviar parte desse impacto econômico, fortalecendo os serviços que atendem pacientes renais crônicos.

Como funciona o crédito tributário?

Na prática, as clínicas habilitadas poderão utilizar o benefício para compensar tributos federais que ainda vencerão, entre eles:

• Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ);
• Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
• PIS;
• Cofins.

Os créditos não poderão ser utilizados para quitar débitos tributários já vencidos.
A operacionalização ocorre por meio da plataforma InvestSUS, dentro do Componente Créditos Financeiros do Programa Agora Tem Especialistas, regulamentado pelas Portarias SAES/MS nº 4.105/2026 e GM/MS nº 11.179/2026.

Para acessar o benefício, as clínicas precisam atender aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, incluindo a apresentação das certidões negativas exigidas pelo sistema.

O que muda para os pacientes?

Embora o crédito tributário não represente aumento direto no número de vagas ou de sessões de diálise, especialistas avaliam que a medida ajuda a preservar a sustentabilidade financeira das clínicas.

Na prática, isso pode contribuir para:

• reduzir a pressão financeira sobre os serviços;
• favorecer a manutenção da qualidade assistencial;
• ampliar a capacidade de investimento em estrutura e equipamentos;
• fortalecer a continuidade do atendimento oferecido pelo SUS.

Como a hemodiálise é um tratamento contínuo e indispensável para milhares de brasileiros, qualquer medida que aumente a estabilidade dos serviços pode representar mais segurança para pacientes e familiares.

ABCDT acompanha publicação das portarias

Segundo a ABCDT, a implementação do benefício é resultado de um trabalho técnico realizado junto ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a outros órgãos federais.

A entidade também participou da construção das normas que regulamentam o crédito tributário, promoveu ações de orientação às clínicas e elaborou materiais técnicos para facilitar o cadastramento das unidades na plataforma InvestSUS.

O presidente da ABCDT, Ricardo Akel, destaca que o benefício representa um avanço, embora ainda não resolva completamente o problema do financiamento da terapia renal substitutiva.

Sabemos que esse avanço não elimina a defasagem histórica do financiamento da Terapia Renal Substitutiva, mas representa um passo importante para reduzir a pressão financeira sobre as clínicas. A ABCDT continuará acompanhando a publicação das próximas portarias e trabalhando para que todas as unidades aptas tenham acesso ao benefício. Nosso compromisso é defender condições que garantam a continuidade e a qualidade da assistência prestada aos pacientes renais crônicos em todo o país.

Entenda a doença renal crônica

A doença renal crônica é caracterizada pela perda gradual da função dos rins. Em muitos casos, ela evolui silenciosamente durante anos.

Os principais fatores de risco são:

• hipertensão arterial;
• diabetes;
• obesidade;
• doenças cardiovasculares;
• histórico familiar de doença renal;
• idade avançada.

Quando diagnosticada precocemente, a progressão da doença pode ser retardada com acompanhamento médico e controle adequado desses fatores.

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Quando procurar atendimento?

É importante procurar uma unidade de saúde caso ocorram sintomas como:

• inchaço persistente;
• redução importante da urina;
• cansaço excessivo;
• pressão arterial de difícil controle;
• alterações persistentes nos exames de creatinina ou urina.

Pessoas com hipertensão e diabetes devem realizar acompanhamento periódico da função renal, conforme orientação médica.

O que você precisa saber

Quem será beneficiado?

As clínicas de diálise habilitadas pelo Ministério da Saúde.

O paciente recebe dinheiro?

Não. O benefício é destinado às clínicas para reduzir parte da carga tributária.

O atendimento pelo SUS muda imediatamente?

Não. A expectativa é fortalecer financeiramente os serviços e contribuir para a continuidade da assistência.

O benefício substitui o reajuste da tabela do SUS?

Não. Ele complementa o reajuste de 4,4% concedido à remuneração da Terapia Renal Substitutiva.

Expectativa do setor

A publicação das primeiras portarias representa mais um passo na tentativa de reduzir a histórica defasagem do financiamento da diálise no Brasil. Embora a medida não resolva todos os desafios enfrentados pelas clínicas, ela pode contribuir para preservar serviços essenciais para milhares de pacientes que dependem da hemodiálise para viver.

A expectativa do setor é que novas habilitações sejam publicadas nas próximas semanas, ampliando o alcance do benefício e fortalecendo a rede de atendimento aos pacientes renais crônicos.

Fonte: Clique aqui

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