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Brasileiros assumem comando das duas maiores cervejarias do mundo

O Brasil alcançou uma posição inédita no mercado global de bebidas. Pela primeira vez, as duas maiores cervejarias do mundo serão comandadas por executivos brasileiros, reforçando a presença do país nos cargos mais estratégicos da indústria internacional.

A novidade veio com a nomeação de Rafael Oliveira para o cargo de CEO global da Heineken, segunda maior cervejaria do planeta. O executivo assumirá a função em outubro de 2026 e será o primeiro líder externo escolhido pela companhia holandesa em sua história.

Com a decisão, Rafael Oliveira passa a integrar um seleto grupo de brasileiros que ocupam posições de comando em multinacionais globais. Do outro lado da disputa pelo mercado cervejeiro está Michel Doukeris, brasileiro que lidera desde 2021 a AB InBev, maior fabricante de cervejas do mundo e controladora da Ambev.

Brasil no topo da cervejeira mundial

A ascensão de Rafael Oliveira fortalece ainda mais a influência brasileira em um setor que movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente.

A AB InBev reúne marcas globais como Budweiser, Corona, Stella Artois, Brahma, Skol e Antarctica. Já a Heineken controla rótulos internacionais como Heineken, Amstel, Tiger, Sol, Desperados e Birra Moretti.

Juntas, as duas companhias lideram com ampla vantagem o mercado global de cervejas, deixando concorrentes como Carlsberg e Molson Coors em posições mais distantes.

Quem é Rafael Oliveira

Carioca, Rafael Oliveira construiu carreira internacional no setor financeiro e de bens de consumo. Formado em Economia, com MBA pela Universidade de Chicago, atuou durante cerca de dez anos no Goldman Sachs antes de ingressar na Kraft Heinz, onde chegou à presidência dos mercados internacionais.

Desde 2024, comandava a JDE Peet’s, uma das maiores empresas globais de café e chá. Sua experiência em gestão internacional foi um dos fatores que levaram o conselho da Heineken a escolhê-lo por unanimidade após uma busca global por um novo líder.

A missão do executivo não será simples. A companhia enfrenta desaceleração no consumo mundial de cerveja, redução de vendas em mercados importantes e um plano de reestruturação que prevê cortes de empregos e aumento da eficiência operacional.

Michel Doukeris, a continuidade brasileira na líder global

Enquanto a Heineken aposta em renovação, a AB InBev mantém um brasileiro no comando há cinco anos.

Natural de Santa Catarina, Michel Doukeris construiu toda a carreira dentro do grupo Ambev e AB InBev. Ingressou na companhia em 1996 e ocupou cargos estratégicos na América Latina, China, Ásia-Pacífico e América do Norte antes de assumir a presidência global em 2021.

Doukeris sucedeu outro brasileiro, Carlos Brito, que liderou a expansão internacional da empresa durante 15 anos e ajudou a consolidar a AB InBev como a maior cervejaria do planeta.

Conexão com o grupo 3G Capital

Outro ponto em comum entre os dois executivos é a ligação com empresas associadas ao grupo de investimentos 3G Capital, dos empresários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Alberto Sicupira e Marcel Telles.

Michel Doukeris desenvolveu sua carreira na Ambev e na AB InBev, enquanto Rafael Oliveira ocupou posições de destaque na Kraft Heinz, companhia que também integra o histórico de investimentos do grupo empresarial brasileiro.

Mercado enfrenta novos desafios

A escolha de Rafael Oliveira ocorre em um momento de transformação da indústria global de bebidas.

A Heineken busca acelerar sua estratégia para 2030 diante da queda do consumo de cerveja em diversos mercados e do avanço de produtos sem álcool. A empresa também pretende ampliar produtividade e reduzir custos para recuperar competitividade frente à AB InBev.

Analistas do mercado consideram que a chegada do executivo brasileiro representa uma tentativa da companhia de trazer uma visão externa e acelerar mudanças operacionais e estratégicas.

Protagonismo brasileiro 

A presença simultânea de dois brasileiros no comando das maiores cervejarias do mundo reforça a reputação do país na formação de executivos globais. Em um setor altamente competitivo e concentrado, Rafael Oliveira e Michel Doukeris passam a ocupar posições centrais nas decisões que influenciam marcas consumidas por milhões de pessoas em dezenas de países.

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