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Advogados de grandes escritórios se infiltram no governo britânico

Jornal britânico aponta que ao menos 5 advogados com históricos em ações coletivas bilionárias ocupam cargos no governo de Keir Starmer

O governo do primeiro-ministro britânico Keir Starmer (Partido Trabalhista, centro-esquerda) abriga ao menos 5 advogados com histórico em escritórios especializados em ações coletivas com litígios que atingem cifras bilionárias. Uma reportagem do jornal britânico UK Parliament fala em uma “infestação” de “advogados de reclamantes” –que representam clientes contra empresas por violação de direitos ou verbas rescisórias– no alto escalão do parlamento britânico, pois esses profissionais têm a “simpatia” de Starmer.

A influência não para no gabinete do primeiro-ministro, mas tem sido uma marca do Partido Trabalhista inglês. O grupo tem recrutado advogados que passaram por escritórios especializados em causas trabalhistas, com processos que não incluem apenas casos ocorridos em território britânico. Um dos escritórios de advocacia com representantes no governo de Starmer é o PG (Pogust Goodhead), responsável pela ação que pede £ 36 bilhões (R$ 257,44 bilhões na cotação atual) à BHP Billiton no caso do rompimento da barragem de Mariana (MG) em 2015.

O principal nome ligado ao escritório é Jake Richards. O advogado ocupa hoje o cargo de subsecretário de Estado Parlamentar no Ministério da Justiça e como assistente do líder da bancada do Partido Trabalhista no Parlamento. Richards trabalhou no PG em 2019 e ainda mantém laços com o escritório, tendo recebido vítimas do rompimento da barragem brasileira no Palácio de Westminster. Ele foi eleito integrante do Parlamento britânico em 2024 e ascendeu aos cargos que ocupa no governo em setembro de 2025.

Sua irmã Amy Richards é diretora política do gabinete de Starmer e também já foi conselheira especial da atual secretária de Estado para Assuntos Externos, da Commonwealth e do Desenvolvimento, Yvette Cooper.

Outro nome ligado ao PG e próximo do alto escalão britânico é Simon Alcock. Foi chefe de Assuntos Corporativos do PG de dezembro de 2021 a julho de 2025 e já atuou como chefe de políticas e conselheiro político sênior do atual secretário de Estado para Segurança Energética, Ed Milibrand.

Dos advogados citados pela reportagem, quem ocupa a posição de maior destaque é Lucy Rigby. É secretária de Assuntos Econômicos do Tesouro desde setembro do ano passado. Também eleita para o Parlamento em 2024, Rigby foi sócia do escritório de advocacia Hausfeld LLP, que ficou famoso pelo caso Merricks vs Mastercard.

A ação coletiva em nome de cerca de 46 milhões de clientes da Mastercard buscava obter uma cifra bilionária da empresa por cobrança de taxas inflacionadas. O resultado foi um acordo firmado em 2025 no valor de 200 milhões de libras (R$ 1,3 bilhão).

O Partido Trabalhista também tem em seus quadros advogados que já atuaram em um dos mais tradicionais escritórios especializados em justiça do trabalho no Reino Unido, o Thompson Solicitors. Ellie Reeves, adjunta do procurador-geral do Reino Unido, e Jo Stevens, secretária de Estado para o País de Gales, já trabalharam para o escritório de advocacia.

O UK Parliament escreve que essa presença de advogados especialistas em litígios de ações coletivas se dá no momento em que o governo britânico debate sua posição sobre o financiamento de litígios por terceiros, descrito como “o combustível financeiro que permite que essas ações coletivas massivas aconteçam”.

Em 2023, uma decisão da Suprema Corte do Reino Unido colocou em dúvida a legalidade de muitos contratos de financiamento de litígios. Em 2025, o governo de Starmer anunciou que trabalharia em mudanças legislativas para mitigar os efeitos da decisão. Rigby e Richards foram nomeados para o alto escalão do governo britânico em setembro de 2025.

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