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51% culpam Flávio pelo tarifaço dos EUA, diz Quaest

Pesquisa Quaest divulgada nesta 5ª feira (16.jul.2026) mostra que 51% dos brasileiros concordam mais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a responsabilidade de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo tarifaço dos Estados Unidos. Outros 30% apoiam a versão apresentada pelo senador e pré-candidato à Presidência.

A vantagem da versão de Lula aumentou em relação a junho. O percentual dos que concordam com o petista subiu de 47% para 51%, enquanto a parcela favorável ao argumento de Flávio caiu de 35% para 30%. Os dados foram divulgados pelo g1.

O levantamento também indica aumento da preocupação com os efeitos econômicos da medida. Segundo a Quaest, 63% acreditam que as tarifas vão prejudicar a própria vida ou a de familiares. Em junho, eram 55%.

Os Estados Unidos confirmaram na 4ª feira (15.jul) uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor em 22 de julho. Etanol, calçados, vestuário, máquinas agrícolas e produtos industrializados estão entre os itens atingidos. Café, carne bovina, petróleo e aeronaves civis ficaram de fora.

A pesquisa entrevistou 2.004 pessoas em 120 municípios de 10 a 13 de julho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O grau de confiança do levantamento é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026. O estudo custou R$ 433.255,92. Foi pago pelo Banco Genial.

RESPONSABILIDADE DE FLÁVIO

A Quaest fez a seguinte pergunta: “Lula acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido o tarifaço contra o Brasil. Flávio nega e diz que pediu a Trump para não taxar o país. Com quem você concorda mais?”. Eis como os entrevistados responderam:

  • Lula: 51% —eram 47% em junho;
  • Flávio Bolsonaro: 30% —eram 35%;
  • não sabe/não respondeu: 6% —eram 8%.

Flávio pediu aos Estados Unidos que suspendessem a aplicação das tarifas por 180 dias, prorrogáveis por mais 90, e abrissem uma negociação imediata com o Brasil. O senador também propôs que, caso a oposição vença a eleição presidencial, o governo eleito nomeie um negociador para dar continuidade às conversas. Em carta enviada anteriormente ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, Flávio havia pedido que o governo de Donald Trump (Partido Republicano) desistisse do tarifaço.

PIX E DECLARAÇÕES DE LULA

A pesquisa também apresentou aos entrevistados as versões de Lula e Flávio sobre o motivo das tarifas. A explicação do presidente teve a concordância de 49%, ante 33% do senador.

A Quaest fez a seguinte pergunta: “Para Lula, as novas tarifas são uma retaliação ao Pix. Para Flávio Bolsonaro, elas são resultado das declarações de Lula contra os EUA. Com quem você concorda mais?”. Eis como os entrevistados responderam:

  • Lula: 49% —eram 46% em junho;
  • Flávio Bolsonaro: 33% —eram 36%;
  • nenhum dos 2: 10% —mesmo percentual de junho;
  • não sabe/não respondeu: 8% —mesmo percentual de junho.

A investigação norte-americana citou o Pix, a regulação das plataformas digitais, propriedade intelectual, etanol, barreiras comerciais e desmatamento entre as práticas brasileiras questionadas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, responsabilizou Lula e afirmou que o governo brasileiro não negociou de boa-fé.

PODER DE CONVENCIMENTO

Apesar da viagem de Flávio aos Estados Unidos para uma audiência com o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), 57% disseram não saber que o senador havia ido ao país para tratar das tarifas. Entre os que conheciam a viagem, 58% avaliaram que ele não tem força para convencer o governo norte-americano a rever a medida.

A Quaest fez a seguinte pergunta: “Na sua opinião, Flávio Bolsonaro tem força para convencer Trump e o governo dos Estados Unidos a voltar atrás nas tarifas contra produtos brasileiros, ou não?”. Eis como os entrevistados responderam:

  • sim: 34%;
  • não: 58%;
  • não sabe/não respondeu: 8%.

IMPACTO NA VIDA

A parcela dos brasileiros que esperam efeitos negativos das tarifas subiu 8 pontos percentuais em 1 mês. Ao mesmo tempo, o percentual dos que não esperam prejuízos caiu de 37% para 31%.

A Quaest fez a seguinte pergunta: “Você acredita que essas novas tarifas impostas por Trump aos produtos brasileiros vão prejudicar sua vida ou de sua família?”. Eis como os entrevistados responderam:

  • sim: 63% —eram 55% em junho;
  • não: 31% —eram 37%;
  • não sabe/não respondeu: 6% —eram 8%.

O governo Lula classificou a tarifa adicional como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e recorrerá ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC (Organização Mundial do Comércio).

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