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<p>Nesta segunda-feira (26), às 23h, a <strong>TV Brasil</strong> reprisa episódio premiado do programa <em>Caminhos da Reportagem</em> que abordou a persistência do racismo em ambientes escolares, as consequências desse problema na trajetória dos estudantes e alternativas para superá-lo. </p>
<p>Há mais de duas décadas, uma lei (10.639/2003) tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira, nas escolas públicas e privadas de todo país. Só que aplicar o que a legislação determina ainda é desafiador. Uma pesquisa do Ministério da Educação mostrou que, entre 2019 e 2021, metade das escolas desenvolveu algum projeto sobre relações étnico-raciais. Quando se fala em educação continuada, o quadro é mais grave: 14,7% dos gestores escolares disseram ter materiais pedagógicos ou socioculturais para ensinar a disciplina. Para completar, havia apenas 0,92% dos professores com formação adequada sobre o tema.</p>
<p>E por que implementar a lei 10.639/2003 é tão difícil?</p>
<p>“Se você me perguntar como pesquisadora, eu digo: coordenação federativa. Em um país tão grande como o nosso, com desigualdades tão significativas, você precisa de uma coordenação forte do Ministério da Educação para colocar todas as redes na mesma página e ajudá-las a implementar a política”, responde a secretária de Educação Continuada, Diversidade e Inclusão do MEC, Zara Figueiredo.</p>
<p>“Nós ofertamos (em 2024) 215 mil vagas de formação de professores. Além disso, tem o material de apoio. Nós encaminhamos, para centenas de redes, o livro do professor e o livro do aluno (com conteúdo antirracista) para os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental”, complementa a secretária do MEC.</p>
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<p>Medidas importantes, na avaliação de especialistas ouvidos pela nossa equipe. Afinal, as marcas do racismo na escola não se apagam nunca.</p>
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<p>“Eu lembro de ter sido posta de castigo no fundo da sala – e eu fui a única colocada lá, embora a turma toda tivesse fazendo bagunça – e fiquei ali até urinar na roupa”, conta a professora Gina Vieira.</p>
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<p>“As piadas de cunho étnico-racial geralmente eram direcionadas a mim. Na época, eu não sabia nomear essas violências, mas sempre houve um desconforto”, revela a também professora Keila Vila Flor.</p>
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<p>“Eu estudei numa escola particular e nessa escola tinha as classes A e B. A classe B era a das crianças que não aprenderiam com tanta rapidez como as da classe A. E as crianças nessa classe B eram negras”, recorda outra professora, a Paula Janaína.</p>
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<h2>Caminhos</h2>
<p>Mesmo com essas dificuldades, há soluções. O <em>Caminhos da Reportagem</em> buscou exemplos no Distrito Federal e em Salvador. Na capital do país, o projeto Cresp@s &; Cachead@s tem como ponto de partida recuperar a autoestima dos estudantes negros. Já na capital da Bahia, nossa equipe conheceu a escola Maria Felipa.</p>
<p>“Existe na escola um projeto político-pedagógico de valorização dos diferentes marcos civilizatórios do nosso povo, então a gente leva para o currículo a cultura africana, a cultura indígena e a cultura europeia em grau de igualdade de paridade. O que isso significa? Significa que eu não vou levar a cultura europeia para escola na matemática, na filosofia, na história e vou levar a cultura africana apenas na capoeira e no samba. Então, é levar a cultura africana na história, na matemática, na ciência. E o mesmo é feito para a cultura indígena”, explica a idealizadora da escola, Bárbara Carine.</p>
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<p>Jeferson Tenório é um dos entrevistados no programa &#8211; <strong>TV Brasil/Divulgação</strong><!--END copyright=406681--></p>
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<p>Vencedor do Prêmio Jabuti com o livro <em>O avesso da pele</em> e alvo de censura em, pelo menos, quatro estados do país ao longo de 2024, o escritor Jeferson Tenório afirma que “a discussão do racismo dentro da escola é importante, porque é preciso ter uma responsabilidade ética: me preocupar com os problemas dos outros e não só com os meus. É colocar também o racismo numa dimensão em que o aluno perceba que não existe democracia enquanto houver racismo”.</p>
<p>O episódio As marcas do racismo na escola ficou em 3º lugar no 67º Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo. O programa fecha a série de reprises com episódios premiados do <em>Caminhos da Reportagem</em>. Na próxima segunda (2/2), a temporada de programas inéditos será retomada.</p>
<p><strong>Ficha técnica</strong></p>
<p>Reportagem: Iara Balduino</p>
<p>Produção: Carolina Oliveira e Patrícia Araújo Reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco, Rogerio Verçoza e Sigmar Gonçalves</p>
<p>Auxílio técnico: Alexandre Souza, Dailton Matos, Edivan Viana, Rafael Calado e Thiago Pinto</p>
<p>Edição de texto: Paulo Leite</p>
<p>Edição de imagem e finalização: André Eustáquio e Márcio Stuckert</p>
<p>Arte: Alex Sakata, Caroline Ramos e Wagner Maia</p>
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<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-01/tv-brasil-racismo-na-escola-e-tema-do-caminhos-da-reportagem">Fonte: Clique aqui</a></p>


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