Categories: Educação

Proibição de celular na escola é bem-vinda, mas não é suficiente

<p><&sol;p>&NewLine;<div>&NewLine;<p>A vida escolar de cerca de 47 milhões de estudantes do ensino fundamental e do ensino médio mudou radicalmente no ano letivo que acabou de iniciar&period; Conforme a Lei nº 15&period;100&sol;2025&comma; eles estão proibidos de usar &OpenCurlyDoubleQuote;aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante a aula&comma; o recreio ou intervalos entre as aulas&comma; para todas as etapas da educação básica”&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Para Danilo Cabral&comma; 16 anos&comma; estudante do 2º ano do ensino médio do Colégio Galois em Brasília&comma; a medida exige mudança de comportamento&period; Vai alterar&comma; por exemplo&comma; a comunicação com a mãe ou com o pai&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Às vezes&comma; no meio da manhã&comma; eu decido que vou almoçar na escola&comma; e fica um pouco mais difícil avisar aos meus pais&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Apesar do empecilho&comma; Danilo acha que &OpenCurlyDoubleQuote;é só uma questão de adaptação mesmo” e que vai ser &OpenCurlyDoubleQuote;muito benéfico”&comma; porque &OpenCurlyDoubleQuote;para prestar atenção nas aulas&comma; a gente não pode mexer no celular”&comma; admite cerca de dez dias depois da volta às aulas&period;<&sol;p>&NewLine;<div class&equals;"dnd-widget-wrapper context-grande&lowbar;6colunas type-image atom-align-left">&NewLine;<div class&equals;"dnd-atom-rendered"><&excl;-- scald&equals;414071&colon;grande&lowbar;6colunas &lbrace;"additionalClasses"&colon;""&rcub; --><&sol;p>&NewLine;<p> <&excl;-- END scald&equals;414071 --><&sol;div>&NewLine;<div class&equals;"dnd-caption-wrapper">&NewLine;<p><&excl;--copyright&equals;414071-->Brasília &lpar;DF&rpar; 14&sol;02&sol;2025 &&num;8211&semi; Proibição do uso de celulares nas escolas&period; A aluna do colégio Galois&comma; Joana Chiaretto&period; Foto&colon; Fabio Rodrigues-Pozzebom&sol;Agência Brasil &&num;8211&semi; <strong>Fabio Rodrigues-Pozzebom&sol;Agênci<&sol;strong><&excl;--END copyright&equals;414071--><&sol;p>&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<p>Joana Chiaretto&comma; da mesma turma que Danilo e também com 16 anos&comma; percebe &OpenCurlyDoubleQuote;mudanças muito positivas” no pátio da escola&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Antes&comma; a gente via todo mundo no próprio celular&period; Sem conversar&comma; nem nada&comma; os grupinhos separados&period; Agora a gente vê um grupão de meninas jogando carta&period; A gente vê as pessoas conversando mais&period; Aqui na escola todo mundo está trazendo jogos”&comma; conta com entusiasmo&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Para ela&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;as pessoas são muito viciadas no celular&period;” E&comma; entre os mais jovens&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;é muito difícil&period; Chega a dar aquela angústia&comma; de querer pegar o celular&comma; de ligar pra alguém ou mandar uma mensagem&period;”<&sol;p>&NewLine;<h2>Sem fotos do quadro <&sol;h2>&NewLine;<p>A visão crítica dos dois adolescentes sobre o uso de celular no colégio e os benefícios da proibição são compartilhados por seus professores&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Melhorou muito no quesito entrosamento dos alunos&period; Eles têm que conviver juntos de novo”&comma; ressalta Victor Maciel&comma; professor de biologia do ensino médio&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O professor observa que&comma; sem o celular&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;os alunos não tiram mais fotos do quadro” e&comma; mais atentos&comma; perguntam mais&comma; tiram dúvidas e aprendem mais&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Eles têm que estar mais focados agora&period; A aula fica mais interessante para eles&period; Porque sabem que não vão ter tanta facilidade depois para conseguir aquele conteúdo&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Patrícia Belezia&comma; coordenadora do ensino médio no Galois&comma; também apoia a decisão&period; Ela se recorda de que&comma; em ano anterior&comma; a escola flagrou alunos jogando no celular inclusive em plataforma de apostas&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;muitos viciados no jogo do tigrinho e em pôquer eletrônico&period; Eles faziam apostas entre eles&period;” Como o exemplo é uma forma de educar&comma; a coordenadora destaca que a restrição aos celulares na escola é para todos&period; Se estende aos funcionários e aos professores&period;<&sol;p>&NewLine;<div class&equals;"dnd-widget-wrapper context-grande&lowbar;6colunas type-image atom-align-left">&NewLine;<div class&equals;"dnd-atom-rendered"><&excl;-- scald&equals;414068&colon;grande&lowbar;6colunas &lbrace;"additionalClasses"&colon;""&rcub; --><&sol;p>&NewLine;<p> <&excl;-- END scald&equals;414068 --><&sol;div>&NewLine;<div class&equals;"dnd-caption-wrapper">&NewLine;<p> A diretora do colégio Galois&comma; Dulcinéia Marques&period; Foto&colon; Fabio Rodrigues-Pozzebom&sol;Agência Brasil<&excl;--END copyright&equals;414068--><&sol;p>&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<p>Dulcineia Marques&comma; sócia fundadora do colégio&comma; acha que &OpenCurlyDoubleQuote;ganhou um presentão” com a lei aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República&period; Para ela&comma; o aparelho celular pode ser um marcador de desigualdades sociais em função do modelo e do pacote de dados&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Ao seu ver&comma; essas distinções distorcem o espírito das escolas que exigem o uso de uniforme igual para todos&comma; que tem um propósito&period; &OpenCurlyDoubleQuote;É o jeito de educar esses meninos&period; É assim para igualar as crianças e adolescentes&period; Para não trazer para dentro da escola o poder aquisitivo que os diferenciam pelos tênis e marcas de roupa&period;”<&sol;p>&NewLine;<h2>Projeto pedagógico <&sol;h2>&NewLine;<p>A escola de Dulcineia Marques&comma; no Plano Piloto&comma; atende a 1&period;198 meninos e meninas das quatro séries finais do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio&period; A 32 quilômetros dali&comma; em Ceilândia&comma; no Centro Educacional n° 11&comma; o diretor Francisco Gadelha atende a 1&period;512 estudantes dessas séries e também homens e mulheres de 18 a 60 anos do ensino de jovens e adultos &lpar;EJA&rpar;&period; O diretor também faz elogios à proibição dos celulares&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;No começo&comma; eu era contrário à lei&comma; por entender que o celular é uma ferramenta tecnológica&period; Mas agora estou observando em poucos dias como está sendo benéfico inclusive no comportamento&period; A gente está tendo menos brigas&comma; menos situações de bullying&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Gadelha está aproveitando a entrada em vigor da Lei nº 15&period;100&sol;2025 para provocar a reflexão dos alunos e dos professores&period; Na preparação do ano letivo&comma; a escola adotou o livro &OpenCurlyDoubleQuote;A geração ansiosa&colon; como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais”&comma; do psicólogo social Jonathan Haidt&comma; como referência para a criação de um projeto pedagógico em andamento&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Segundo ele&comma; os três primeiros dias de aula no período diurno foram &OpenCurlyDoubleQuote;cansativos” porque teve de guardar na escola 15 celulares que os alunos trouxeram de casa&period; Os aparelhos foram devolvidos aos responsáveis pelos estudantes&period; Apesar da escola retirar o telefone dos alunos&comma; apenas um pai reclamou&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Em regra&comma; os pais estão gostando muito”&comma; avalia o diretor&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Além da direção da escola durante o dia&comma; Francisco Gadelha ainda leciona para adultos no período noturno&period; De acordo com ele&comma; a proibição do celular &OpenCurlyDoubleQuote;é mais difícil no EJA&comma; porque os adultos estão mais viciados do que as crianças&period;” Com eles&comma; a escola propõe um termo colaborativo para manter os aparelhos longe das salas de aula&period;”<&sol;p>&NewLine;<h2>Uso consciente <&sol;h2>&NewLine;<p>Para Luiz Fernando Dimarzio&comma; analista pedagógico da Ctrl&plus;Play&comma; uma escola de tecnologia para crianças e adolescentes em cidades do Estado de São Paulo&comma; a lei que proíbe celulares é &OpenCurlyDoubleQuote;polêmica”&comma; pois &OpenCurlyDoubleQuote;a questão do permitir ou proibir é acabar indo muito nos extremos&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Dimarzio opina que é preciso buscar &OpenCurlyDoubleQuote;como que a gente pode utilizar isso de forma saudável&comma; e ensinar o uso consciente da coisa&period; Eu fico pensando&comma; será que&comma; de repente&comma; definir momentos específicos para uso&quest; Para uma pesquisa&comma; tem inúmeros aplicativos educacionais&comma; né&quest; Será que&comma; de repente&comma; definir momentos específicos para o uso não seria mais interessante&quest;”&comma;<&sol;p>&NewLine;<p>Em suas indagações&comma; o analista pedagógico lembra que a lei faculta o uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula &OpenCurlyDoubleQuote;para fins estritamente pedagógicos ou didáticos&comma; conforme orientação dos profissionais de educação”&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Victor Freitas Vicente&comma; coordenador de educação do Instituto Felipe Neto&comma; avalia que havia um clamor no país pela adoção da lei contra os celulares nas escolas &OpenCurlyDoubleQuote;e que a proibição pode ser um passo importante no contexto de ambientes digitais cada vez mais tóxicos&period;”<&sol;p>&NewLine;<blockquote>&NewLine;<p>Ele&comma; no entanto&comma; pondera que &OpenCurlyDoubleQuote;a escola não é um jardim murado&period; Ela é um polo conectado com os desafios da sociedade” e&comma; nesse sentido&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;precisa preparar as novas gerações para os desafios que as tecnologias digitais estão colocando&comma; não só em relação ao comportamento&comma; mas em relação a uma nova ordem econômica&comma; a inteligência artificial&period;”<&sol;p>&NewLine;<&sol;blockquote>&NewLine;<p>O coordenador também defende os resultados da proibição do celular sejam avaliados em pesquisas sobre aprendizagem&comma; e que seja implantada a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas comunidades escolares&comma; que ainda não têm regulamentação definindo as regras práticas para adoção nos diferentes sistemas de educação brasileiros&period; Além disso&comma; ele é a favor de que o Congresso Nacional retome a elaboração da lei sobre funcionamento das redes sociais&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>Redes sociais <&sol;h2>&NewLine;<p>Thessa Guimarães&comma; presidenta do Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal &lpar;CRP-DF&rpar; considera &OpenCurlyDoubleQuote;fundamental tirar da gaveta projetos de lei que contribuam para a regulação das redes sociais&comma; compreendendo que hoje a nossa vida atravessa as redes sociais”&period; Ela ressalta que&comma; por causa das redes sociais&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;um dispositivo eletrônico é uma porta aberta a toda a produção humana que existe&comma; inclusive a produção de discursos de ódio&comma; a produção de difusão de métodos de auto-lesão e de suicídio&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Raquel Guzzo&comma; pesquisadora e professora titular de Psicologia na PUC de Campinas&comma; considera que as redes sociais&comma; acessadas principalmente por meio de celulares&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;têm um impacto significativo na autoestima e na percepção de si mesmos entre adolescentes&comma; que podem se sentir pressionados a corresponder a padrões irreais de comportamento e estética&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Ela lembra que as redes sociais &OpenCurlyDoubleQuote;são projetadas para maximizar o tempo que os usuários passam nelas&comma; utilizando algoritmos que promovem o engajamento contínuo&period;” No entanto&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;outros recursos do celular&comma; como jogos e aplicativos&comma; também podem contribuir para a dependência&comma; especialmente quando usados excessivamente&period;”<&sol;p>&NewLine;<p> <&sol;p>&NewLine;<div class&equals;"dnd-widget-wrapper context-cheio&lowbar;8colunas type-image">&NewLine;<div class&equals;"dnd-atom-rendered"><&excl;-- scald&equals;414097&colon;cheio&lowbar;8colunas --><&sol;p>&NewLine;<p> <&excl;-- END scald&equals;414097 --><&sol;div>&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<h2>Linguagem comprometida <&sol;h2>&NewLine;<p>A psicopedagoga Gabriela de Martin&comma; especialista em saúde mental pela UFRJ&comma; avalia que a linguagem utilizada pelos mais jovens e os recursos para a escrita nos celulares também são comprometedores da linguagem e podem gerar barreiras quando forem buscar trabalho&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Gabriela de Martin tem experiência com a colocação profissional de jovens aprendizes &lpar;14 a 18 anos&rpar; no mercado de trabalho&comma; mas enfrenta&comma; no entanto&comma; &OpenCurlyDoubleQuote;imensa dificuldade&comma; porque os meninos nessa faixa etária estão analfabetos&period;”<&sol;p>&NewLine;<blockquote>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Temos uma linguagem usada nos aplicativos de mensagem que não têm palavras por inteiro&comma; cheia de erros de pontuação&period; Muitas vezes é o próprio teclado que vai criando o texto&period; Eu já vi muita gente que chega com 16&comma; 17 anos sem capacidade de formular uma resposta”&comma; lamenta Gabriela&period;<&sol;p>&NewLine;<&sol;blockquote>&NewLine;<p>Totalmente favorável à proibição dos celulares nas escolas&comma; a presidenta do CRP-DF&comma; Thessa Guimarães&comma; alerta para os riscos de crise de abstinência pela ausência do celular&comma; com efeitos físicos e psíquicos&comma; que pode acontecer &OpenCurlyDoubleQuote;na ausência de qualquer droga&comma; lícita ou ilícita&comma; na ausência de um companheiro amado a partir de uma separação&comma; ou na ausência de um dispositivo que se tornou a centralidade da vida daquela criança e daquele adolescente&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Em caso de síndrome&comma; Thessa Guimarães recomenda apoio familiar e busca de profissional qualificado para atendimento psicológico e &OpenCurlyDoubleQuote;naturalmente&comma; a substituição progressiva da centralidade daquele dispositivo por mais comunhão familiar e participação em atividades paradidáticas&comma; extracurriculares&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;É preciso povoar a vida dessa criança e desse adolescente de novos interesses e de novas aberturas&comma; para que ela possa se recuperar do vício e explorar outras potencialidades&period;”<&sol;p>&NewLine;<p> <&excl;-- Relacionada --><&sol;p>&NewLine;<p> <&excl;-- Relacionada -->&NewLine; <&sol;div>&NewLine;<p><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;agenciabrasil&period;ebc&period;com&period;br&sol;educacao&sol;noticia&sol;2025-02&sol;proibicao-de-celular-na-escola-e-bem-vinda-mas-nao-e-suficiente">Fonte&colon; 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Redação

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