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<p>À medida que dezembro avança, corais e grupos de cantores voltam a ocupar ruas, shoppings, estações e espaços públicos, levando ao ambiente o clima festivo típico das celebrações de Natal. O que muitos não percebem é que, além de espalhar alegria, essas apresentações têm efeitos diretos na saúde de quem canta e de quem participa das atividades em grupo.</p>
<p>Pesquisadores que estudam os impactos do canto afirmam que vocalizar em conjunto ativa processos cognitivos, físicos, emocionais e sociais. De acordo com Alex Street, pesquisador do Instituto de Cambridge para Pesquisa de Musicoterapia, cantar envolve múltiplas áreas do cérebro e estimula redes relacionadas à linguagem, ao movimento e às emoções, o que contribui para a redução do estresse e o bem-estar imediato.</p>
<p>Estudos mostram que até pessoas que não se conhecem criam vínculos rápidos após cantar juntas por apenas uma hora. É uma resposta social instintiva, segundo psicólogos, que observam o surgimento espontâneo de senso de união e pertencimento, independente da experiência musical dos participantes.</p>
<h3>Canto que cura</h3>
<p>Do ponto de vista fisiológico, cantar funciona como exercício respiratório, melhora a oxigenação e pode estabilizar a frequência cardíaca e a pressão arterial. Programas terapêuticos utilizam a técnica com pacientes que enfrentam doenças pulmonares, dificuldades respiratórias e até sequelas persistentes da covid longa.</p>
<p>A ativação do nervo vago, diretamente conectado às cordas vocais, é um dos fatores apontados para explicar a liberação de endorfinas, responsáveis pela sensação de prazer e alívio da dor. Pesquisas ainda indicam que cantar em grupo pode fortalecer o sistema imunológico de forma mais eficaz do que simplesmente ouvir música.</p>
<p>Em alguns hospitais e centros clínicos, corais são formados por pacientes com Parkinson, demência, câncer e AVC, resultando em melhora de articulação, memória verbal e coordenação motora. Street destaca que o canto cria igualdade entre todos, pois cuidadores e profissionais de saúde se juntam aos pacientes, rompendo barreiras emocionais e sociais.</p>
<h3>Força para o cérebro</h3>
<p>O impacto do canto na neuroplasticidade também vem chamando atenção. A prática facilita a criação de novas conexões cerebrais, essencial para reabilitação após lesões. O caso da ex-deputada norte-americana Gabrielle Giffords, que reaprendeu a falar após ser baleada na cabeça com apoio da musicoterapia, é um dos exemplos mais conhecidos.</p>
<p>Pesquisas na Finlândia sugerem que o canto pode contribuir para desacelerar o declínio cognitivo em adultos mais velhos, embora estudos mais longos ainda sejam necessários para confirmar os efeitos de longo prazo.</p>
<h3>Nem só de festa vive o coro</h3>
<p>Embora seja altamente benéfico, cantar em grupo exige alguns cuidados. Durante a pandemia de covid-19, a prática foi associada a eventos de transmissão elevada, o que reforça a recomendação de que pessoas com infecções respiratórias evitem participar temporariamente.</p>
<p>Ainda assim, pesquisadores consideram o canto um “exercício completo”, comparável a caminhar em ritmo moderado. “Cantar é atividade física, cognitiva e social, tudo ao mesmo tempo”, explica Adam Lewis, pesquisador de fisioterapia respiratória.</p>
<p>Com benefícios que vão do humor à imunidade, passando pela sociabilidade e pela reabilitação neurológica, especialistas afirmam que o canto é parte essencial da história humana. E, nesta época do ano, pode ser também um convite adicional para que mais pessoas se permitam entrar no clima.</p>
<p>Num mundo cada vez mais digital, dizem os estudiosos, poucos gestos são tão simples e tão eficazes quanto cantar junto.</p>
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<p><a href="https://acessepolitica.com.br/noticia/168029/por-que-cantar-e-surpreendentemente-bom-para-a-saude">Fonte: Clique aqui</a></p>


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