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Plano Real deixa legado de juros altos e câmbio volátil

<p><&sol;p>&NewLine;<div>&NewLine;<p>O plano que trouxe estabilidade para a economia deixou um gosto de amargo para certos setores da economia&period; Remédios essenciais do Plano Real para derrubar a hiperinflação nos anos 1990&comma; os juros altos e a abertura do mercado financeiro dificultam a sobrevivência da indústria no país e tornam a economia mais vulnerável a volatilidades no câmbio&comma; segundo economistas ouvidos pela <strong>Agência Brasil<&sol;strong>&period;<img src&equals;"https&colon;&sol;&sol;agenciabrasil&period;ebc&period;com&period;br&sol;ebc&period;gif&quest;id&equals;1601880&amp&semi;o&equals;node" style&equals;"width&colon;1px&semi; height&colon;1px&semi; display&colon;inline&semi;"&sol;><&sol;p>&NewLine;<p>Nos últimos meses&comma; a Taxa Selic&comma; juros básicos da economia&comma; tem estado no centro da discussão política&comma; após o Banco Central &lpar;BC&rpar; interromper o ciclo de queda dos juros&comma; mantidos em 10&comma;5&percnt; ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária &lpar;Copom&rpar;&period; O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado fortemente o presidente do BC&comma; Roberto Campos Neto&comma; levando à volatilidade cambial&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Os debates acalorados sobre os juros e o câmbio são mais estruturais do que aparentam&period; Desde a criação do real&comma; que completa 30 anos nesta segunda-feira &lpar;1º&rpar;&comma; os juros altos foram usados como instrumento para segurar o consumo&period; Outro instrumento foi o câmbio sobrevalorizado que tinha como objetivo estimular a entrada de produtos importados para impedir a explosão de preços dos produtos nacionais&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;O Plano Real teve duas âncoras&comma; que são o câmbio e os juros&period; A taxa de câmbio se valorizou&comma; com o real valendo mais que o dólar nos primeiros meses do plano&comma; porque os juros foram para o espaço&period; Com isso&comma; entraram importados para competir com os preços locais&comma; então os preços foram jogados para baixo pela competição também&period; Mas isso começou a criar problemas de déficit na balança comercial”&comma; explica a professora de economia da Fundação Getulio Vargas &lpar;FGV&rpar; Virene Matesco&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Economista-chefe da Way Investimentos e professor de economia do Ibmec&comma; Alexandre Espírito Santo explica que os juros altos foram essenciais para atrair capital financeiro ao Brasil no início do plano econômico&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Um dos medos que se tinha era que a moeda antiga&comma; que era hiperinflacionada&comma; contaminasse a moeda que estava nascendo&period; Para isolar esse contágio&comma; &lbrack;a solução&rsqb; foi usar o mecanismo da âncora cambial&period; Ao mesmo tempo&comma; ter juro alto era importante&comma; inclusive para atrair dinheiro estrangeiro e ajudar a manter o dólar baixo”&comma; recorda&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>Estouro da âncora<&sol;h2>&NewLine;<p>Inicialmente prevista para ser temporária&comma; a âncora cambial ficou por quase cinco anos&period; De modelo de câmbio fixo&comma; o país migrou para um sistema de bandas cambiais&comma; cujo limite superior subia assim que o dólar atingia o valor máximo da banda&period; Com poucas reservas internacionais e vítima de ataques especulativos após as crises da Ásia&comma; em 1997&comma; e da Rússia&comma; em 1998&comma; o país liberou o câmbio em janeiro de 1999&comma; criando um sistema de &OpenCurlyDoubleQuote;flutuação suja”&comma; em que o dólar flutua livremente a maior parte do tempo&comma; e o governo intervém em momentos de maior volatilidade&period;<&sol;p>&NewLine;<p>A âncora cambial foi substituída pelo sistema de metas de inflação&comma; em vigor até hoje e alterado para um modelo de meta contínua a partir de 2025&period; O dólar saiu de cerca de R&dollar; 1&comma;20 no início de 1999 para cerca de R&dollar; 5&comma;50 atualmente&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Em contrapartida&comma; a dívida pública externa&comma; pilar de crises econômicas no século 20&comma; foi quitada&comma; com o país virando credor externo desde 2006&period; Isso porque as reservas internacionais dispararam em 25 anos&comma; chegando a US&dollar; 355&comma;6 bilhões no fim de maio deste ano&comma; impulsionada em boa parte pelos superávits comerciais decorrentes do agronegócio&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>Complicações para a indústria<&sol;h2>&NewLine;<p>Apesar da mudança de regime cambial&comma; o Plano Real deixou heranças ainda observadas na economia brasileira&period; Os juros altos continuam centrais para manter os preços dentro dos limites da meta de inflação&comma; sendo criticados por economistas heterodoxos&comma; pelo setor produtivo&comma; pelas centrais sindicais e por correntes políticas como inibidor do crescimento econômico&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O economista Leandro Horie&comma; do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos &lpar;Dieese&rpar;&comma; diz que os juros altos e a dependência do mercado financeiro incentivam o agronegócio e desindustrializa o país&period; Segundo ele&comma; a âncora cambial não desapareceu completamente&comma; já que&comma; em diversos momentos nos últimos 30 anos&comma; o câmbio ficou mais valorizado que a taxa de equilíbrio&comma; que não compromete o produtor nacional nem favorece as importações&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;O Plano Real foi baseado em uma sobrevalorização cambial e taxas de juros altas&period; Isso causou muito problema para a indústria&period; Porque os juros encareceram o investimento da indústria nacional e baratearam a importação&period; De fato&comma; a indústria começou a fraquejar no fim da década de 1980&comma; mas despencou na década seguinte&period; Paralelamente&comma; a globalização aumentou a dependência de insumos importados&comma; o que na prática torna o câmbio uma variável importante&comma; mesmo com a âncora formalmente não existindo&period;”<&sol;p>&NewLine;<p>Horie&comma; no entanto&comma; reconhece que&comma; desde a pandemia&comma; o real está desvalorizado&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Essa alta do dólar deve-se mais a fatores geopolíticos e aos juros altos nos Estados Unidos e em outras economias avançadas”&comma; explica&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Mas os governos&comma; sempre que podem&comma; atuaram para baixar o dólar por meio da flutuação suja&period;”<&sol;p>&NewLine;<h2>Reformas<&sol;h2>&NewLine;<p>Se os economistas heterodoxos atribuem os juros altos à abertura do mercado financeiro&comma; os economistas ortodoxos atribuem as taxas elevadas à falta de reformas que liberalizem a economia&period; Um dos criadores do Plano Real&comma; Edmar Bacha diz que os juros altos são consequências de desequilíbrios históricos do país&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;A taxa de juros sempre foi alta no Brasil&comma; mas a inflação era tão alta que as pessoas nem notavam&period; A taxa de juros era muito alta porque o Brasil era um país caloteiro&period; Estamos&comma; ao longo desses anos&comma; tentando evitar esse problema&period; Mas para isso é preciso ter contas do governo sob controle&period; Nós tínhamos essas contas sob controle&comma; mas elas saíram de controle durante a pandemia&period; E agora está muito difícil o atual governo controlá-las novamente”&comma; argumenta&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Virene Matesco&comma; da FGV&comma; diz que qualquer governo&comma; não apenas o atual&comma; deve comprometer-se com o superávit primário &lpar;economia de recursos para pagar os juros da dívida pública&rpar; para manter o legado do Plano Real&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Qualquer superávit&comma; nem que seja zero e pouquinho por cento do PIB &lbrack;Produto Interno Bruto&rsqb;&comma; ajuda a passar uma mensagem correta”&comma; diz&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Alexandre Espírito Santo&comma; do Ibmec&comma; defende a continuidade de reformas constitucionais&period; &OpenCurlyDoubleQuote;Ainda temos várias reformas importantes para fazer&comma; como a administrativa&comma; que reduza os privilégios de parte do serviço público”&comma; declara&period; Ele também cita a regulamentação da primeira fase da reforma tributária&comma; que trata dos tributos sobre o consumo&comma; e da segunda fase&comma; que tratará do Imposto de Renda&comma; como medidas necessárias para reduzir os juros no médio e no longo prazo&period;<&sol;p>&NewLine;<p><em>&ast;Colaborou Vanessa Casalino&comma; da <strong>TV Brasil<&sol;strong><&sol;em><&sol;p>&NewLine;<&sol;p><&sol;div>&NewLine;<p><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;agenciabrasil&period;ebc&period;com&period;br&sol;economia&sol;noticia&sol;2024-06&sol;plano-real-deixa-legado-de-juros-altos-e-cambio-volatil">Fonte&colon; Clique aqui<&sol;a><&sol;p>&NewLine;&NewLine;

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