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<p>Enquanto o público dança forró, acompanha shows e celebra uma das maiores manifestações culturais do Nordeste, milhares de trabalhadores atuam nos bastidores para garantir que a festa aconteça. <strong>São montadores de palco, técnicos de som e iluminação, seguranças, cozinheiros, ambulantes, carregadores e equipes de limpeza que enfrentam jornadas intensas para fazer o São João acontecer.</strong></p>
<p>Na Bahia, onde os festejos juninos movimentam cidades inteiras e impulsionam a economia do interior, os números impressionam. De acordo com a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (<a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.ba.gov.br/turismo/" target="_blank" rel="noopener">Setur-BA</a>), o São João 2025 registrou recorde histórico, com mais de 1,8 milhão de visitantes e uma movimentação econômica estimada em R$ 2,3 bilhões. O resultado superou os números de 2024 e consolidou os festejos juninos como um dos principais motores do turismo e da economia baiana.</p>
<p>Por trás dessa engrenagem econômica e cultural, entretanto, existe uma força de trabalho que nem sempre aparece nas fotos oficiais. Muitos profissionais atuam sob contratos temporários, terceirizados ou em situação de informalidade, frequentemente expostos a jornadas prolongadas, pressão por resultados, calor intenso e riscos à saúde física e mental.</p>
<p>O cenário ganha ainda mais relevância diante da atualização da <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.trt4.jus.br/portais/trt4/modulos/noticias/50974782" target="_blank" rel="noopener">Norma Regulamentadora nº 1</a> (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, que passou a reforçar a necessidade de identificação e gestão dos chamados riscos psicossociais nos ambientes de trabalho. Especialistas ouvidos pelo Portal ComSaúde Bahia alertam que fatores como estresse, fadiga, insegurança profissional e excesso de trabalho podem comprometer tanto a saúde dos trabalhadores quanto a segurança dos eventos.</p>
<p>Afinal, por trás de cada palco montado, de cada estrutura erguida e de cada arraial lotado, existem pessoas que também precisam ser protegidas, valorizadas e cuidadas.</p>
<h4><strong>O que são riscos psicossociais no trabalho?</strong></h4>
<p>Os riscos psicossociais são fatores relacionados à forma como o trabalho é organizado e executado. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), esses fatores podem afetar a saúde mental, emocional e física dos trabalhadores.</p>
<h4><strong>Entre os principais riscos estão:</strong></h4>
<p>• Excesso de jornada;<br />• Sobrecarga de trabalho;<br />• Pressão excessiva por resultados;<br />• Insegurança profissional;<br />• Assédio moral;<br />• Falta de apoio da liderança;<br />• Ambientes de trabalho desorganizados.</p>
<p>Quando não são identificados e controlados, esses fatores podem contribuir para ansiedade, estresse crônico, síndrome de burnout, afastamentos e acidentes de trabalho.</p>
<figure id="attachment_11034" aria-describedby="caption-attachment-11034" style="width: 418px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-11034" class="wp-caption-text">IA/ChatGPT</figcaption></figure>
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<h4><strong>São João exige atenção à saúde física e mental dos trabalhadores</strong></h4>
<p>Durante o mês de junho, milhares de profissionais atuam na montagem de palcos, estruturas metálicas, sistemas elétricos, iluminação, sonorização, segurança, alimentação e logística.</p>
<p>Segundo a <strong>médica do trabalho e especialista em Saúde e Bem-estar, Ana Paula Teixeira</strong>, o acúmulo de tarefas e a pressão por cumprir prazos podem aumentar significativamente os riscos de acidentes.</p>
<blockquote>
<p>“<strong>O estresse excessivo e o cansaço reduzem a capacidade de atenção e aumentam a probabilidade de erros. Em atividades que envolvem montagem de estruturas, eletricidade ou trabalho em altura, isso pode resultar em acidentes graves”</strong>, explica a médica.</p>
</blockquote>
<p>A especialista ressalta que a prevenção deve incluir também os aspectos emocionais e organizacionais do ambiente de trabalho.</p>
<blockquote>
<p>“<strong>Os impactos do estresse e da sobrecarga atingem todos os trabalhadores. A promoção de ambientes seguros passa também pelo cuidado com aspectos emocionais, organizacionais e relacionais do trabalho</strong>“, afirma Ana Paula Teixeira.</p>
</blockquote>
<p>Entre as medidas recomendadas estão planejamento adequado das escalas, pausas para descanso, hidratação, definição de metas realistas e capacitação de lideranças para identificar sinais de esgotamento físico e mental.</p>
<p>Para a médica, a valorização dos profissionais é parte fundamental do sucesso dos festejos.</p>
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<p>“<strong>As festas juninas representam tradição, cultura e desenvolvimento econômico. Mas é fundamental que esse cenário também seja marcado pelo respeito à saúde, à segurança e à dignidade dos trabalhadores que tornam esses eventos possíveis</strong>“, conclui.</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_11035" aria-describedby="caption-attachment-11035" style="width: 365px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-11035" class="wp-caption-text">Foto: Aquitê Moreno/Técnico de som</figcaption></figure>
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<h4><strong>Informalidade ainda é desafio nos bastidores dos eventos</strong></h4>
<p>A informalidade continua sendo uma das principais preocupações do setor de eventos e cultura.</p>
<p>Segundo o <strong>presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Eventos da Bahia (<a rel="nofollow" target="_blank" href="https://sindieventosbahia.com.br/" target="_blank" rel="noopener">SindiEventos-BA</a>), Adriano Malvar</strong>, muitos profissionais ainda atuam sem garantias básicas de proteção social.</p>
<blockquote>
<p>“<strong>Infelizmente, a informalidade ainda impera em grande parte das atividades ligadas aos eventos e à cultura na Bahia, muitas vezes sem o mínimo cuidado com a saúde, a segurança e os direitos desses profissionais</strong>“, afirma Malvar.</p>
</blockquote>
<p>Para Malvar, períodos de intensa movimentação econômica, como o São João, evidenciam a necessidade de ampliar a fiscalização e fortalecer a organização dos trabalhadores.</p>
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<p>“<strong>Por trás de cada palco montado, de cada estrutura erguida e de cada evento realizado, existem trabalhadores que precisam ser respeitados e protegidos. Sem organização coletiva e sem estrutura de luta, a precarização avança. Juntos, somos mais fortes. Unidos em nossa entidade de classe, transcendemos o individual e construímos um futuro de mais conquistas, valorização e dignidade para todos os trabalhadores do setor</strong>“, destaca.</p>
</blockquote>
<h4><strong>Trabalhadores temporários e terceirizados também têm direito à proteção</strong></h4>
<p>A <strong>advogada Fabiane Azevedo, especialista em Direito à Saúde,</strong> explica que a proteção à saúde e à segurança não depende do tipo de contrato firmado.</p>
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<p>“<strong>Sim, e essa talvez seja a maior confusão que se vê na prática. A proteção à saúde do trabalhador não acompanha o tipo de contrato, ela acompanha o ambiente de trabalho. Quem organiza e controla aquele ambiente é quem responde pelos riscos ali existentes, independentemente de o trabalhador ser CLT, temporário, terceirizado ou contratado informalmente</strong>.”</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_11037" aria-describedby="caption-attachment-11037" style="width: 369px" class="wp-caption alignnone"><figcaption id="caption-attachment-11037" class="wp-caption-text">Foto: Joa Souza/GOVBA</figcaption></figure>
<p>Segundo a especialista, a <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6019.htm" target="_blank" rel="noopener">Lei nº 6.019/1974</a> determina que trabalhadores temporários e terceirizados tenham acesso às mesmas condições de segurança, higiene e saúde oferecidas aos demais profissionais que atuam naquele ambiente.</p>
<p>Ela também alerta para os riscos jurídicos da informalidade.</p>
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<p>“<strong>Na prática, contratar de forma informal não afasta a responsabilidade: apenas a torna mais cara e imprevisível quando o problema aparece.”</strong></p>
</blockquote>
<h4><strong>Acidentes, burnout e passivos trabalhistas</strong></h4>
<p>Fabiane Azevedo explica que situações relacionadas à fadiga, excesso de jornada e adoecimento mental podem gerar consequências previdenciárias, trabalhistas, civis e administrativas.</p>
<p><strong>Entre elas estão:</strong></p>
<p>• Emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT);<br />• Benefícios previdenciários;<br />• Estabilidade provisória do trabalhador;<br />• Indenizações por danos morais e materiais;<br />• Ações judiciais;<br />• Fiscalizações e multas;<br />• Atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT).</p>
<p><strong>Como denunciar irregularidades?</strong></p>
<p>O advogado<strong> Paulo Aguiar, especialista em Direito da Música e do Entretenimento</strong>, orienta que os trabalhadores documentem situações de sobrecarga, jornadas abusivas ou condições inadequadas de trabalho.</p>
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<p>“<strong>Os trabalhadores podem registrar e denunciar situações de sobrecarga, jornadas abusivas ou condições inadequadas de trabalho durante os festejos por meio da coleta de provas, como fotografias, vídeos, mensagens, escalas de trabalho, contratos e testemunhos de colegas”, explica Dr. Paulo.</strong></p>
</blockquote>
<p>Ele recomenda que sejam registrados horários efetivamente trabalhados, períodos de descanso concedidos e situações que possam representar riscos à saúde e à segurança.</p>
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<p>“<strong>É importante que sejam anotados os horários efetivamente trabalhados, períodos de descanso concedidos e eventuais ocorrências de riscos à saúde e segurança</strong>.”</p>
</blockquote>
<p>Segundo o especialista, as denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT), à Superintendência Regional do Trabalho, aos sindicatos da categoria ou à Justiça do Trabalho.</p>
<p>“<strong>A formalização dessas denúncias é fundamental para a fiscalização das condições de trabalho e para a garantia dos direitos dos profissionais que atuam nos bastidores e na realização dos eventos.</strong>”</p>
<h4><strong>Quem faz a festa acontecer também precisa ser cuidado</strong></h4>
<p>As festas juninas representam tradição, cultura, identidade e desenvolvimento econômico. Entretanto, especialistas alertam que o sucesso dos festejos também depende de ambientes de trabalho seguros, saudáveis e respeitosos.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Garantir proteção física, saúde mental e condições dignas de trabalho para quem atua nos bastidores não são apenas uma obrigação legal. É também uma forma de reconhecer o papel fundamental desses profissionais na realização de uma das maiores celebrações popular do Brasil.</strong></p>
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<p><a href="https://comsaudebahia.com.br/os-desafios-de-saude-seguranca-e-dignidade-nos-bastidores-do-sao-joao/">Fonte: Clique aqui</a></p>


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