Categories: Política

O que diz o direito internacional sobre o bloqueio do estreito de Ormuz

&NewLine;<&excl;-- WP QUADS Content Ad Plugin v&period; 3&period;0&period;2 -->&NewLine;<div class&equals;"quads-location quads-ad1" id&equals;"quads-ad1" style&equals;"float&colon;none&semi;margin&colon;0px&semi;">&NewLine;&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<p><&sol;p>&NewLine;<p>Convenções marítimas e precedentes internacionais impõem restrições ao fechamento da rota estratégica do comércio global de petróleo<&sol;p>&NewLine;<div>&NewLine;<p>Por <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;theconversation&period;com&sol;profiles&sol;nitish-monebhurrun-2282838" rel&equals;"author"><span class&equals;"fn author-name">Nitish Monebhurrun<&sol;span><&sol;a><&sol;p>&NewLine;<p>O Estreito de Ormuz ocupa uma posição geopolítica central&period; Por ele transita uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo&comma; combustíveis e fertilizantes&period; Logo&comma; qualquer ameaça à navegação tem repercussões imediatas em escala global&comma; como o mundo inteiro vem acompanhando&period; Por isso&comma; o direito internacional estabelece limites claros quanto ao que pode ou não ser feito nesse tipo de espaço marítimo&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>REGIME JURÍDICO DOS ESTREITOS INTERNACIONAIS<&sol;h2>&NewLine;<p>O regime jurídico aplicável ao mar e&comma; por extensão&comma; à navegação nos estreitos&comma; encontra-se codificado na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar&comma; também conhecida como <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www2&period;camara&period;leg&period;br&sol;legin&sol;fed&sol;decret&sol;1990&sol;decreto-99165-12-marco-1990-328535-publicacaooriginal-1-pe&period;html">Convenção de Montego Bay<&sol;a>&period; Nos termos do <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www2&period;camara&period;leg&period;br&sol;legin&sol;fed&sol;decret&sol;1990&sol;decreto-99165-12-marco-1990-328535-publicacaooriginal-1-pe&period;html">artigo 37<&sol;a>&comma; esse regime aplica-se <em>&OpenCurlyDoubleQuote;a estreitos utilizados para a navegação internacional entre uma parte do alto mar ou uma zona econômica exclusiva e uma outra parte do alto mar ou uma zona econômica exclusiva”<&sol;em>&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O Estreito de Ormuz enquadra-se nessa categoria&comma; na medida em que conecta áreas de alto-mar ou zonas econômicas exclusivas&comma; ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã&period; Essa qualificação acarreta a aplicação de um regime jurídico específico&comma; denominado passagem em trânsito&comma; previsto no <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www2&period;camara&period;leg&period;br&sol;legin&sol;fed&sol;decret&sol;1990&sol;decreto-99165-12-marco-1990-328535-publicacaooriginal-1-pe&period;html">artigo 38<&sol;a>&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Esse regime garante a todos os navios e aeronaves o direito de atravessar o estreito de maneira contínua e rápida&comma; sem necessidade de autorização prévia&comma; abrangendo tanto embarcações civis quanto militares&period; A referência a <em>&OpenCurlyDoubleQuote;todos os navios e aeronaves”<&sol;em>&comma; à luz da estrutura da Convenção&comma; abrange tanto embarcações civis quanto navios militares&period; Os países costeiros da região não podem impedir ou suspender a passagem em trânsito&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www2&period;camara&period;leg&period;br&sol;legin&sol;fed&sol;decret&sol;1990&sol;decreto-99165-12-marco-1990-328535-publicacaooriginal-1-pe&period;html">artigo 44<&sol;a> da Convenção de Montego Bay dispõe nesse sentido que esses países <em>&OpenCurlyDoubleQuote;não impedirão a passagem em trânsito e darão a devida publicidade a qualquer perigo de que tenham conhecimento e que ameace a navegação no estreito ou o sobrevôo do mesmo&period; &lbrack;E que&comma; além disso&rsqb;&comma; não haverá nenhuma suspensão da passagem em trânsito”<&sol;em>&period; A referência à <em>&OpenCurlyDoubleQuote;nenhuma suspensão”<&sol;em> pode ser interpretada como a consagração de uma obrigação cuja aplicabilidade se estende inclusive a situações de conflito ou de tensão internacional&period; Ora&comma; o caráter robusto da passagem em trânsito não elimina a existência de deveres para os navios&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>CONTEÚDO NORMATIVO DA PASSAGEM EM TRÂNSITO<&sol;h2>&NewLine;<p>O <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www2&period;camara&period;leg&period;br&sol;legin&sol;fed&sol;decret&sol;1990&sol;decreto-99165-12-marco-1990-328535-publicacaooriginal-1-pe&period;html">artigo 39<&sol;a> da mesma convenção estabelece que os navios devem abster-se de atividades que não estejam diretamente relacionadas ao trânsito&period; Isso compreende&comma; em particular&comma; a proibição do uso ou da ameaça de força&comma; o dever de respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados ribeirinhos&comma; bem como a vedação de atos de poluição&period; Entre as obrigações dos Estados costeiros e aquelas dos navios&comma; forma-se assim um equilíbrio característico do direito do mar contemporâneo&colon; o acesso ao estreito é amplamente garantido&comma; mas o seu uso deve permanecer estritamente vinculado à finalidade de circulação&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>A NÃO RATIFICAÇÃO DA UNCLOS PELO IRÃ<&sol;h2>&NewLine;<p>Uma problemática jurídica central reside no fato de <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www&period;ejiltalk&period;org&sol;the-legality-of-irans-closure-of-the-strait-of-hormuz&sol;&num;&colon;&percnt;7E&colon;text&equals;Notably&percnt;2C&percnt;20Iran&percnt;20claims&percnt;20that&percnt;20the&comma;the&percnt;20right&percnt;20of&percnt;20transit&percnt;20passage&period;">o Irã não ter ratificado<&sol;a> a Convenção de Montego Bay&period; À primeira vista&comma; isso poderia sugerir que o país não estaria juridicamente vinculado às regras acima mencionadas&period; No entanto&comma; essa conclusão não se sustenta diante da estrutura do direito internacional contemporâneo&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Diversas disposições da Convenção&comma; especialmente aquelas relativas aos estreitos&comma; são hoje consideradas como expressão do direito internacional consuetudinário&period; Isso significa que sua obrigatoriedade não decorre apenas do consentimento formal por meio de tratados&comma; mas de uma prática habitual generalizada dos Estados&comma; acompanhada da convicção de sua obrigatoriedade jurídica&period; Portanto&comma; o Irã tem a obrigação de respeitar o regime jurídico que rege os estreitos&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>A &OpenCurlyDoubleQuote;NATUREZA CONSUETUDINÁRIA” DO REGIME DOS ESTREITOS<&sol;h2>&NewLine;<p>Em 1949&comma; a própria Corte Internacional de Justiça&comma; no caso do canal de Corfu&comma; já havia reconhecido a existência de um direito de passagem em estreitos internacionais antes mesmo da adoção da Convenção de Montego Bay&comma; reforçando a natureza consuetudinária&comma; isto é&comma; habitual desse regime&period; Um costume internacional pode ser contestado na prática&period; Nesse caso&comma; o Estado contestador é chamado de objetor persistente&period;<&sol;p>&NewLine;<p>A possibilidade de o Irã invocar a condição de objetor persistente para se eximir dessas regras encontra sérias dificuldades&period; Para que tal argumento fosse aceito&comma; seria necessário demonstrar uma oposição clara&comma; consistente e contínua desde a formação da norma consuetudinária&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Não há evidências de que o Irã tenha mantido uma posição dessa natureza ao longo do tempo&comma; nem que tenha conseguido impedir a consolidação de uma prática amplamente aceita pela comunidade internacional&period; Ao contrário&comma; o uso reiterado do estreito por navios de diversas bandeiras e a ausência de uma contestação iraniana sistemática e eficaz enfraquecem significativamente essa tese&period;<&sol;p>&NewLine;<p>É verdade&comma; contudo&comma; que&comma; no caso do Canal de Corfu&comma; a Corte Internacional de Justiça reconheceu o caráter habitual do direito de passagem&comma; especificando sua aplicabilidade em tempo de paz&period; Num contexto de guerra&comma; surge a questão de saber se um eventual bloqueio do estreito poderia ser justificado com base no direito de legítima defesa&period;<&sol;p>&NewLine;<h2>LIMITES DA LEGÍTIMA DEFESA NO BLOQUEIO DE ESTREITOS<&sol;h2>&NewLine;<p>O artigo 51 da <a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;brasil&period;un&period;org&sol;sites&sol;default&sol;files&sol;2022-05&sol;Carta-ONU&period;pdf">Carta das Nações Unidas<&sol;a> reconhece que os Estados podem reagir a um ataque armado&comma; desde que respeitados os requisitos de necessidade e proporcionalidade&period; O ataque armado contra o Irã ocorreu&period;<&sol;p>&NewLine;<p>No entanto&comma; a aplicação desses critérios a um caso como o do Estreito de Ormuz revela importantes limitações&period; Um bloqueio generalizado afeta não apenas o Estado adversário&comma; mas a totalidade dos usuários do estreito&comma; incluindo Estados terceiros que não participam do conflito&period; Isso suscita dúvidas sérias quanto ao cumprimento do requisito da necessidade&comma; na medida em que medidas menos abrangentes&comma; voltadas exclusivamente aos beligerantes&comma; poderiam&comma; em princípio&comma; ser adotadas para responder a um ataque específico&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Além disso&comma; a proporcionalidade de uma medida com impacto global tão significativo seria difícil de sustentar&period; O fechamento do estreito implica consequências econômicas e estratégicas que ultrapassam amplamente o objetivo de repelir uma agressão imediata&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Soma-se a isso o fato de que tal medida entraria em tensão direta com a proibição&comma; consagrada no artigo 44 da Convenção&comma; de impedir a passagem em trânsito&period; Não por acaso&comma; o bloqueio do Estreito de Ormuz já foi equiparado aos efeitos de uma bomba nuclear econômica&period;<&sol;p>&NewLine;<hr&sol;>&NewLine;<section class&equals;"content-authors">&NewLine;<div class&equals;"content-authors-group">&NewLine;<p class&equals;"role"><a rel&equals;"nofollow" target&equals;"&lowbar;blank" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;theconversation&period;com&sol;profiles&sol;nitish-monebhurrun-2282838" rel&equals;"author"><span class&equals;"fn author-name">Nitish Monebhurrun<&sol;span><&sol;a> é professor de Direito no Centro Universitário de Brasília&period;<&sol;p>&NewLine;<hr&sol;>&NewLine;<p><em data-entity-type&equals;"MessageEntityItalic">Este texto foi originalmente publicado pelo The Conversation&comma; em 13 de abril de 2026&period; O conteúdo é livre para republicação&comma; citada a fonte&comma; e foi adaptado para o padrão do Poder360&period;<&sol;em><&sol;p>&NewLine;<&sol;div>&NewLine;<&sol;section><&sol;div>&NewLine;<p><script>&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;window&period;fbAsyncInit &equals; function &lpar;&rpar; &lbrace;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;FB&period;init&lpar;&lbrace;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;appId&colon; '176130429467305'&comma;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;xfbml&colon; true&comma;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;version&colon; 'v2&period;7'&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;&rcub;&rpar;&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;window&period;api&lowbar;started &equals; true&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&rcub;&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&lpar;function &lpar;d&comma; s&comma; id&rpar; &lbrace;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;var js&comma; &fjlig;s &equals; d&period;getElementsByTagName&lpar;s&rpar;&lbrack;0&rsqb;&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;if &lpar;d&period;getElementById&lpar;id&rpar;&rpar; &lbrace;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;return&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;&rcub;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;js &equals; d&period;createElement&lpar;s&rpar;&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;js&period;id &equals; id&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;js&period;src &equals; "https&colon;&sol;&sol;connect&period;facebook&period;net&sol;pt&lowbar;BR&sol;sdk&period;js"&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&Tab;&fjlig;s&period;parentNode&period;insertBefore&lpar;js&comma; &fjlig;s&rpar;&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;&Tab;&rcub;&lpar;document&comma; 'script'&comma; 'facebook-jssdk'&rpar;&rpar;&semi;&NewLine;&Tab;&Tab;<&sol;script><&sol;p>&NewLine;<p><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;www&period;poder360&period;com&period;br&sol;poder-internacional&sol;o-que-diz-o-direito-internacional-sobre-o-bloqueio-do-estreito-de-ormuz&sol;">Fonte&colon; Clique aqui<&sol;a><&sol;p>&NewLine;&NewLine;

Redação

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