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<p>A avaliação da promotoria, que se manifestou sobre o caso nesta quinta-feira, 15, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul (região metropolitana de Curitiba), diverge do posicionamento da Polícia Civil paranaense, que arquivou o caso</p>
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<div class="post_image"><span class="image_fonte">Divulgação / Redes Sociais</span><picture><source media="(max-width: 799px)" srcset="https://jpimg.com.br/uploads/2026/01/design-sem-nome-5-345x207.png"><source media="(min-width: 800px)" srcset="https://jpimg.com.br/uploads/2026/01/design-sem-nome-5-750x450.png"></source></source></picture><span class="image_credits">Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, é encontrado vivo após desaparecer na região do Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil<br /></span></div>
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<p>O Ministério Público do Paraná entendeu que houve omissão de socorro por parte da jovem Thayane Smith, 19 anos, ao se separar de Roberto Farias Tomaz, 19, durante a trilha que a dupla fez no Pico Paraná na virada do ano.</p>
<p>A avaliação da promotoria, que se manifestou sobre o caso nesta quinta-feira, 15, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul (região metropolitana de Curitiba), diverge do posicionamento da Polícia Civil paranaense, que arquivou o caso.</p>
<p>Thayane e Roberto resolveram assistir ao nascer do sol no dia 1° de janeiro no topo da montanha. Na volta, porém, o jovem alega ter sido abandonado pela amiga, que voltou ao acampamento com outro grupo. A jovem e a defesa dela negam abandono. Ele ficou perdido na região por cinco dias, sendo encontrado só no dia 5 de janeiro, após pedir ajuda em uma fazenda.</p>
<p>Para o promotor Elder Teodorovicz, há provas que indicam que Thayane deixou Roberto “para trás” em uma trilha de alta complexidade, em estado de debilidade física e que ela não prestou o “devido acompanhamento das medidas e providências necessárias para o seu socorro”.</p>
<p>“A conduta da investigada reveste-se de dolo, uma vez que tinha plena consciência da debilidade física da vítima (que já havia vomitado e caminhava com dificuldade), das condições perigosas do local (eis que se tratava de trajeto difícil, com montanhas altas, com chuva, frio e neblina) e, ainda assim, optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte”, declarou a promotoria.</p>
<p>Em pronunciamento, o promotor Teodorovicz destacou que o ordenamento jurídico brasileiro impõe o dever de solidariedade em situações de grave e iminente perigo, especialmente quando é possível prestar esse auxílio sem risco pessoal. “Esse dever, em especial, no caso concreto, foi descumprido”, afirma.</p>
<p>“Por esta razão, o Ministério Público do Estado do Paraná entendeu pela caracterização do crime de omissão de socorro e pelo encaminhamento do caso ao Juizado Especial Criminal com proposta de transação penal, observados os princípios da proporcionalidade e razoabilidade”, acrescentou.</p>
<p>A infração penal de omissão de socorro está prevista no Código Penal (Art. 135) e é descrita como o ato de “deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública”.</p>
<h3><strong>Indenização</strong></h3>
<p>A promotoria pede também para que Thayane pague um valor de R$ 4 863 para Roberto (o equivalente a três salários-mínimos) e R$ 8 105,00 para o Corpo de Bombeiros de Campina Grande Sul, órgão que realizou as buscas pela vítima ao longo de cinco dias.</p>
<p>Além disso, o Ministério Público também determinou que a jovem preste serviço à comunidade ao longo de três meses, por cinco horas semanais, também junto ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul.</p>
<p>“As medidas propostas justificam-se (…) em razão do trabalho realizado em busca da vítima, que mobilizou, além das forças oficiais, diversos agentes civis e voluntários”, disse a promotoria, em nota.</p>
<h3><strong>Relembre o caso</strong></h3>
<p>Após a virada do ano, passada no cume do pico, a dupla retornou ao acampamento, mas acabou se separando. Thayane diz que se juntou a outros trilheiros e que Roberto não acompanhou o ritmo do grupo, ficando para trás na trilha. Já o rapaz afirma que ele foi abandonado pela colega e, ao ficar sozinho, acabou se perdendo no trajeto após seguir de forma equivocada as sinalizações do caminho.</p>
<p>Ele ficou cinco dias andando pelo pico, seguindo o percurso do rio e chegou até a pular uma cachoeira antes de encontrar uma fazenda onde foi acolhido, e onde conseguiu entrar contato com a família.</p>
<p>Thayane alega que não abandonou Roberto. Diz que voltou ao acampamento, mas retornou para a trilha na tentativa de encontrá-lo ao desconfiar que ele estivesse perdido. Afirma ainda que chamou o resgate, mas admitiu em conversa com o Estadão que errou ao não esperá-lo.</p>
<p>“Não abandonei! Eu assumi o meu B.O., assumi o problema todo. Eu assumo que errei de ter deixado ele para trás, quebrei a nossa regra dos trilheiros e montanhistas, de que vai junto e volta junto. Mas eu acompanhei o passo dos corredores e ele veio no ritmo dele”, afirmou.</p>
<p>Com quadro de desidratação, Roberto precisou ser hospitalizado. Ele disse que Thayane quebrou a sua confiança, e rompeu relação com a jovem. Eles haviam se conhecido dois meses antes do episódio.</p>
<h3><strong>Defesa nega crime</strong></h3>
<p>A advogada Kellen Larissa, que representa Thayane, afirmou que, embora a conduta possa ser considerada moralmente reprovável, não configura crime. “Essa regra do montanhismo não é lei. Não existe tipo penal para isso. Não houve dolo, não houve intenção de abandono”, disse.</p>
<p>A advogada informou ainda que medidas judiciais estão sendo adotadas contra perfis nas redes sociais que atacam a jovem e usam a imagem dela de forma ofensiva. “O inquérito caminha para o arquivamento. O que a gente pede é que as pessoas permitam que eles sigam em paz.”</p>
<h3><strong>Polícia conclui inquérito</strong></h3>
<p>O inquérito que investigou o desaparecimento do jovem foi concluído pela Polícia Civil nesta quinta-feira, 8. O delegado Glaison Lima, de Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, recomendou o arquivamento do caso por entender que não houve crime por parte de Thayane Smith Moraes, de 19 anos, que abandonou o amigo no percurso.</p>
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<p><a href="https://jovempan.com.br/noticias/brasil/mp-pr-ve-omissao-de-socorro-e-pede-que-jovem-pague-indenizacao-a-amigo-perdido-no-pico-parana.html">Fonte: Clique aqui</a></p>


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