Na reta final da eleição presidencial, o voto evangélico se tornou um dos focos da disputa entre Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As campanhas adotam estratégias distintas para conquistar os fiéis, com a esquerda priorizando programas sociais e direitos trabalhistas, enquanto a direita aposta no apoio de pastores de grandes denominações, além de propostas econômicas e de segurança pública.
A diferença também aparece nas pesquisas. Levantamento Quaest divulgado em 21 de outubro aponta Flávio com 58% das intenções de voto entre os evangélicos, contra 30% de Lula. Entre os católicos, o cenário se inverte, com o presidente registrando 50%, ante 40% do senador.
Lula aposta em mobilização
Após o primeiro turno, a campanha petista intensificou a comunicação com evangélicos por meio de redes sociais, grupos de WhatsApp, encontros religiosos e distribuição de materiais específicos. A estratégia conta com o apoio de lideranças cristãs progressistas, entre elas o pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Marina Silva (Rede) e o pastor Ariovaldo Ramos, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também participa da aproximação com diferentes grupos religiosos. A campanha de Lula procura dialogar diretamente com fiéis e pastores de pequenas congregações, sobretudo nas periferias, destacando programas de transferência de renda, educação, proteção às mulheres e políticas voltadas às famílias.
O fim da escala de trabalho 6×1 e o combate às apostas on-line, conhecidas como bets, também aparecem nos materiais de campanha. Aliados do presidente tentam associar essas propostas à proteção dos trabalhadores e das famílias, além de questionar posições do adversário sobre temas sociais.
Flávio ganha em grandes igrejas
Flávio, por sua vez, ampliou a aproximação com lideranças de grandes denominações evangélicas, que passaram a manifestar apoio público à sua candidatura. O senador participou de eventos religiosos e foi recebido no púlpito pelo bispo Samuel Ferreira, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, durante uma celebração do centenário das Assembleias de Deus Ministério Madureira, no Rio de Janeiro.
A Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab) também declarou apoio ao candidato em uma carta divulgada em 19 de outubro. A Convenção Fraternal das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo (Confradesp) aderiu à mobilização por meio de manifestações nas redes sociais.
Entre as principais mensagens defendidas por aliados do senador estão a necessidade de melhorar a economia, reduzir o custo de vida e ampliar a segurança pública. Lideranças religiosas favoráveis a Flávio também procuram combater receios de que uma eventual mudança de governo resulte no fim de programas como Bolsa Família e Farmácia Popular.
Economia e costumes
A disputa entre os candidatos também ocorre nas redes sociais, onde influenciadores e religiosos discutem a relação entre cristianismo e posicionamento político. Temas como aborto, educação, costumes, segurança e políticas sociais são utilizados para mobilizar eleitores e questionar as propostas dos adversários.
Apesar das diferenças, as duas campanhas reconhecem a importância do segmento evangélico, especialmente entre os eleitores de menor renda. A estratégia é conquistar fiéis que ainda não definiram o voto ou que demonstram preocupação com a manutenção de benefícios sociais.
Com a eleição marcada para 25 de outubro, a mobilização religiosa se soma às ações tradicionais de campanha e à disputa por eleitores indecisos, em um cenário no qual religião, economia e questões sociais ocupam espaço central no debate presidencial.
