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<p>Em maio de 1926, há exatos 100 anos, a montadora de veículos Ford adotou, por conta própria, a jornada de trabalho de 40 horas semanais nas fábricas que representavam o modelo da indústria dos Estados Unidos (EUA), chegando a dar nome aquela fase do capitalismo, chamada de fordista.</p>
<p>Até então, os trabalhadores da montadora trabalharam seis dias por semana. De um lado, a medida da Ford atendia demanda histórica dos trabalhadores, de outro, contribuiu para consolidar no país norte-americano o padrão da escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso (5&#215;2). </p>
<p>A consolidação dessa escala viria 14 anos depois, em 1940, quando foi alterada a Lei de Normas Justas de Trabalho (Fair Labor Standards Act) dos EUA, criada dois anos antes, em 1938.</p>
<p>Até hoje, ela fixa a escala em 40 horas semanais, com possibilidade de estender o horário, desde que mediante pagamento de horas-extras com valor adicional de 50% em relação a hora normal.</p>
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<p>Estima-se que, nos anos 1900, a semana de trabalho média nos EUA fosse de 60 horas, dez horas por dia, seis dias na semana. Nos anos 1920, a semana de trabalho cai para 50 horas semanais, em média.</p>
<p>A decisão do empresário da Ford, Henry Ford, foi apresentada, na época, como uma forma de atrair profissionais de outras indústrias, onde a escala era muito maior, melhorar a produtividade, com trabalhadores mais descansados, além de liberar os funcionários para o lazer, visto como motor de estímulo à economia por meio do consumo. </p>
<h2>Luta dos trabalhadores</h2>
<p>Por outro lado, com o fim da guerra civil americana (1861-1865), teve início nos EUA um forte movimento de trabalhadores pela redução da jornada de trabalho. A luta por mais tempo livre teve mais destaque que as reivindicações por aumento salarial.</p>
<p>O professor de História na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Luigi Negro, ressaltou à <strong>Agência Brasil</strong> que, assim que conseguiram se organizar em sindicatos, os trabalhadores reivindicaram trabalhar menos horas para viver mais e melhor.</p>
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<p>“Eles não queriam chegar acabados em casa, depois de um dia de trabalho, ou arrebentados e com problemas nos nervos, quando se aposentassem”, explicou o especialista em história do trabalho.</p>
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<p>Com o lema “oito horas para o trabalho, oito horas para o descanso, oito horas para o que quisermos”, os trabalhadores nos EUA lutaram, por décadas, até chegar às oito horas diárias e 40 semanais.</p>
<h2>Sindicalismo estadunidense</h2>
<p>O economista e historiador norte-americano Robert M. Whaples escreveu que a defesa da redução da jornada foi a “faísca” que ajudou a fundar o primeiro sindicato nacional na década de 1860 e a Federação Americana do Trabalho, nos anos 1880.</p>
<p>“[A reinvindicação por redução de jornada foi] a principal questão na greve do aço de 1919 e permaneceu importante até a década de 1930”, completou o professor da Universidade Wake Forest, dos EUA. </p>
<p>Em <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.jstor.org/stable/2123280?seq=1" target="_blank">artigo</a> publicado no Jornal da História Econômica, Whaples destaca que os sindicatos americanos ampliaram poder político, com líderes sendo cortejados pelo presidente da época, Woodrow Wilson. </p>
<p>“A adesão [aos sindicatos] aumentou de 2 milhões em 1909 para 4,13 milhões em 1919”, disse Whaples, acrescentando que a decisão da Ford de limitar a <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://eh.net/encyclopedia/hours-of-work-in-u-s-history/" target="_blank">jornada a 40 horas</a> impulsionou a consolidação do direito. </p>
<p>“Em 1927, pelo menos 262 grandes empresas haviam adotado a semana de cinco dias, enquanto apenas 32 a adotavam em 1920. Ford empregou mais da metade dos aproximadamente 400 mil trabalhadores do país com semanas de cinco dias”.</p>
<p>Outro fator que teria contribuído para redução da jornada nos EUA foi o acirramento pela busca de mão de obra, devido a redução da imigração europeia, estimulando os gestores a buscarem um relacionamento mais longo com os empregados.</p>
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<p>“Essa preocupação de longo prazo e as crescentes evidências de que a fadiga poderia comprometer a produtividade a longo prazo podem ter levado alguns a reduzir a jornada de trabalho”, completou o especialista Robert M. Whaples.</p>
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<h2>Papel de Henry Ford</h2>
<p><strong>O professor da UFBA Antonio Luigi Negro sugere que, sem a pressão dos trabalhadores, o padrão patronal é, tendo demanda, manter alta a jornada e exigir horas extras.</strong></p>
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<p>“No Brasil, a greve da Vaca Brava dos metalúrgicos do ABC em 1985 conseguiu negociar redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Só o movimento operário bem organizado pode vencer a posição patronal de querer mais horas de trabalho com salários ruins”, disse.</p>
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<p>Sobre o proprietário da Ford, Henry Ford, Antonio destaca que ele era “extremamente hostil aos sindicatos”.</p>
<p>“Ele contratou Harry Bennett como capanga para chefiar valentões e perseguir e espancar funcionários. A estratégia de Ford foi a de contratar trabalhadores de idiomas e lugares de origem diferentes para impedir a união operária”, contou o especialista.</p>
<p>Atualmente, a jornada de trabalho no país da América do Norte foi de <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.bls.gov/news.release/empsit.t18.htm" target="_blank">34,3 horas semanais</a>, em média, em abril de 2026, segundo o Departamento de estatísticas do trabalho nos EUA. </p>
<p>A extensão da jornada semanal varia de 45,5 horas no setor da mineração e exploração madeireira a 25,5 horas no setor do lazer e hotelaria. Em média, os trabalhadores fizeram, no mês passado, 3 horas-extras por semana na indústria estadunidense. </p>
<h2>Brasil</h2>
<p>Atualmente, o governo brasileiro tem defendido o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6&#215;1), com a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem regra de transição.</p>
<p>Em anuncio nessa quarta-feira, governo e lideranças da Câmara concordaram em instituir dois dias de descanso por semana, acabando com a escala 6&#215;1, assim como reduzir a jornada para as 40 horas que, há 100 anos, os empregados da Ford podem cumprir. </p>
<p>O tema está em tramitação na Câmara dos Deputados, com previsão de votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) na Comissão Especial no dia 27 de maio.</p>
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<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-05/ha-100-anos-ford-instituia-jornada-de-40-horas-nos-estados-unidos">Fonte: Clique aqui</a></p>


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