Futebol teve fim de semana com cara de Oscar – 11/03/2024 – Sandro Macedo

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Futebol teve fim de semana com cara de Oscar – 11/03/2024 – Sandro Macedo

Este humilde escriba gostaria de revelar ao querido leitor e à querida leitora que é tão fã de cinema quanto de esporte, desde sempre.

Sim, amo assistir aos títulos que chegam de Cannes, de Sundance, do Leste Europeu, da Argentina ou da Ásia. A Mostra Internacional de Cinema pode causar tanta ansiedade quanto uma Olimpíada. E nada de sentimentos blasés em relação a Hollywood. Quem suporta o Paulistinha não pode reclamar de blockbuster ruim.

Sendo assim, o fim de semana do Oscar naturalmente seria especial. Não é tão difícil encontrar pontos de contato entre as duas artes.

Veja os discursos de premiação, por exemplo. O melhor em Los Angeles foi o do ucraniano Mstyslav Chernov, vencedor do prêmio de melhor documentário por “20 Dias em Mariupol”. Disse que preferia não ter tido a necessidade de fazer o filme, o que ocorreria se a Rússia não tivesse invadido sua Ucrânia. É o chamado efeito borboleta.

Poucas horas antes, o técnico Cuca mereceria um Oscar de redenção após seu forte depoimento pós-jogo do Athetico-PR. É daquelas histórias com plot twist quando ninguém mais esperava. Finalmente Cuca compreendeu o quadro maior depois de passar décadas batendo na tecla “não fiz nada”.

E aqui vale um importante crédito para a colunista do UOL Milly Lacombe —citada por Cuca—, cujas reflexões passadas ajudaram o técnico a entender a dimensão da questão. “Tenho escutado as opiniões e tentado entender o meu papel. No começo do ano li uma coluna da Milly Lacombe, do UOL, em que ela disse que isso não era sobre mim. Eu entendi o que ela quis dizer. Não é só sobre mim, mas é sobre mim também”, disse em depoimento escrito com antecedência, como nos melhores discursos.

“Eu escolhi me recolher durante muito tempo, mas consegui seguir a minha vida, enquanto uma mulher que passa por qualquer tipo de violência não consegue seguir a vida dela sem permanecer machucada, carrega o impacto para sempre. Eu consegui seguir minha vida. O mundo do futebol e o mundo dos homens nunca tinham me cobrado nada, mas o mundo está mudando e eu acho que é para melhor”, continuou. No longo texto, Cuca termina dizendo que se compromete a fazer parte da transformação. Aguardemos os próximos passos.

Outros acontecimentos nos gramados no fim de semana foram dignos de estatueta. O Flamengo de Tite provou que é o “Oppenheimer” do futebol nacional. No primeiro jogo da semifinal, implodiu o Fluminense, campeão da Libertadores. O 2 a 0 foi pouco. Assim como o filme de Nolan no Oscar, o rubro-negro é favorito para tudo, a começar pelo Carioquinha.

Em Vasco x Nova Iguaçu, no Maracanã, tivemos o prêmio de melhores defeitos especiais, cortesia da linha de impedimento do VAR, que conseguiu frisar em uma imagem em que o traço não encostava em nenhum jogador. Coisa horrorosa.

Aliás, a camisa do Nova Iguaçu também merece uma estatueta de figurino.

O Oscar de melhor roteiro vai para o moço que fez o regulamento do Paulistinha, com a Portuguesa (em 13º no geral) se classificando entre os oito melhores. Absolutamente incompetência.

Já a inglória campanha do Corinthians fica entre “Anatomia de uma Queda” (na primeira fase) e “Os Rejeitados”.

E o melhor jogo internacional vai para o suposto último encontro entre Jurgen Klopp, do Liverpool, e Pep Guardiola, do Manchester City (eles ainda podem se cruzar na Copa da Inglaterra). O duelo terminou num excelente 1 a 1 que deixou o Arsenal (uhu) na liderança da Premier League.

Só falta agora a performance de algum galã-boleiro subestimado. No aguardo de “I’m Just Pedro Raul”.


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