O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma operação da Polícia Federal após apontar “indícios robustos” de desvio de emendas parlamentares, superfaturamento e fraude em obras do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) no Ceará. A investigação, que começou a partir de auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), expõe mais um capítulo do já conhecido histórico de vulnerabilidades no órgão.
Segundo a PF, as auditorias identificaram execução parcial ou inexistente de serviços contratados, além de falhas graves na fiscalização que sugerem conluio entre servidores do Dnocs e a empresa responsável pelas obras, a Construmaster. A corporação afirma que o esquema teria sido alimentado por emendas indicadas pelo deputado federal Robério Monteiro (PDT-CE), embora o parlamentar não tenha sido alvo direto da operação.
Mandados, quebras de sigilo e a rota do superfaturamento
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao Dnocs, aos fiscais responsáveis pelos contratos e à Construmaster. Os sócios da empresa também tiveram o sigilo bancário quebrado. Não foram expedidos mandados de prisão.
Para os investigadores, a empreiteira atestou falsamente a execução de serviços, apresentando medições fraudulentas para justificar obras que nunca saíram do papel ou foram entregues de forma incompleta. De acordo com a PF, tudo foi aceito pelos fiscais do órgão — um ponto que reforça a suspeita de conluio.
Fotos falsas e o escândalo mais explícito
Um dos aspectos mais chocantes narrados pela Polícia Federal é o uso de imagens falsas para simular a entrega das obras. A Construmaster teria anexado fotos de ruas de uma cidade como se fossem de outra, numa tentativa extremamente rudimentar de “comprovar” serviços não realizados.
“De maneira mais escrachada, foi identificado o uso de fotos falsas para comprovar a realização das obras”, afirmou a PF, destacando que a fraude compromete a transparência e mina a credibilidade do processo de fiscalização.
Clima de desconfiança
A revelação de irregularidades envolvendo emendas parlamentares reacende discussões sobre o controle desses recursos e a transparência na execução de obras financiadas com verbas federais. No Congresso, interlocutores avaliam que a investigação pode ampliar pressões sobre a liberação de emendas e afetar parlamentares ligados ao setor.
Com a operação, Flávio Dino reforça sua atuação como ministro-autoridade em temas de controle e fiscalização, colocando foco em um modelo de contratação que, segundo auditores e investigadores, abre brechas perigosas para desvios.
As apurações seguem em curso e podem resultar em novas medidas judiciais. Enquanto isso, o caso expõe mais um desgaste institucional no Dnocs, órgão historicamente marcado por denúncias e alvo recorrente de investigações por corrupção.

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