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Copom deve manter Selic em 15% e recado do BC divide apostas sobre início dos cortes

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira (10) a decisão sobre a taxa básica de juros, em meio a um consenso que se arrasta há semanas no mercado: a Selic deve permanecer em 15% ao ano. A leitura predominante entre analistas e instituições financeiras é que o início do ciclo de cortes não ocorrerá em janeiro, mesmo com a melhora das projeções de inflação para 2025 e 2026.

Nos últimos dias, economistas passaram a descartar a possibilidade de recuo imediato nos juros, indicando que a flexibilização deve começar apenas na segunda reunião do ano, em março, quando a taxa cairia para 14,5% ao ano. Levantamentos recentes mostram que a maior parte das casas financeiras considera março como o ponto de virada, enquanto um grupo menor ainda aposta na redução já em janeiro.

A Selic está congelada desde junho no patamar de 15%. Até a semana passada, prevalecia a leitura de que o Copom repetiria o trecho dos seus comunicados no qual promete manter os juros altos por “período bastante prolongado”. A interpretação mudou após o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmar que a expressão não é “zerada” a cada reunião, o que abre margem para iniciar um ciclo de afrouxamento sem alterar o texto formal do comunicado.

Galípolo tem reforçado que o Comitê ainda não definiu o próximo passo, insistindo que as decisões dependerão dos dados dos próximos meses. A meta de inflação é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, e a recente trajetória descendente trouxe algum alívio ao BC. A mediana das expectativas para 2025 caiu pela quarta vez consecutiva, chegando a 4,40%, e para 2026 recuou para 4,16%. A prévia do IPCA também aponta desaceleração, com índice de 0,20% em novembro e inflação de 4,50% em 12 meses, o menor índice desde janeiro.

Como o mercado lê o Copom

C6 Bank – cortes a partir de março

A instituição destaca que, apesar do avanço das expectativas, o ambiente segue marcado por desancoragem parcial da inflação e mercado de trabalho aquecido. O banco acredita que o BC pode reconhecer os progressos, mas insistirá em cautela, reforçando a necessidade de política monetária contracionista.

Banco Daycoval – Selic estável até março
O banco avalia que o BC deve retirar qualquer menção à possibilidade de retomada de alta de juros, mas manterá no comunicado a mensagem de juros altos por “período bastante prolongado”. O objetivo seria evitar que o mercado interprete que o ciclo de cortes começará já em janeiro.

4intelligence – flexibilização começando em março

A consultoria prevê que o Copom comece a sinalizar discussões sobre o timing e a velocidade dos cortes, mas deixará claro que as condições ainda não estão totalmente atendidas. Para o início do ciclo, o BC precisaria ver sua própria projeção de inflação “ao redor da meta”, algo que, historicamente, tem sido interpretado como um índice próximo de 3,2%.

Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital – alerta para leitura das entrelinhas

Para o gestor, o Copom deve apenas confirmar a Selic em 15%, mas a sinalização sobre o avanço da desinflação é o ponto-chave. Ele avalia que as expectativas já mexem com prefixados, crédito privado e operações estruturadas, preparando o terreno para cortes em março.

Warren Investimentos – aposta em corte de 0,25 ponto já em janeiro

A gestora vê espaço para uma flexibilização discreta no início de 2026, caso o BC reconheça a melhora no cenário de inflação e atividade. Segundo a casa, a Selic pode encerrar 2026 em 12,25%, com um ciclo gradual e condicionado aos dados.

Enquanto o mercado se divide sobre a velocidade do Banco Central, o Copom tenta calibrar discurso e estratégia, em um ambiente em que cada nuance do comunicado pode redefinir o rumo dos juros, dos investimentos e das expectativas econômicas para o próximo ano.

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