O diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) costuma ser associado à desatenção, impulsividade e hiperatividade. No entanto, os impactos da condição vão muito além desses sintomas. Dificuldades para organizar a rotina, cumprir prazos, manter relacionamentos e lidar com as próprias emoções também fazem parte da realidade de muitas pessoas. Nesse contexto, o acompanhamento psicológico desempenha um papel importante para promover mais autonomia e qualidade de vida.
O TDAH faz parte dos transtornos do neurodesenvolvimento. Cada pessoa apresenta características próprias. Por isso, o psicólogo adapta o tratamento à idade, ao histórico de vida e aos contextos familiar, escolar, profissional e social.
Segundo Brenno Arley Rodrigues, psicólogo, mestre em Psicologia da Saúde e docente do curso de Psicologia da UNINASSAU Campina Grande, a psicoterapia oferece ferramentas para que o paciente compreenda melhor o próprio funcionamento e desenvolva estratégias para enfrentar os desafios do cotidiano.
“O acompanhamento com o psicólogo auxilia a pessoa a compreender melhor seu funcionamento, desenvolver habilidades para enfrentar as dificuldades do dia a dia e potencializar suas capacidades. Também contribui para a prevenção de problemas emocionais frequentemente associados ao TDAH, como ansiedade, baixa autoestima, estresse e dificuldades nos relacionamentos”, explica.
Tratamento é individualizado
Embora o tratamento do TDAH possa incluir medicamentos em alguns casos, a psicoterapia complementa esse cuidado ao trabalhar aspectos que interferem diretamente na rotina. O objetivo não é apenas reduzir sintomas, mas favorecer o desenvolvimento de habilidades que permitam ao paciente lidar melhor com as demandas diárias.
De acordo com Brenno, o atendimento deve ser realizado por um psicólogo habilitado e com experiência na área. Além disso, a abordagem terapêutica é definida conforme as necessidades de cada pessoa.
“A abordagem terapêutica varia conforme a necessidade de cada pessoa, mas, de modo geral, busca desenvolver estratégias para organização da rotina, manejo da atenção, controle da impulsividade, regulação emocional, habilidades sociais e fortalecimento da autoestima. O tratamento é sempre individualizado e construído em conjunto com o paciente”, afirma.
Família também faz parte do processo
Quando o paciente é uma criança ou adolescente, o envolvimento da família se torna um dos pilares do tratamento. O psicólogo orienta pais e responsáveis para que compreendam melhor o transtorno e adotar estratégias que favoreçam o desenvolvimento da criança dentro e fora de casa.
Além disso, o apoio familiar reduz conflitos, fortalece vínculos e cria um ambiente mais acolhedor para enfrentar as dificuldades relacionadas ao TDAH.
“O profissional orienta os familiares sobre as características do TDAH, ajuda a construir estratégias de manejo no ambiente doméstico e promove um espaço para tirar dúvidas e reduzir conflitos”, destaca o especialista.
Quando procurar ajuda psicológica?
A pessoa deve procurar um psicólogo quando a desatenção, a impulsividade ou a hiperatividade começam a prejudicar o desempenho escolar, o trabalho, os relacionamentos ou o bem-estar emocional. Quanto mais cedo a pessoa inicia o acompanhamento, maiores são as possibilidades de desenvolver estratégias que favoreçam a adaptação às diferentes fases da vida.
Embora o TDAH não tenha cura, crianças, adolescentes e adultos podem desenvolver estratégias com o tratamento adequado para lidar com os desafios da condição, valorizar suas potencialidades e conquistar mais autonomia no dia a dia.
