O clima entre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), esquentou neste fim de semana, com troca de ofensas e provocações públicas. A discussão começou após Boulos criticar a letalidade da megaoperação policial que resultou em 121 mortes no fim de outubro, na capital fluminense.
Durante uma agenda em São Paulo, o ministro acusou Castro e outros governadores aliados de fazerem “demagogia com sangue”, em referência às manifestações de apoio às ações policiais. Ao ser questionado sobre a declaração, o governador desdenhou e rebateu com ironia, afirmando que “esse é um paspalhão”.
A resposta de Boulos veio nas redes sociais, e em tom ainda mais ácido. O ministro ironizou a fala de Castro e fez referência direta às investigações que atingem aliados do governador, incluindo o deputado estadual TH Joias (MDB), preso recentemente em operação da Polícia Federal por suposta ligação com o Comando Vermelho.
“Vou dar um desconto. Ele deve estar muito angustiado com o avanço das investigações depois da prisão do seu parceiro TH Joias”, escreveu Boulos na rede X (antigo Twitter), em alusão às fotos e à proximidade entre o parlamentar e o governador.
A investigação citada pelo ministro também alcançou Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário da Defesa do Consumidor do governo Castro, que foi preso no mesmo inquérito.
O embate expõe, mais uma vez, a tensão entre o governo federal e o Palácio Guanabara em torno da política de segurança pública do Rio, marcada por operações de alta letalidade e críticas de setores progressistas. Enquanto Castro defende o endurecimento das ações policiais como resposta ao crime organizado, Boulos e parte do governo Lula sustentam que o modelo viola direitos humanos e gera resultados trágicos.

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