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<p>Pesquisadores apoiados pela FAPESP divulgaram na revista <em>Scientific Data</em> um conjunto inédito e abrangente de dados sobre microrganismos associados a plantas da família <em>Velloziaceae</em> nos campos rupestres brasileiros. Foram identificadas mais de 257 mil bactérias e arqueias – num dos maiores esforços já realizados de caracterização do microbioma de espécies de <em>Vellozia</em>, incluindo vários tecidos vegetais de quatro espécies diferentes, solos e estações do ano.</p>
<p>Os dados genéticos e seus metadados estão disponíveis em plataformas de acesso aberto: <strong><a rel="nofollow" target="_blank" href="https://gold.jgi.doe.gov/study?id=Gs0166663" target="_blank" rel="noopener">JGI GOLD</a></strong>, <strong><a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/sra/SRP512760" target="_blank" rel="noopener">GenBank</a></strong> do National Center for Biotechnology Information (NCBI) e <strong><a rel="nofollow" target="_blank" href="https://identifiers.org/ena.embl:PRJEB88081" target="_blank" rel="noopener">European Nucleotide Archive</a></strong> (ENA). Essas informações devem impulsionar pesquisas sobre interações planta-microrganismo e inspirar soluções biotecnológicas para a agricultura em cenários de mudanças climáticas.</p>
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<p>O estudo ocorreu no âmbito do Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC), um Centro de Pesquisa em Engenharia (<strong>CPE</strong>) constituído por Fapesp e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>
<p>Os campos rupestres são ecossistemas singulares da região central do Brasil, caracterizados por condições extremas, como solos pobres em nutrientes e períodos de seca severa. Nesse ambiente desafiador, plantas da família <em>Velloziaceae</em> – muitas delas exclusivas desses locais – desenvolveram estratégias adaptativas distintas para lidar com a escassez hídrica. Há espécies de velózias do tipo ressurgente, que toleram a dessecação e se reidratam após a chuva. Outras são sempre-verdes, mantendo-se hidratadas mesmo durante a seca. O estudo investigou duas espécies ressurgentes, <em>Vellozia nivea</em> e <em>Vellozia tubiflora</em>, e duas sempre-verdes, <em>Vellozia intermedia</em> e <em>Vellozia peripherica</em>.</p>
<p>“Quando pensamos nas estratégias das velózias para lidar com a seca, percebemos que seria importante olhar além da planta em si e investigar também os microrganismos associados a ela – tanto os que estão na superfície dos tecidos quanto os que vivem em seu interior. Acreditamos que essa interação pode desempenhar um papel fundamental na adaptação das espécies a condições tão extremas”, explica Isabel Gerhardt, pesquisadora principal do GCCRC e da Embrapa Agricultura Digital, além de coautora do artigo.</p>
<p>Segundo Bárbara Biazotti, doutoranda no GCCRC que também assina o <em>paper</em>, o trabalho é pioneiro ao estudar as comunidades microbianas – em especial as bactérias – relacionadas a diferentes estratégias de tolerância à seca. “Ao investigar os microrganismos associados às plantas de <em>Vellozia</em>, identificamos uma excelente oportunidade de explorar a rica diversidade microbiana do Brasil, com potencial valioso para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos voltados à agricultura”, destaca.</p>
<p>O artigo descreve como os cientistas sequenciaram 374 amostras de folhas, bainhas secas, raízes aéreas e subterrâneas, além do solo. O foco foi mapear a diversidade microbiana em cada uma dessas partes. “Fizemos um esforço amostral abrangente para identificar todas as bactérias presentes nas diferentes partes das velózias e no solo”, explica Otávio Pinto, bioinformata do GCCRC. Os pesquisadores também realizaram análises metagenômicas do solo em diferentes períodos (chuvoso e seco), considerando ambas as estratégias adaptativas das plantas.</p>
<p>Os resultados sugerem que há mais de 257 mil diferentes bactérias no microambiente das velózias. “Parte desse número elevado de microrganismos identificados também é resultado do nosso esforço amostral abrangente, ao coletar material de diferentes partes das quatro espécies e em diferentes épocas do ano”, complementa Gerhardt.</p>
<p>A descrição completa dos perfis sazonais das bactérias associadas às velózias possibilitará investigar se há diferenças significativas entre os períodos seco e chuvoso, ou entre as espécies sempre-verdes e ressurgentes. Este é o próximo passo dos cientistas do GCCRC.</p>
<h2><strong>Ciência aberta e os artigos de dados</strong></h2>
<p>O estudo foi publicado no formato “descritor de dados”, que prioriza o compartilhamento detalhado de informações para uso amplo pela comunidade científica. “Nosso objetivo foi disponibilizar os dados de forma organizada, em um padrão reconhecido internacionalmente e em um repositório aberto, para que outros pesquisadores possam testar suas hipóteses e realizar comparações entre diferentes estudos”, explica Ricardo Dante, pesquisador principal do GCCRC, da Embrapa Agricultura Digital e autor do artigo.</p>
<p>“A ampla disseminação desses dados pode beneficiar não apenas a ecologia e a microbiologia, mas também estudos aplicados, como estratégias de conservação e biotecnologia para o manejo de solos em condições áridas”, conclui Gerhardt.</p>
<p>O conjunto de dados está disponível para acesso público, permitindo que pesquisadores de diversas áreas possam explorá-lo e contribuir para a compreensão das adaptações das plantas e dos microrganismos nos campos rupestres.</p>
<h2><strong>Captação de fósforo em ambientes extremos</strong></h2>
<p>Além de abrigar uma flora altamente adaptada à escassez de água, os campos rupestres também são hábitat para bactérias capazes de tornar nutrientes escassos mais disponíveis para as plantas. Em <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://doi.org/10.1038/s41396-022-01345-1" target="_blank" rel="noopener">estudo anterior</a>, pesquisadores do GCCRC identificaram que microrganismos associados às raízes de espécies da família Velloziaceae (<em>Vellozia epidendroides</em> e <em>Barbacenia macrantha</em>) possuem maior número de genes relacionados à solubilização de fósforo quando comparados a outras espécies de plantas e ambientes. O fósforo é um nutriente essencial à sobrevivência vegetal, mas de difícil acesso em solos tropicais altamente intemperizados (<em>leia mais em: <a rel="nofollow" target="_blank" href="https://agencia.fapesp.br/40344" target="_blank" rel="noopener">agencia.fapesp.br/40344</a></em>).</p>
<p>Essas bactérias funcionam como aliadas silenciosas das plantas, transformando compostos insolúveis de fósforo em formas absorvíveis, o que pode ser crucial para a persistência da vegetação em ambientes com solos pobres em nutrientes. O conhecimento dessas interações pode, futuramente, contribuir para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis voltadas à agricultura, como biofertilizantes que aumentem a eficiência do uso de fósforo em cultivos agrícolas.</p>
<p>O artigo “<em>Seasonal bacterial profiles of Vellozia with distinct drought adaptations in the megadiverse campos rupestres”</em> pode ser lido em: <strong><a rel="nofollow" target="_blank" href="https://www.nature.com/articles/s41597-025-04984-z" target="_blank" rel="noopener">www.nature.com/articles/s41597-025-04984-z</a></strong>.</p>
<p><em>*Com informações de Paula Drummond, do GCCRC.</em></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="7NlK4iESJ8">
<p><a rel="nofollow" target="_blank" href="https://stories.cnnbrasil.com.br/tecnologia/veja-pequena-atitude-que-pode-ajudar-a-reduzir-a-crise-climatica/">Veja pequena atitude que pode ajudar a reduzir a crise climática</a></p>
</blockquote>
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<p><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/cientistas-mapeiam-257-mil-bacterias-em-plantas-de-campos-rupestres/">Fonte: Clique aqui</a></p>


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