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<p>Artes sacras, o ciclo do ouro, as marcas da escravidão. Circular pelas cidades de Mariana e Ouro Preto é como viajar no tempo. E pensar que tudo isso está interligado pelos mais de 1600 quilômetros da Estrada Real, que começou a ser construída no século XVII, pelos portugueses, para escoar a exploração do ouro mineiro até o porto de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro.</p>
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<dd>O centro histórico de Ouro Preto (MG) / Rogério Costa / CNN Brasil</dd>
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<p>E justamente um dos pontos da Estrada Real foi afetado por uma outra história: o rompimento da barragem do Fundão, em 2015. O bairro rural de Bento Rodrigues, completamente devastado pela lama de rejeitos, é uma das 183 localidades, entre cidades e distritos, que fazem parte do caminho histórico hoje considerado monumento nacional.</p>
<p>O rompimento da barragem do Fundão e a poluição do Rio Doce tornaram a tragédia em Mariana o maior desastre envolvendo barragens no mundo, nos últimos cem anos, de acordo com a consultoria Bowker Associates. Segundo a FGV, foram cerca de 2 milhões de pessoas atingidas.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/07/BR_CNN_180524_CARDSP_MARIANA_AEREAS_BENTO_BAR_2.mp4_frame_0.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>As ruínas do distrito de Bento Rodrigues, que corta a Estrada Real em Minas Gerais. / Rogério Costa / CNN Brasil</dd>
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<p>“Nós temos que construir a região com participação de todos para que a gente possa deixar um legado forte”, diz Celso Cota (PSDB-MG), prefeito de Mariana. “Nós temos que olhar agora de que forma que a gente pode promover nossa sociedade utilizando toda a nossa história”, completa.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/FOTO-PREFEITO.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>O prefeito de Mariana, Celso Cota (PSDB-MG) / Israel Castro / CNN Brasil</dd>
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<p>Mariana foi a primeira capital do estado de Minas Gerais, fundada em meados do século XVII. Está no centro da história e da cultura do nosso país. Hoje, nove anos após a lama ter coberto distritos inteiros da cidade, o desafio é resgatar esse patrimônio cultural, restabelecer a vida em comunidade e criar novas memórias.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/STOCK_SHOT_150524_MG_MARIANA_AEREAS_frame_1843.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>Visão aérea da região da igreja de São Pedro dos Clérigos, em Mariana. O templo foi construído em 1752. / Rogério Costa / CNN Brasil</dd>
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<h2>Novo Bento Rodrigues</h2>
<p>Luciene Alves Rodrigues comemorou em abril seu primeiro ano como moradora de Novo Bento Rodrigues. Um cenário bem diferente do que se viu no antigo distrito, coberto pela lama. Luciene e sua família foram os primeiros a receberem as chaves da nova casa, e hoje já vê os antigos moradores de Bento Rodrigues chegando, e o senso de comunidade voltando.</p>
<p>“Quando tinha jogo todo mundo ia para o campo, as pessoas que gostavam. Agora aos poucos vai voltar, né? Daqui a um tempinho tudo vai voltar.. quase ao normal”, diz Luciene. “Igual não vai ser, né? Mas a gente vai ter que se acostumar porque ela vai ser esse aqui o lugar da comunidade”.</p>
<p>“No final de semana que o pessoal está interagindo mais aqui, porque já tem comércios, né? A gente tá se encontrando mais, agora tá tendo missa e o pessoal vem. Então tá bacana, dia de domingo fica cheio”, conclui.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/07/BR_CNN_270524_CARDSP_MARIANA_SON_LUCIENE_01_frame_9537.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>Luciene Alves em sua nova casa, que recebeu em abril de 2023, em Novo Bento Rodrigues / Israel Castro / CNN Brasil</dd>
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<p>Em sua nova versão, a escola de Novo Bento Rodrigues, símbolo da destruição do antigo distrito, já está cheia de alunos.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/escolas.jpg?w=909" width="909" height="1024"/></dt>
<dd>As fachadas da escola em Novo Bento Rodrigues (acima), e da escola do antigo distrito, símbolo do desastre em Mariana (abaixo) / Israel Castro / CNN Brasil</dd>
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<p>Já o bar de Darliza Azevedo, chamada de “Una”, opera como um restaurante. Aqui, os clientes são recebidos de sorriso aberto.</p>
<p>“Foram oito anos de luta nessa luta esperando. Aí agora, graças a Deus, saiu… e a gente tá podendo recomeçar!”, diz a cozinheira.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/BR_CNN_240524_CARDSP_MARIANA_IMG_UNA_09_frame_186.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>Darliza Azevedo em frente ao seu restaurante, o “Bar da Una” / Israel Castro / CNN Brasil</dd>
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<p>Para além da reconstrução material das casas atingidas, da reparação ambiental do Rio Doce, e da compensação pelos danos causados com o rompimento da barragem do Fundão… retomar o modo de vida é parte crucial do retorno à normalidade.</p>
<p>Na pracinha de Novo Bento, a “seresta ao luar”, organizada pela UNESCO, reúne os moradores para cantar e se divertir. É uma das iniciativas de entidades parceiras nos distritos reconstruídos.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/EVENTO-UNESCO.jpeg?w=869" width="869" height="1024"/></dt>
<dd>Evento “Seresta ao Luar”, organizado pela UNESCO, no distrito de Novo Bento Rodrigues. A ação tem como objetivo restaurar o senso de comunidade entre os atingidos no novo bairro rural. / Luiza Geoffroy</dd>
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<p>Para Ricardo Woods, coordenador de reassentamento da Fundação Renova e que trabalhou na construção dos novos distritos, a participação dos moradores na escolha das casas faz parte desse senso de pertencimento.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/MAPA-NOVO-BENTO.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>A maquete do distrito de Novo Bento Rodrigues / Israel Castro / CNN Brasil</dd>
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<p>“A participação da comunidade é o que é mais importante, né? As celebrações que a gente tem aqui hoje, muitas delas representam parte do que havia na origem, sim, mas há coisas novas também, né? Então o que a gente tem que estar atento é com a escuta realmente para o que a comunidade traz, quais os anseios, quais os desejos nesse novo local”, completa.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/ricardo-woods.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>Ricardo Woods, responsável pelos reassentamentos / Israel Castro / CNN Brasil</dd>
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<h2>Paracatu</h2>
<p>No novo distrito de Paracatu, a escola também foi reconstruída. Há também uma nova igreja, ainda que os moradores sigam utilizando a antiga. E os novos estabelecimentos também seguem em construção.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/igrejas-paracatu.jpg?w=921" width="921" height="1024"/></dt>
<dd>A igreja de Paracatu de Baixo, que resistiu após o tsunami de lama (acima) e a igreja de Paracatu, no novo distrito (abaixo) / Rogério Costa / CNN Brasil</dd>
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<p>Romeu Geraldo é comerciante e presidente da associação de moradores do distrito. Para ele, restabelecer os vínculos é uma prioridade.</p>
<p>“Eu faço uma festa, faço uma confraternização para ver se a gente traz esse pessoal para perto de nós de novo. Senão fica cada um no seu canto. E isso a gente não quer”, comenta Romeu.</p>
<p>Após quase nove anos desde o rompimento da barragem do Fundão, 85% das obras de reassentamento já estão concluídas nas áreas atingidas, segundo a Fundação Renova.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/07/BR_CNN_240524_CARDSP_MARIANA_IMG_ROMEU_4.MTS_frame_833.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>Romeu Geraldo mostra a igreja de Paracatu de Baixo, coberta pela lama e restaurada pela própria comunidade / Israel Castro / CNN Brasil</dd>
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<h2>Baixo Guandu</h2>
<p>Ao longo da bacia do Rio Doce, municípios e distritos também foram afetados no Espírito Santo. Por lá, as ações de reparação se concentraram na limpeza do leito e dos afluentes do rio, no tratamento do esgoto e na compensação de trabalhadores e comunidades que tiveram a sua atividade afetada de alguma maneira.</p>
<p>Uma dessas trabalhadoras é Terezinha Guês, conhecida como Tetê. Ela é artesã e líder da associação dos artesãos de Baixo Guandu, no estado capixaba. Como a lama de rejeitos impossibilitou o uso da argila nas margens do rio, ela e outros trabalhadores tiveram que adaptar o meio de vida e a matéria prima.</p>
<p>Ela foi a primeira pessoa atingida a receber uma indenização pelo sistema indenizatório simplificado, chamado de “novel”. A medida foi criada, após determinação da Justiça, para indenizar categorias com dificuldades de comprovação de danos, como lavadeiras, carroceiros, pescadores e artesãos, como Tetê. Dos mais de 37 bilhões de reais desembolsados nos trabalhos de reparação, 17 bilhões foram destinados às indenizações.</p>
<p>“Eu fui uma das primeiras pessoas a ser indenizada e fico muito feliz por isso. E me trouxe um alívio, uma felicidade muito grande quando eu recebi que tinha certeza que todos os outros artesãos iriam também receber”, diz Tetê.</p>
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<dt><img loading="lazy" src="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2024/08/IMG_TETE_frame_472.jpeg?w=1024" width="1024" height="576"/></dt>
<dd>Tetê e as artesãs de Baixo Guandu, no Espírito Santo / Arquivo Pessoal</dd>
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<p><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/as-comunidades-que-recomecaram-apos-o-desastre-em-mariana/">Fonte: Clique aqui</a></p>


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