A retomada da navegação comercial no Rio São Francisco ganhou um novo capítulo com a missão exploratória apoiada pela Marinha do Brasil, que percorreu mais de 1.300 quilômetros entre Pirapora, em Minas Gerais, e a região de Juazeiro, na Bahia. A operação, iniciada no início de abril, integra uma força-tarefa voltada à reativação de uma das mais estratégicas rotas logísticas do país.
O comboio, formado por cinco embarcações, partiu de Pirapora (MG) e seguiu pelo chamado “Velho Chico” até a barragem de Sobradinho (BA), onde concluiu a primeira etapa da travessia. A ação conta com articulação do Ministério dos Portos e Aeroportos e execução técnica da Companhia das Docas do Estado da Bahia, responsável pelo projeto da nova hidrovia.
Operação técnica e apoio institucional
A iniciativa envolve uma complexa logística de planejamento, incluindo estudos técnicos, monitoramento das condições do rio e organização documental junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. O objetivo é viabilizar a navegabilidade em um trecho que não recebe operações comerciais regulares desde 2012, devido ao assoreamento.
Durante todo o trajeto, militares da Marinha acompanharam o comboio para garantir a segurança da navegação e das tripulações. A atuação incluiu equipes da Delegacia Fluvial de Pirapora, da Agência Fluvial de Bom Jesus da Lapa e da Capitania Fluvial de Juazeiro, sob coordenação do Comando do 2º Distrito Naval.
Segundo o Capitão de Mar e Guerra Flávio Almeida, a operação tem papel estratégico não apenas na segurança, mas também na dinamização da chamada economia azul, ligada ao uso sustentável dos recursos hídricos.
Memória e retomada econômica
A navegação no São Francisco já teve papel central no escoamento de grãos do Oeste baiano, como soja, milho e algodão, além do transporte de mercadorias entre o Nordeste e Minas Gerais. O retorno da atividade reacende expectativas de geração de emprego e renda nas cidades ribeirinhas.
Comandantes e pilotos fluviais experientes participaram da missão, contribuindo com conhecimento acumulado ao longo de décadas de navegação. A leitura do rio, marcada por mudanças constantes no leito e bancos de areia, foi apontada como essencial para o sucesso da operação.
Integração
O projeto da nova hidrovia prevê integração com modais rodoviário e ferroviário, ampliando a eficiência logística e reduzindo custos de transporte. A expectativa do governo federal é que, já no primeiro ano de operação, o corredor hidroviário movimente cerca de cinco milhões de toneladas de cargas.
Além de fortalecer a logística nacional, a reativação da hidrovia do São Francisco é vista como vetor de desenvolvimento sustentável, com impacto direto na economia regional e na melhoria das condições de vida das populações ribeirinhas.
A missão exploratória segue agora para etapas posteriores, que incluem a sinalização e o balizamento do rio, considerados fundamentais para consolidar o retorno definitivo da navegação comercial no Velho Chico.

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