Paolo Zampolli formaliza pedido a Gianni Infantino argumentando que 4 títulos mundiais da seleção italiana justificam a vaga
Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos, apresentou à Federação Internacional de Futebol uma proposta para substituir o Irã pela Itália na Copa do Mundo de 2026, segundo noticiou o jornal Financial Times na 4ª feira (22.abr.2026). A solicitação foi direcionada ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, e ao presidente Donald Trump (Partido Republicano). O torneio será realizado nos Estados Unidos, México e Canadá.
Zampolli formalizou a sugestão de troca das seleções ao presidente da entidade máxima do futebol e ao líder norte-americano. O enviado especial argumentou que os 4 títulos mundiais da Itália justificam a atribuição da vaga ao país europeu. O Irã garantiu participação no torneio depois de se classificar como uma das 8 seleções da Confederação Asiática de Futebol.
A Itália não conseguiu se classificar e foi eliminada depois de perder para a Bósnia e Herzegovina em partida decisiva dos playoffs. Esta é a 3ª Copa do Mundo consecutiva em que a Itália não se classifica. O país ficou de fora de uma das 16 vagas europeias. A seleção italiana ocupa atualmente a 12ª posição no ranking da Fifa, a melhor colocação entre os países não participantes.
A iniciativa teve como objetivo reparar os laços entre Trump e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni (Irmãos da Itália, direita), segundo o FT. Os líderes se desentenderam depois de críticas do presidente norte-americano ao papa Leão 14 relacionadas à guerra com o Irã. A eliminação da seleção italiana provocou indignação política no país. A derrota para a Bósnia e Herzegovina levou o presidente da Federação Italiana de Futebol a renunciar.
No dia 15 de abril, Trump reclamou da recusa de Roma em permitir que caças norte-americanos envolvidos no bombardeio ao Irã utilizassem uma base militar na Sicília para reabastecimento. Trump demonstrou insatisfação com a primeira-ministra italiana, afirmando estar “chocado” com a falta de cooperação de Meloni na campanha contra o Irã. “Pensei que ela tivesse coragem, mas me enganei”, disse.
Posição do Irã e da Fifa
Em março de 2026, o Irã havia declarado que não participaria do torneio depois de ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel que mataram o presidente do país e dezenas de outros altos funcionários e cidadãos.
No fim de março, o presidente da Fifa se reuniu com a seleção iraniana antes de uma partida na Turquia. Em 16 de abril, Infantino afirmou que o Irã “com certeza” vai disputar a Copa do Mundo.
“A seleção iraniana virá, com certeza”, disse Infantino em conferência em Washington. “Esperamos que, até lá, a situação esteja pacífica. Isso certamente ajudaria. Mas o Irã precisa vir se quiser representar seu povo. Eles se classificaram… Eles realmente querem jogar e devem jogar.”
O Irã divulgou comunicado na 4ª feira (22.abr) afirmando que está preparado para o torneio e planeja participar. A federação de futebol iraniana havia cogitado transferir os jogos para o Canadá ou o México, ideia rejeitada pela Fifa.
Infantino afirmou que a Fifa “apoiaria a equipe para garantir as melhores condições possíveis em sua preparação para a Copa do Mundo”.
Trump afirmou que os jogadores iranianos são “bem-vindos” aos Estados Unidos, mas disse que a situação poderia ser inapropriada e potencialmente perigosa.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou: “O governo Trump está fazendo tudo o que é necessário para garantir o sucesso da Copa do Mundo, ao mesmo tempo em que respeita a legislação americana e os mais altos padrões de segurança nacional e pública no processo de emissão de vistos.”
O regulamento da Fifa concede à entidade “discricionariedade exclusiva” para decidir qual ação tomar caso o Irã se retire do torneio. “A Fifa pode decidir substituir a associação membro participante em questão por outra associação”, afirmam as regras.

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