Para a dona de casa Iálita Souza, que saiu do município de Mairi em busca do atendimento para o filho Luiz Otávio, o resultado foi bastante positivo com a utilização da tecnologia: “está sendo muito bom, porque lá, em Mairi, a gente não tem esse tratamento. Graças a Deus, está dando tudo certo. Com o uso dos óculos, ele já perdeu o medo de andar. E só tenho a agradecer a Deus e aos profissionais, que são todos carinhosos. O atendimento também está sendo muito especial pra ele”.
O dispositivo digital permite que pacientes como Luiz Otávio, de 9 anos, sejam “transportados” para ambientes virtuais onde podem simular atividades como a prática de esportes. A ação ajuda a estimular movimentos musculares específicos de maneira mais lúdica, tornando os exercícios menos dolorosos e mais eficazes.
“Na reabilitação, a gente utiliza a sessão convencional e, a partir de determinado momento, a gente pode teletransportar esse paciente pra dentro de um jogo, pra dentro de movimentos que a gente utiliza durante a sessão convencional, assim dizendo, a gente consegue incrementar isso nas sessões com a realidade virtual. Muitos pacientes ficam com medo até de botar o pé no chão novamente. Então, a gente vai quebrando esse medo do paciente voltar a andar, voltar a fazer as atividades. Através do mundo virtual, eles se sentem mais seguros”, afirmou o coordenador multiprofissional do centro de reabilitação do hospital, Vitor Neri.
A expectativa é de que os óculos de realidade virtual se tornem um aliado cada vez mais importante no processo terapêutico do HOE, aumentando a adesão dos pacientes ao tratamento e melhorando os resultados clínicos. É também o caso de Levi Henrique Lima, de apenas 6 anos, que foi atropelado na cidade de Paulo Afonso.
“Ele está aqui já tem um mês e alguns dias, passou por várias cirurgias. Os profissionais são muito legais, Levi gosta muito da equipe, isso torna a nossa jornada mais leve. Os óculos também estão ajudando muito, porque ele se distrai, fica brincando e esquece um pouquinho da dor”, lembrou Érica Vitória da Silva, tia do pequeno Levi.
Além de melhorar a função motora, a tecnologia se destaca, ainda, pela capacidade de desviar a atenção dos pacientes da dor, oferecendo uma alternativa menos dependente de medicamentos. A pediatria é uma das áreas da medicina em que são observados mais benefícios.
Balanço
Desde o início da operação, em março de 2024, até o momento, o HOE, que é considerado o maior do país em número de leitos, já realizou 35.954 atendimentos e 2.376 cirurgias. Com a nova tecnologia, em uma semana de utilização, já foram realizados 60 atendimentos. A expectativa é de 300 atendimentos por mês, contando com crianças e adultos da reabilitação ou internados no hospital.
Sobre o Hospital Ortopédico do Estado
Inaugurado em 4 de março de 2024, o HOE, unidade do Governo do Estado da Bahia, tem estrutura montada para ser o maior hospital estadual especializado em ortopedia e traumatologia do Brasil. Localizado no bairro do Cabula, em Salvador, oferece serviços ambulatoriais e hospitalares 100% regulados, referenciados pela Central Estadual de Regulação (CER) nas situações de urgência e emergência, e pelo Sistema de Regulação Ambulatorial em casos eletivos.
A unidade conta com 212 leitos e está equipada com a mais moderna tecnologia para diagnóstico, tratamento e reabilitação de pacientes nas áreas de traumatologia, ortopedia e medicina esportiva. Além de 13 salas cirúrgicas, o hospital possui ressonância magnética, tomografia, ultrassom, raio-x e uma piscina aquecida para fisioterapia aquática.
O HOE é a primeira unidade hospitalar na região Nordeste administrada pelo Einstein – uma sociedade civil sem fins lucrativos dedicada à assistência à saúde, ensino, pesquisa e inovação e responsabilidade social. Fundado em 1955, atua com foco na equidade da saúde no país.
Funcionamento e estrutura
O Hospital Ortopédico do Estado tem uma área construída de 16 mil metros quadrados e 212 leitos, entre eles:
- 170 leitos de internação em enfermaria;
- 30 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), sendo 20 adultos e dez pediátricos, que darão retaguarda aos casos de alta complexidade e alto risco cirúrgico;
- Dez salas de cirurgia;
- Três salas de cirurgia em modalidade de hospital-dia.
Serviços
A unidade é focada em atendimentos de traumato-ortopedia e reabilitação, com serviços como:
- Atendimento ambulatorial com consultas médicas ortopédicas e multiprofissionais;
- Cirurgias eletivas;
- Apoio diagnóstico com exames laboratoriais e de imagem;
- Consultas e sessões de reabilitação;
- Piscina aquecida para fisioterapia aquática.
Repórter: Joci Santana/GOVBA
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