Senador afirmou que é uma “figura pública extremamente popular” e foto não significa relação com funcionário de Vorcaro
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) citou, nesta 4ª feira (15.jul.2026), a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a advogada e influenciadora Deolane Bezerra ao responder às críticas sobre a divulgação de uma foto em que aparece ao lado de Luiz Philipi Mourão (1983-2026), conhecido como Sicário, funcionário de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Com a repercussão, o senador divulgou uma nota e um vídeo em que afirma que a imagem não prova que há uma relação entre eles. Disse ainda que “como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos”.
Assista ao vídeo (1min1s):
LULA E DEOLANE
No vídeo, Flávio citou a proximidade entre Lula e Deolane e sugeriu que o presidente mantém vínculos com pessoas ligadas ao crime.
Deolane está presa desde maio, acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) –investigado pela Polícia Civil de São Paulo na operação Vérnix.
Lula posou para fotos ao lado de Deolane em mais de uma situação. A advogada chegou a compará-lo a “um pai” que ela nunca teve. As imagens dos 2 foram usadas no vídeo de Flávio para ilustrar a relação entre o presidente e a advogada. A influenciadora segue detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
QUEM ERA O SICÁRIO
Luiz Phillipi Mourão integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação em 4 de março, Mendonça citou duas conversas entre Sicário e o fundador do Master que podem ser interpretadas como intimidação:
- ameaça contra jornalista – Vorcaro fala sobre Lauro Jardim, que trabalha no jornal O Globo, e afirma que “tinha que colocar gente seguindo esse cara pra pegar tudo dele”. O Sicário responde: “Vou fazer isto”. Depois, o banqueiro declara ter vontade de “dar um pau” no profissional;
- ameaça contra empregada – em outra conversa, Vorcaro diz ter sido ameaçado por uma empregada e afirma que “tem que moer essa vagabunda”. O Sicário pergunta o que é para fazer. O banqueiro então diz: “Puxa endereço tudo”.
Eis o que diz o despacho de Mendonça sobre Luiz Phillipi:
- tinha relação direta com Vorcaro;
- recebia R$ 1 milhão por mês por seus “serviços ilícitos” –o valor era pago por intermédio de Fabiano Zettel, também preso na operação desta 4ª feira (4.mar);
- era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e “neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”;
- há indícios de que ele acessava e colhia dados de sistemas restritos de órgãos públicos;
- era quem coordenava o grupo conhecido como A Turma, responsável por intimidar as pessoas.
Leia a íntegra da decisão de Mendonça (PDF – 384 kB).
O apelido sicário vem do latim sicarius –sica é uma pequena adaga ou punhal. De acordo com a Agência Pública, o general romano Lúcio Cornéio Sula (138-78 a.C.) usou o termo ao promulgar uma lei para punir principalmente assassinos de aluguel –a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis.
Atualmente, o termo é associado a um matador de aluguel. No caso do México, por exemplo, costuma ser usado como uma referência a assassinos contratados por cartéis de drogas do país. Também ganhou popularidade com o filme “Sicario: Terra de Ninguém“, dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado por Benicio Del Toro.
Na imagem, Flávio Bolsonaro (à esq.) e o Sicário (à dir.)

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