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Guerra na Ucrânia supera duração da 1ª Guerra Mundial

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Conflito iniciado em fevereiro de 2022 completa 1.569 dias e ultrapassa os 4 anos da 1ª grande guerra

O conflito entre Rússia e Ucrânia completa a 1.570 dias nesta 6ª feira (12.jun.2026). Com isso, o confronto ultrapassa os 4 anos de duração da 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e se consolida como a guerra mais longa da Europa. A invasão começou em 24 de fevereiro de 2022, quando o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a entrada de tropas no território ucraniano.

O confronto, que Moscou esperava encerrar rapidamente, transformou-se em uma guerra de desgaste, com trincheiras, avanços territoriais limitados e uso crescente de novas tecnologias um cenário semelhante com o confronto de posições da 1ª Grande Guerra.

MOTIVAÇÕES E INÍCIO DA GUERRA

A Rússia justificou a invasão com argumentos de segurança nacional. Putin afirmou que a aproximação da Ucrânia com o Ocidente e uma possível entrada na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) representavam uma ameaça às fronteiras russas.

O governo russo também disse que buscava proteger populações de língua russa no leste da Ucrânia. Kiev e países ocidentais rejeitam essas justificativas e classificam a invasão como uma tentativa de violar a soberania ucraniana.

Segundo o historiador australiano, Christopher Clark, em entrevista a DW (Deutsche Well), o cenário atual se aproxima mais das disputas imperiais do século 19 do que do cenário que levou à 1ª Guerra Mundial. O conflito de 1914 começou depois do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e se espalhou pela rede de alianças entre potências europeias.

A 1ª Guerra Mundial matou 9 milhões de militares e um número semelhante de civis. Dados levantados pelo Poder360 indicam que o custo humano acumulado na guerra da Ucrânia —incluindo mortos, feridos, desaparecidos e deslocados— já chega a 10 milhões de pessoas.

MUDANÇAS DE ESTRATÉGIA

No início da invasão, as forças russas avançaram rapidamente e chegaram às proximidades de Kiev. O objetivo era pressionar a capital e derrubar o governo ucraniano.

A resistência da Ucrânia impediu o avanço. No fim de março de 2022, a Rússia retirou tropas da região e concentrou as operações no Donbass, no leste do país.

Desde então, o conflito passou a ter características semelhantes às da 1ª Guerra Mundial: linhas de frente estáveis, uso de trincheiras e dificuldade de avanço territorial.

Na guerra de 1914-1918, soldados permaneceram anos em posições fixas no front ocidental. Na Ucrânia, Rússia e Ucrânia mantêm posições próximas, tentando enfraquecer o adversário com ataques contínuos.

USO DE DRONES MUDOU A GUERRA

A principal diferença entre os 2 conflitos está na tecnologia. No conflito do século 20, aviões e tanques alteraram o campo de batalha. Na Ucrânia, os drones passaram a ocupar esse papel.

O uso em larga escala dos equipamentos começou a mudar a dinâmica da guerra a partir de 2023. Drones passaram a identificar posições, direcionar ataques e dificultar o deslocamento das tropas.

A tecnologia criou o que militares chamam de “killzone” (zona da morte): áreas próximas à linha de frente onde o deslocamento de tropas se tornou extremamente difícil por causa da vigilância constante dos drones.

Em alguns pontos, essa área pode ter de 20 km a 25 km de largura. Soldados passaram a depender mais de trincheiras, abrigos subterrâneos e camuflagem. Movimentações com veículos blindados, antes comuns, tornaram-se mais arriscadas.

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