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Lindbergh aciona STF para investigar ONG ligada ao “Dark Horse”

Deputado protocolou uma petição na Corte para que seja investigada a conexão entre uma emenda de Mario Frias, um contrato com a prefeitura de SP e a produtora do longa

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do Governo na Câmara, protocolou nesta 2ª feira (1º.jun.2026) uma petição incidental no Supremo Tribunal Federal em que pede a abertura de uma investigação sobre a conexão entre um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, emendas parlamentares e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O pedido foi direcionado ao ministro Flávio Dino na ADPF 854, ação que discute a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares no país. Eis a íntegra do documento (PDF – 65 kB).

“Estamos diante de uma engrenagem que mistura emenda parlamentar, dinheiro público municipal, ONG sem capacidade comprovada, produtora política e suspeita de lavagem. O Brasil precisa saber quem pagou, quem recebeu, quem ocultou e quem se beneficiou”, disse Lindbergh.

O QUE DIZ A PETIÇÃO

A iniciativa se baseia em documentos oficiais de um inquérito da Polícia Civil do Estado de São Paulo, que apura crimes como fraude em licitação e emprego irregular de verbas públicas no contrato de Wi-Fi firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.

De acordo com o documento, a engrenagem do esquema gira em torno de um ecossistema de entidades controladas pela empresária Karina Ferreira da Gama, que aparece simultaneamente vinculada ao ICB, à Academia Nacional de Cultura e à Go Up Entertainment, produtora do filme. 

O deputado afirma que o Instituto Conhecer Brasil venceu o chamamento público da prefeitura paulistana como participante único e sem expertise técnica na área de telecomunicações para gerenciar um contrato de R$ 108 milhões. 

Segundo a investigação, há suspeitas de fraude na licitação e na execução do acordo firmado entre a empresa e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O contrato projetava a instalação de 5.000 pontos de Wi-Fi gratuito em vias públicas da capital paulista.

Do valor total repassado, cerca de R$ 98 milhões teriam sido pulverizados em subcontratações milionárias com empresas, operadores privados sem capacidade técnica ou firmas ligadas por núcleos familiares e afetivos. Além disso, a investigação aponta que houve uma execução parcial das metas, com a instalação de apenas 3.200 dos 5.000 pontos de conectividade previstos.

De acordo com a Polícia Civil, existem “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre o instituto e a produtora cinematográfica. Os investigadores apuram se recursos públicos repassados ao ICB foram desviados para custear a produção de “Dark Horse”.

EMENDA DE FRIAS

O Supremo foi acionado porque a movimentação também envolve uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão destinada pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao mesmo Instituto Conhecer Brasil, voltada a um projeto de empreendedorismo jovem em Pirassununga (SP) que nunca teria sido executado no município. 

A principal despesa identificada foi um pagamento de R$ 400 mil à Editora Dinâmica para o fornecimento de 2.750 kits pedagógicos. De acordo com responsáveis locais ouvidos pelo Estadão, os materiais não chegaram a Pirassununga e o projeto não foi executado no município. 

O ICB também transferiu R$ 300 mil ao Instituto Super Poder Educacional para a produção de aulas e a disponibilização de uma plataforma digital. 

A petição ainda aponta que a Academia Nacional de Cultura, também controlada por Karina Gama, recebeu R$ 2,6 milhões em “emendas Pix” de parlamentares da ala bolsonarista para produzir uma série documental que ainda não saiu do papel.

Lindbergh Farias argumenta que a fragmentação das investigações favorece a ocultação dos fluxos financeiros e impede a identificação dos beneficiários finais. 

Por isso, o deputado pede que o STF dê ciência imediata dos fatos à Procuradoria-Geral da República para avaliar a abertura de procedimento criminal por lavagem de dinheiro, peculato, organização criminosa e evasão de divisas.

 O pedido também abrange o acionamento do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), da Receita Federal e do Banco Central para rastrear a legalidade dos pagamentos, a contabilidade compartilhada e eventuais contratos de câmbio ou remessas internacionais que possam ter financiado a equipe estrangeira do filme Dark Horse no exterior.

OUTRO LADO

O Poder360 procurou Mário Frias e Karina Gama por meio de mensagem via Whatsapp e e-mail nesta 2ª feira (1º.jun.2026) para pedir um posicionamento sobre o caso. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve resposta. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Fonte: Clique aqui

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