“Múltiplas Velhices: Identidades, Territórios e Cuidados” – a quarta edição da Mostra Científica do Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (CREASI) trouxe um importante debate sobre os impactos no processo de envelhecimento diante das desigualdades estruturais, onde o passado escravagista reflete diretamente nas condições de vida e saúde da população idosa hoje.
Nos dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um retrato urgente: a Bahia é o estado com a maior concentração de pessoas negras do Brasil, totalizando quase 80% da população. A Mostra, realizada no dia 13 de maio (Dia da Abolição da Escravatura), teve o objetivo de fortalecer a troca de saberes e a construção coletiva do cuidado da pessoa idosa, reunindo as principais pesquisas desenvolvidas em Geriatria e Gerontologia no CREASI.
Com a participação da Superintendência de Recursos Humanos (SUPERH/SESAB), representada pelo Diretor de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Luciano de Paula Moura, da coordenadora de Gestão do Conhecimento e Fomento à Pesquisa em Saúde (COGEC), Lívia Pereira, representando a Superintendência de Assistência Farmacêutica, Ciência e Tecnologia (SAFTEC/SESAB) e de Rutinhea Santos de Santana, da Área Técnica da Saúde da Pessoa Idosa, representando a Superintendência de Atenção à Saúde (SAIS), o evento foi aberto abordando a importância da pesquisa para a qualificação dos serviços de saúde. Para Helena Pataro Novaes, diretora do CREASI, a IV Mostra Científica evidencia o compromisso com o SUS, na produção, promoção e difusão do conhecimento.
Na abertura, a médica Diana Noronha, que atua Núcleo de Educação Permanente (NEP – Pesquisa) e é presidente da Comissão Local de Pesquisa (CLP/CREASI), abordou a proposta do encontro científico trazendo a discussão sobre as múltiplas velhices e como, através das pesquisas, potencializar o cuidado às pessoas idosas. “A grande maioria dos usuários do CREASI são mulheres negras, com dependência física e em vulnerabilidade socioeconômica e os dados do IBGE reforçam esse perfil. São mulheres que vivem mais, mas que chegam a essa etapa da vida carregando as marcas de um território e de uma identidade que definem não apenas como elas envelhecem, mas como elas acessam, ou deixam de acessar, o direito fundamental à saúde”, explicou Noronha.
A palestra “Invisibilidade e resistência: a pessoa idosa no SUS”, abordou o envelhecimento compreendido a partir da trajetória social e histórica de cada indivíduo. A especialista em Saúde da Pessoa Idosa, Juliana Brito, pontuou que o quadro atual da saúde da pessoa idosa foi constituído sócio-historicamente, salientando que os chamados determinantes sociais da saúde influenciam diretamente no envelhecimento da população.
A Mostra também contou com mesas redondas que debateram os desafios do cuidado transacional e o caminho da pesquisa na gestão do SUS Bahia; e panorama do Laboratório de Inovação e Pesquisa sobre a Pessoa Idosa (LIPPI/CREASI). A especialista em Monitoramento da Pesquisa no âmbito do SUS, Pâmela Leal, que atua no NEP – Pesquisa e na CLP/CREASI, descreveu como o LIPPI transformou o cotidiano do Creasi em ciência e inovação para o SUS.
O grande destaque da programação do evento organizado pela CLP/CREASI em parceria com a Coordenação de Gestão de Pessoas (CGP/CREASI) foi o “Painel de Inovação” com 6 trabalhos elaborados por profissionais do Centro, desenvolvidos através do LIPPI, que possibilitarão novos processos de trabalho que qualificarão ainda mais a assistência à pessoa idosa. O encerramento culminou com a visitação aos Pôsteres brindando a produção científica do Centro. A Mostra fortaleceu a troca de saberes e a construção coletiva de soluções para o cuidado da pessoa idosa em suas múltiplas velhices através do compartilhamento de pesquisas e iniciativas desenvolvidas no CREASI. A quarta edição não só atingiu seu objetivo, como superou todas as expectativas.

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