O governo do presidente Lula da Silva (PT) intensificou os investimentos em publicidade digital e desembolsou R$ 21 milhões em anúncios no Instagram e no Facebook até meados de maio deste ano. O valor representa quase o dobro do montante aplicado no mesmo período de 2025, quando os gastos somaram R$ 11,45 milhões.
Os dados constam na biblioteca de anúncios da Meta, empresa responsável pelas duas plataformas digitais, e mostram uma estratégia concentrada na divulgação de obras, programas sociais e ações federais em áreas consideradas estratégicas para o governo.
Entre os principais focos das campanhas estão investimentos em mobilidade urbana, infraestrutura, segurança pública, renegociação de dívidas, mudanças na Carteira Nacional de Habilitação e propostas trabalhistas como o fim da escala 6×1.
Segundo o calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a publicidade institucional de programas, serviços e obras públicas poderá ser realizada até o dia 4 de julho. Após essa data, as restrições eleitorais passam a limitar campanhas de divulgação governamental.
Mais de 20% do valor investido até agora foi direcionado à promoção de entregas do governo federal em estados com grandes colégios eleitorais, como Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Também foram impulsionadas ações no Rio Grande do Sul, estado afetado pelas enchentes de 2024, além de campanhas voltadas ao Ceará, Pernambuco e municípios mineiros atingidos por fortes chuvas.
Uma das maiores vitrines digitais do governo é o Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. A gestão federal destinou aproximadamente R$ 3,3 milhões em anúncios relacionados às obras do programa em estados como Santa Catarina, Maranhão, Pará, Amazonas, Acre e Alagoas.
Outro destaque nas campanhas é a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. A iniciativa recebeu investimento de R$ 2,85 milhões em publicidade digital.
A medida é considerada estratégica pelo Palácio do Planalto diante da tentativa de ampliar apoio entre trabalhadores da classe média e assalariados.
Já a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras do governo federal no Congresso Nacional, recebeu cerca de R$ 2,1 milhões em anúncios nas redes sociais.
As peças publicitárias defendem redução da jornada semanal para 40 horas, manutenção salarial e ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores. A proposta segue em análise na Câmara dos Deputados.
Na área da segurança pública, o governo investiu aproximadamente R$ 1,5 milhão em campanhas sobre combate ao crime organizado, exploração sexual de crianças e adolescentes e endurecimento de penas para crimes patrimoniais.
Entre os conteúdos divulgados estão ações relacionadas a um projeto sancionado pelo presidente Lula, de autoria do deputado federal Kim Kataguiri, que amplia punições para furtos, roubos e golpes.
O governo federal também investiu quase R$ 932 mil na divulgação das novas regras da Carteira Nacional de Habilitação, que flexibilizaram a obrigatoriedade de aulas teóricas em autoescolas.
Outra frente de comunicação foi o programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas. A campanha consumiu cerca de R$ 2,7 milhões em anúncios digitais, com mensagens destacando descontos de até 90% para consumidores inadimplentes.
Além disso, a administração federal intensificou campanhas sobre combustíveis e os impactos da crise envolvendo o Irã no mercado internacional de petróleo. As ações de comunicação relacionadas ao tema somaram R$ 5,7 milhões.
As peças publicitárias buscaram rebater críticas da oposição e explicar medidas adotadas pelo governo para evitar alta mais acentuada nos preços dos combustíveis.
Para o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, o aumento expressivo das campanhas em ano eleitoral reforça a necessidade de maior fiscalização sobre os gastos públicos em publicidade institucional.
Segundo ele, a comunicação governamental deveria seguir uma política contínua, sem concentração excessiva de investimentos em períodos próximos ao calendário eleitoral.
Até o momento, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Secom, não se manifestou oficialmente sobre os números divulgados pela plataforma Meta.

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