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Deputado pede investigação sobre vazamento de áudios de Flávio

José Medeiros indaga o Ministério da Justiça acerca de divulgação de materiais relacionados a Vorcaro, do Banco Master

O deputado federal José Medeiros (PL-MT) apresentou na 4ª feira (13.mai.2026) um requerimento de informações ao Ministério da Justiça e Segurança Pública depois do vazamento de áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relacionados a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Registros de áudio e mensagens no WhatsApp revelam que Flávio negociou com Vorcaro o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações foram divulgadas pelo jornal digital Intercept Brasil na 4ª feira (13.mai). Flávio, filho mais velho de Jair e pré-candidato à Presidência da República, confirmou a veracidade dos áudios.

No requerimento, Medeiros indaga como materiais supostamente protegidos por sigilo investigativo chegaram à imprensa. Ele pede auditoria dos acessos aos arquivos, logs de compartilhamento e identificação de autoridades que tiveram contato com o conteúdo. Leia a íntegra do documento (PDF – 103 KB).

O deputado disse haver indícios de “vazamento seletivo” e suspeita de “uso político-midiático de material sigiloso”. Medeiros menciona preocupação com a divulgação inicial do material em veículos que, segundo ele, seriam alinhados ao governo federal.

ENTENDA O CASO

Segundo a reportagem do Intercept, Flávio pediu em 2025 US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época). Vorcaro se comprometeu a pagar o montante em 14 parcelas, mas somente US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões na cotação da época) foram repassados. O senador, apesar de confirmar o pedido, não mencionou valores.

Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio a Vorcaro. No registro sonoro, o senador cobrou o pagamento de parcelas atrasadas relacionadas ao filme. Ele demonstrou preocupação com os atrasos. Alertou sobre as consequências negativas que um não pagamento poderia causar à produção.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse Flávio.

Ouça o áudio (1min37s): 

Os repasses foram feitos por meio do Entre Investimentos e Participações, controlada por Antonio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, que também comanda a revista IstoÉ. Em março deste ano, a instituição de pagamentos Entrepay, que pertencia ao Grupo Entre, foi liquidada pelo Banco Central.

As transferências foram direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, localizado no Texas, Estados Unidos. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão mais novo de Flávio, está entre os agentes do fundo.

RELACIONAMENTO

A aproximação entre o senador e o fundador do Banco Master teve início em dezembro de 2024. O empresário Thiago Miranda, que na época era proprietário do Portal Leo Dias, atuou como intermediário no contato inicial.

Miranda comunicou a Vorcaro que Flávio Bolsonaro desejava discutir o financiamento da produção cinematográfica. Também mencionou acordos relacionados a publicidade. O empresário informou ao ex-banqueiro que o senador estava “ciente de todos os detalhes”. 

O 1º encontro presencial entre Flávio e Vorcaro se deu em 11 de dezembro de 2024, na residência de Vorcaro, em Brasília.

Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem a Vorcaro. O senador se referiu ao ex-banqueiro como “irmão” e chegou a declarar que estaria ao seu lado “sempre”. No dia seguinte, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. A prisão foi realizada na operação Compliance Zero.

FLÁVIO RESPONDE

O senador Flávio Bolsonaro afirmou em nota divulgada na 4ª feira (13.mai) que é “fundamental a instalação” de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master.

Segundo o senador, o caso se trata de um “filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, sem o uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet”.

Flávio declarou: “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”.

Leia a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:

“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”


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